9 de dez de 2008

Retrospectivas da Consciência

Acho incrível quando me deparo com as grandes avenidas movimentadas. As mais variadas pessoas indo para os mais variados destinos, correndo atrás dos mais diversos objetivos. O curso da História nos mostra o quanto que os roteiros dos grandes artistas do mundo tornaram essa peça que a gente chama de vida um pouco mais complicada, um pouco mais imperceptível e muito mais simples e dinâmica.

Entretanto também me deparo com situações bastante curiosas e que me surpreendem de maneira bastante positiva. Um exemplo disso foi um evento que tive a grande honra de participar no colégio em que me formei. Este evento é realizado por alunos do segundo ano do ensino médio e, desprovido de seus valores e libertando-se da grande influência da cultura de massa que os domina, os estudantes defenderam e criticaram idéias que todos os dias fingimos que não existem ou que não importam. Afinal de contas, não é todo o dia que assisto jovens de 16 anos dialogando tão bem sobre a mídia, sobre a sexualidade, sobre o cotidiano do mundo, sobre política, entre outros. Em suma, dialogaram sobre suas próprias vidas, mas não da maneira que vivem, e sim como se pudessem ser, por alguns instantes, agentes observadores de si... Em resumo, como se fossem sua própria consciência.

Gosto de acreditar que o mundo não está perdido, como disse minha mãe uma vez. Prefiro acreditar que cada um pode, no mínimo, ser responsável pelo que pensa, pela música que o guia e pelo mundo em que vive. Doce ilusão a minha quando me recordo do sofrimento dos africanos em seu continente. Recentemente escrevi um artigo sobre a Conferência de Berlim e nele pude expor de maneira crítica o sofrimento que o povo da África sofreu e ainda sofre. Me recordo da frase de um líder africano, que disse que “o desenho original da África foi combinado em Berlim”. Mas ele estava enganado. Não só o desenho continental, mas o desenho vital do povo também foi feito pelas grandes potências, culminando em um desastre absurdo.

Ainda alimento esta ilusão quando me deparo com a precariedade da sobrevivência das classes menos favorecidas no Brasil.

Mas o que penso não é apenas sonho. É, na verdade, uma ponta de esperança. Sabem o por quê de eu ter me sentido muito bem quando assisti ao evento no colégio? Exatamente porque percebo que quando os adolescentes querem, eles conseguem ir muito além da aparência. Mas não somente os mais jovens. Acredito que todos podem ser assim. Todos tem a capacidade, se quiserem, de refletir sobre o mundo onde vivem, sobre o que são, sobre sua essência. Nietzsche resume muito bem todo esse pensamento quando diz “torna-te quem tu és!”. E acho que é assim mesmo que deve ser. O ser humano vive preso a tantos valores, a tantas pressas e tantas preocupações, que muitas vezes esquece-se de si mesmo, de quem é.

Não é uma questão de ser positivo. É uma questão de consciência. Esta é o pano de fundo para todas as ações, para todas as vivências, para todas as observações e análises. Nada pode ser tão mal feito quanto invadir o Iraque, manter tropas no Afeganistão e preocupar-se com o Paquistão de maneira tão equivocada ou, no mínimo, mal planejada. Nada pode ser pior que repreender um povo que luta por sua autonomia de forma tão violenta, como ocorre na Espanha (País Basco), China (Tibete), Rússia, entre outros.

Nada pode ser tão mal feito quanto não pensar no mundo onde vivemos. Simplesmente não dá para não se importar com a vida, deixando-a cada vez mais monótona. Neste evento que pude participar defendi que a crescente classe média do Brasil é a que mais sofre com diversos agravantes, como por exemplo o preconceito e o comodismo. A classe alta repudia os medianos que não conseguem atingir seu elevado patamar, enquanto que a classe baixa os repreende por tê-los deixado. E ao invés de demonstrar o valor que possui, o brasileiro acomoda-se com uma vida média, com pensamentos médios, com vivências médias.

A vida é muito para ser simplesmente média. Quem ensina são os marginalizados da sociedade, os pobres, os que passam fome, os desempregados, os que nada tem com a guerra mas que perdem seus parentes injustamente... Estes sim são os maiores professores e nossa consciência é o melhor dos instrumentos do nosso próprio aprendizado. É nisso que acredito, inconscientemente, no meu silêncio cotidiano.


Escrito por: Denis Araujo

22 de nov de 2008

Meio Ambiente – O Slogan das Empresas, O Discurso dos Governos.

Nota-se a importância do meio ambiente pela sua magnitude - grandes catástrofes e especulações sobre o futuro da humanidade; questões como as devastações das florestas e a grande quantidade de emissão do CO² na atmosfera. As mesmas que provocam o “temor” da sociedade de modo geral vem sendo vistas por governos e empresas como uma grande oportunidade para se auto-promoverem, e não somente. Traz-se-ia um questionamento:

“Quando encararemos esses problemas como algo que, de fato, irá mudar o futuro dessas gerações e das próximas?”.

Conferências como resposta à crise ambiental tem sido significativas, mesmo que as mesmas não nos trazem resoluções. Mas elas são, em suma, uma grande evolução sobre o tema. Nações, de fato, “engolem” o orgulho e a vontade de consumir além do que o planeta pode oferecer, trazendo questões e formas de se reduzir o processo de “auto-destruição” do planeta.

A Cúpula da Terra foi uma delas, em 1992 - sediada pelo Brasil e que apresentou representantes de cento e quarenta e sete nações, entre eles Al Gore, que na época ocupava o cargo de vice presidente.

Seu objetivo foi trazer resoluções acerca do desmatamento de florestas e sua preservação, assim como o próprio aquecimento global. Pesquisas realizadas na época mostravam a importância da emissão do CO² no aumento da temperatura do planeta, e que 20% dessa emissão decorreria dos desmatamento de florestas.

Politicamente o Brasil obteve êxito, pois sediando essa conferência, viu-se uma oportunidade de mostrar sua importância à outras nações, não somente pela vastidão de florestas em seu território, mas pela política que a nação visava para a preservação. Fato é, que o Brasil deixa de ser o grande vilão, passando para uma nação que também estava presente na conferência. Os Estados Unidos fora e ainda é um dos maiores poluidores do mundo, em seguida a China, que na época ainda não se mostrava como sendo uma nova potência mundial.

A política que seria adotada pelos EUA à respeito ao meio ambiente seria mudada com seu novo representante, o então famoso presidente George W. Bush, que visando apenas a guerra no Iraque, pouco avançou nas negociações para diminuir as emissões de gases poluentes.

Em palcos menores, em 1979, na primeira conferência mundial do clima, em Genebra, na Suíça, assim como em três outras realizadas em Villach, na Áustria, Toronto, no Canadá, a importância de se enfrentar o problema das mudanças climáticas destacavam-se pelos especialistas em meteorologia.

Eis um breve parágrafo da conferencia de 1979 acerca dos gases de efeito estufa:

“A longa dependência que a sociedade tem dos combustíveis fósseis, como fonte de energia, junto com o desmatamento ininterrupto, provavelmente provocarão aumentos maciços de emissões de dióxido de carbono na atmosfera, em décadas e séculos futuros. A compreensão atual dos processos climáticos conduz à clara possibilidade de que esses aumentos de dióxido de carbono possam ter, a longo prazo, mudanças significativas e possivelmente capitais no clima em escala global.”


Tantas discussões refletem no que hoje chamamos de consciência ambiental. Slogans de empresas tentam convencer seus clientes que, de fato, estão agindo para melhorar o planeta. Verdade ou não, o fato é que a população não só deve exigir atitudes de seus governantes, mas também no seu dia-a-dia a influenciar outras pessoas que o siga nesse ideal, obstinando-se do consumismo e aderindo a uma ação conjunta para que possamos respirar melhor e preocupando-se menos com o aumento do nível do mar.

A questão que vos deixo é:

“ Poderá, então, somente o governo e organizações de um modo geral garantir o futuro dos nossos filhos?”



Referência Bibliográfica:
MAGNOLI, Demétrio. História da Paz. Ed. Contexto, p.418-419


Escrito por: Filipe Matheus

10 de nov de 2008

G-20: Motivações Precisas de Um Otimismo Incerto

Domingo, 9 de novembro de 2008. Esta foi a data em que se encerrou a reunião do G-20, que une os países mais desenvolvidos e os países emergentes. Flashes e cafezinhos a parte, me alegro pela transparência que o ministro da Fazenda Guido Mantega conversou com os jornalistas no encerramento da cúpula, este que foi o coordenador da reunião. Mas mais do que isso, as intenções do presidente Lula em seu discurso de abertura aparentemente foram bem representadas e bem dialogadas.

Independente dos frutos que serão colhidos com essa reunião e posteriormente com a Cúpula de Washington que ocorrerá neste sábado (15 de outubro), uma coisa ficou bem clara, em fala do próprio ministro Guido Mantega: “As medidas tomadas até o momento são ineficientes!”. E estas palavras surgem em um momento bastante propício visto que, no mesmo dia, a China anunciou um auxílio de mais de 500 bilhões de dólares, similar a atitude norte-americana, a da Alemanha e de outros países alarmados com a crise econômica. A própria revista Carta Capital do dia 22 de outubro adiantou que certos exemplos deveriam ser seguidos (como a atitude britânica que, ao invés de despejar montantes de dinheiro para comprar dívidas de bancos, resolveu despejar capital diretamente nos balanços dos bancos e em troca assumindo parte de sua propriedade). Em outras palavras a revista aponta que “em vez de retirar água do recipiente que vaza, (...) estão tentando tapar o vazamento”. Ou seja, não adianta promover medidas emergenciais para tentar atenuar a crise, já que o mais correto seria corrigir o problema principal. E é exatamente neste ponto que os países emergentes poderão auxiliar.

Um dos resultados visíveis da reunião do G-20 (ao menos no ponto de vista teórico) é que as economias em desenvolvimento desempenharão um papel fundamental para combater a crise e auxiliar as grandes potências a retomarem o curso natural das coisas. Guido Mantega afirmou na coletiva de impressa do encerramento da cúpula que “o melhor instrumento contra a crise é o G-20”, e adiantou que “o Brasil defenderá uma regulamentação e uma fiscalização mais rigorosa”. Ao menos é isso o que se espera, como também se espera uma reforma nas instituições internacionais, como no Banco Mundial e, principalmente, no FMI (Fundo Monetário Internacional).

Contudo, durante todo o governo norte-americano de George Bush, três palavras deixaram de estar sublinhadas em sua agenda de política externa: América do Sul. Em outras palavras, o continente sul-americano foi deixado de lado. Claro que o presidente dos EUA e o presidente Lula da Silva tornaram-se aparentemente amigos quando o assunto foi o etanol, mas creio ter sido apenas uma nuvem passageira. Este distanciamento ficou notório nos últimos anos, tendo em vista que outros elementos estiveram muito mais destacados, como a atual guerra no Iraque e os problemas enfrentados no Afeganistão, além da própria corrida eleitoral e problemas domésticos. O que se espera de Barack Obama é que haja, agora, uma aproximação entre os EUA e o Brasil, visto que o principal tópico da pauta é a crise econômica.

Quando o assunto é esta aproximação, o chanceler brasileiro Celso Amorim mostra-se otimista, porém cauteloso. “Vem com amor, mas com o respeito também”, disse o ministro à Folha de S. Paulo de 9 de novembro. Este defende um “otimismo vigilante”, visto que, democrata ou republicano, o governo norte-americano é poderoso e pode muito bem aplicar protecionismo comercial, além de práticas intervencionistas na América Latina. Ou seja, as expectativas são boas, mas teremos que aguardar.

Por fim, destaco que a Cúpula de Washington servirá para observarmos se as intenções multilateralistas das grandes potências se confirmarão. Um fato é estarem cientes da importância deste multilateralismo e de uma maior influência dos países emergentes na cura desta crise econômica (visão teórica). Outro fato é se as grandes potências estarão dispostas a discutir novamente e chegar em uma resolução da Rodada Doha, por exemplo (visão prática).

Segue o otimismo, mas também segue a apreensão. Poderão as grandes economias mundiais cederem seus orgulhos e colaborarem para a salvação? E os países emergentes: poderão estes mostrar sua força com atitudes práticas? Certamente não perderemos o próximo capítulo desta história.


Escrito por: Denis Araujo

7 de nov de 2008

Barack Hussein Obama II: A Imagem de Esperança e Carisma do Novo Governo Americano

A partir de hoje Filipe Matheus (colega internacionalista) fará parte deste blog, colaborando com suas visões e idéias acerca das cenas cotidianas que assistimos o mundo viver. Desde já agradeço e espero que esta parceria possa render frutos importantes e que possamos ampliar os horizontes de pensamento dos nossos leitores e de nós mesmos.



Dia 4 de novembro de 2008 o povo americano elege seu novo presidente, Barack Hussein Obama, tido como o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Todos comemoraram sua vitória, não apenas por ser a vitória de um negro, mas a vitória do povo americano contra o conservadorismo.

O recém eleito presidente formou-se em Harvard e na Universidade de Columbia, cursado em direito e política, esta com ênfase em relações internacionais, explicando a sua maior flexibilidade no que se refere em questões de política externa. Sem experiência no cargo executivo, foi alvo de questionamentos a respeito da sua capacidade de liderar o país, que hoje perde em prestígio e economia instável.

Obama, carismático e eloqüente, encantou rapidamente os latinos, a classe rica e as mais pobres, sobretudo os negros. Nunca em uma campanha houve tantas doações. Cerca de 1,6 bilhões de dólares foram arrecadados, deixando seu concorrente John McCain bem atrás desse número.

A corrida presidencial foi bastante assistida pelo mundo inteiro. Intrigas envolvendo seu nome e de um ex-colega tido como terrorista foram armas contra sua campanha, mas que pouco influenciaram na hora da votação.

Dias antes da eleição, representantes da União Européia visto se diziam a favor do futuro presidente, mas que torciam principalmente por Barack Obama, já que sua visão estreitaria os laços entre a Europa e os EUA, que se demonstraram tão afastados na atual política de George Bush. Temendo a expansão econômica da China e a política externa hostil da Rússia, se faz necessária uma aliança mais fortalecida entre norte-americanos e europeus.

Ao início das eleições, Barack Obama começa com uma grande vitória: o estado da Pensilvânia o elege. Aos poucos sua candidatura foi se legitimando com estados como o de Nova York e Massachusetts. Mas foi a vitória em Ohio que simbolizou a perda de seu oponente: nunca nenhum republicano venceu sem o apoio desse estado.

Perto das 2 horas da manhã, horário de Brasília, Barack Hussein Obama chega ao poder e a liderança da casa branca. Mas o que ficam são os seguintes questionamentos: poderá ele, enfim, retirar o país da lama? Será que sua política externa será tão diferente da antiga política? Será tarde demais para os EUA, já que a China já se assume como nova potencia econômica mundial? Os subsídios agrícolas defendidos por ele prejudicarão ainda mais os laços entre os países?

Talvez não saibamos ao certo, mas que é possível imaginar o novo cenário e indagarmos se a democracia americana e seu modo capitalista ainda é um ideal a ser seguido.



Gostaria de agradecer a Denis Araujo por ter me apresentado essa idéia magnífica de escrever sobre notícias diversas do âmbito internacional. Isso me inspirou muito como aluno e espero que inspire não somente alunos da área mas a todos que se interessam por questões globais.


Escrito por: Filipe Matheus

4 de nov de 2008

A economia balança, os americanos votam, o Cristo fica rosa e Maradona torna-se técnico da seleção argentina: outubro/novembro como você nunca viu!

Pois é, são tantas notícias que às vezes fica difícil escolher qual ler primeiro e qual simplesmente deixar pra lá. A verdade é que nenhuma deve ser esquecida.

O mês de outubro foi marcado pela apreensão. O mundo vivendo um forte colapso econômico. As chancelarias e os ministérios da fazenda se pronunciando, com a finalidade de explicarem o que acontece, ou pelo menos para demonstrar seriedade e calma na hora de discutir os rumos da economia. Lembro bem quando a crise bateu na nossa porta e nosso presidente humildemente disse: “Nós estamos preparados! A crise não vai nos afetar!”. Lula estava meio certo.

Pouco a pouco o Brasil viu-se na obrigação de tomar medidas emergenciais. O governo federal não ficou de braços cruzados e teve de agir de forma bastante ponderada. O governo estava e ainda está preparado para o que está acontecendo, desde que os cálculos feitos até agora não se mostrem incorretos dentro de alguns dias, semanas ou meses. O fato é que não se sabe ao certo como será o futuro da economia mundial. Mas o país está caminhando bem, mesmo que a passos lentos.

Essa semana foi concretizada a união do Itaú com o Unibanco. Não vamos nos prender aqui se foi uma atitude boa ou não. Mas a Bovespa já sentiu essa atitude: ontem as ações dos dois grupos subiram bastante, e hoje estão indo muito bem, obrigado. A junção das operações dos dois bancos fez nascer o maior banco do hemisfério sul, dando forma a potencialidade do Brasil frente os demais países emergentes da América Latina e África. O jornal Pagina 12 da Argentina acentua muito bem o papel primordial do Brasil na economia de seu país, quando publicou recentemente em uma de suas matérias “(...) la sensación de vulnerabilidad no está supeditada a acontecimientos lejanos e incomprensibles, sino a la suerte del ajuste entre el real y el dólar. O dicho de otro modo, a la capacidad del Banco Central de Brasil de poner bajo control al mercado cambiario. Subordinados, sí, pero a un vecino conocido, socio y, además, poderoso.

Agora, deixando de lado o assunto em questão, passemos a debater agora o principal assunto da pauta de 2008: as eleições norte-americanas. Sim, existem zilhões de artigos jornalísticos, blogs e afins que tratam deste tema. Entretanto não existem zilhões de formas de pensar.

Agora são exatamente 13h30 no horário de verão. Os diversos fusos americanos me impossibilitam de citar o horário por lá. Mas independente do momento do dia, gostaria de mencionar a postura da CNN (www.cnn.com) e de outras emissoras e veículos jornalísticos: 90% estão com o cacoete de dizer que 4 de novembro é um dia histórico. Mas qual é o momento em que se faz história: na esperança americana? No sonho americano? No American Way of Life? Vou dizer a minha visão da história.

Barack Obama poderá ser eleito dentro de algumas horas. Jovem negro, negro inteligente, negro objetivo, negro democrata e negro negro. Li há alguns instantes uma frase que ele é o novo Martin Luther King. Negro.

Por que bato nesta tecla? Pois bem, segue a explicação. Obama representa a esperança norte-americana de retomar o desenvolvimento. Também representa uma revolução nos padrões governistas dos republicanos, já que o mundo teme que McCain seja eleito o novo Bush. Mas ele não é somente isso. Ele é um jovem senador (McCain é idoso); negro (McCain branco); Democrata (McCain republicano); McCain é veterano de guerra (Obama não).

Que atire a primeira pedra quem já assistiu um filme cliché americano tendo como protagonista um herói negro, estudioso, que não esteve em uma guerra, possui forte ligação com parentes na África e ainda defende uma gradativa retirada das tropas americanas de algum lugar!

Caro leitor, não estou tecendo críticas a nenhum dos candidatos. Apenas gostaria que pudesse perceber uma coisa: Obama pode ter a personalidade e a imagem da perfeição, da mudança, da revolução e que boa parte do mundo deseja ver. Mas na hora de votar, quem é que afirma que o preconceito absurdo e o conservadorismo exagerado dos americanos não vão vir a tona? Posso estar queimando minha língua quando digo e meus dedos quando digito, mas a história se fará quando Obama for eleito honestamente. Mas se fará mais ainda se Obama seguir fielmente sua frase de campanha “Change: we can believe in!”.

Negro, branco, oriental. Republicano, Democrata. Homens, mulheres...

Políticos são políticos. Na hora da campanha todos assumem uma postura. Mas a chamada Razão de Estado que os realistas tanto afirmam falará mais alto. Ou o mundo acha que Obama vai virar os Estados Unidos de cabeça pra baixo e mudar tudo? Sejamos coerentes: a linha de governo republicana irá perdurar por mais algum tempo, mesmo com o democrata no poder. Se ele tiver a mão firme, ele guiará esse trator de forma surpreendente. E esse é momento que a história se faz, não por ser negro, mas por ser correto e apagar George Bush da mente do povo.

Ah, quando disse que o Cristo ficou rosa, foi um fato verídico, mesmo que por pouco tempo. Maradona também está no cargo de técnico da seleção argentina, mesmo que por tempo incerto e sucesso indefinido.

Afinal, quem é rei nunca perde a majestade. Mas entrega sua corôa quando deve. E é assim que acredito na mudança.

2 de out de 2008

Miscelaneando Política.

Oiiiii geeeeeeeente! Peço licença para invadir a sua casa. Peço desculpas, mas é que São Paulo tem pressa e, pra continuar no rumo certo, temos que seguir em frente já que a luta continua, companheiro. Portanto, vem vem vem, vem que tem, afinal já fiz muito por São Paulo e ainda tenho muito por fazer. Por isso eu preciso de você, afinal sou um democrata cristão. E olha lá hein, prefira o original porque o resto é cópia. Lembre-se: é tostão contra o milhão! E não se esqueça: corinthiano vota em corinthiano, entendeu? Mas isso você já sabe né, afinal São Paulo já sabe, são 110 AMAs, mas também o Leve Leite, o Fura Fila, o Aerotrem e tudo que puder fazer pra não deixar as vias congestionadas. Os corredores de ônibus? Dessa vez saem, junto com 65 km de metrô e expresso Tiradentes. Agora quero dizer que confio em você para que você confie em mim, porque vaga nas creches eu sei que não há. Mas não tem problema, afinal a mãe paulistana tá aí pra te ajudar. O CEU existe, imagina quando tiver conexão de internet para todo mundo e de graça? Eu me comprometo!

Sou vereador, já fui deputado, senador, ministro, jogador de futebol, lutador de boxe, cabelereiro e faxineiro. Vote em mim, vote nele e vote na nossa legenda. Mas vote! Afinal, preciso do seu voto para que, juntos, eu e você, possamos continuar nessa caminhada rumo a vitória! Vitória, vitória, vitória! E se você for da facul, vote no gluglu, tá certo?


(...)

O que você quer para seus próximos possíveis 4 anos? Não. Não pergunto o que o prefeito x ou y fez pelos pobres, pelos desempregados, pelos ricos, pelos empresários. O que o político fez por você? O que chega na sua casa de vantagens e desvantagens? O que aquele governante fez que mexeu diretamente com sua vida? E indiretamente? O que te atinge? O que te influencia?


O exercício de cidadania é inteiramente seu. Cabe a você seguir suas próprias convicções, vontades e anseios, estudando, analisando e avaliando as melhores propostas ou o que já foi feito. Ou simplesmente seguir as mais variadas opiniões de pessoas que também seguem as mais variadas opiniões.

Antes de votar na urna eletrônica, faça um voto de reflexão. Não deixe uma oportunidade assim escapar!

(...)

E se o Pitta não for um bom prefeito? Há, relaxa e goza, vagabundo!

Para vocês o meu muito obrigado e até amanhã.

6 de set de 2008

Nacionalismo e Futebol: A Relação de Duas Profundas Ideologias

Uma das maravilhas (do ponto de vista informativo, é claro) do mundo atual é a globalização e seus processos evolutivos. Fica evidente que estabelecemos contato com diversas culturas diariamente, independente do lugar do mundo onde estivermos. Tais processos evolutivos trazem a tona todos os dias um termo utilizado por Samuel P. Huntington em seu livro, cujo mesmo carrega o próprio termo no título: O Choque das Civilizações. De forma sucinta, a idéia deste choque está presente nas cenas do noticiário da noite: conflitos na Faixa de Gaza, a iminência de uma guerra entre Índia e Palestina, o recente alavancamento da crise entre Geórgia e Rússia, a afirmação de Kosovo como uma nação independente etc, ou seja, o Estado deixa de ter um papel exclusivo nos embates e a civilização começa a ser mais ativa (justificado pela ação dos mais variados grupos nos mais variados conflitos). As guerras da atualidade (e mesmo as antigas) sempre trouxeram uma disputa evidente: o embate entre ideologias diferentes, enfatizadas por um nacionalismo exarcebado. Mas a globalização citada no início deste texto também traz aos poucos uma teoria polêmica: o nacionalismo como conhecemos está chegando ao fim.

O choque de culturas, o qual convivemos diariamente, transforma a sociedade. E a globalização é a "culpada" por este fato. Sua evolução conforme os anos transformou, mesmo que indiretamente, o conceito de nacionalismo tão presente nos discursos políticos de outrora. Como isto se justifica? Basta observarmos um ponto bastante perceptível deste fato: as guerras dos séculos passados e, principalmente, as guerras mundiais do século XX exterminaram um absurdo número de pessoas, civis e soldados. Entretanto, boa parte dos conflitos armados atuais (por conta de avanços tecnológicos e ideológicos) não dizima civis aos montes como ocorria antes, tendo em vista que os alvos são muito mais perceptíveis em sua grande maioria. Os civis (deixo bem claro que não são todos, mas uma grande parte) passam por um processo de imigração obrigatória, ou seja, são forçados a se refugiar em outros países. Gostando ou não, os países que recebem os refugiados são obrigados a enquadrá-los em seu sistema, e os imigrantes passam a conviver com uma nova realidade, porém carregando consigo sua identidade cultural primária.

Evidente ou não, o fato é que a identidade nacional que se tinha anteriormente passa por um processo de adaptação ao enquadrar tantos indivíduos originais de outros territórios, de outras culturas. E o sentimento da pátria passa a se perder, ou então a se transformar, surgindo talvez o que podemos chamar de "nacionalismos" em um mesmo país ou mesmo "transnacionalismo". Eric Hobsbawn cita em seu texto "As Nações e O Nacionalismo no Novo Século" (presente no livro do mesmo autor "Globalização, Democracia e Terrorismo") : "[...] Como Benedict Anderson observou com acuidade, o documento crucial de identidade no século XXI não é a certidão de nascimento do Estado nacional, e sim o documento internacional de identidade - o passaporte ". E completa com questionamentos bastante pertinentes: "Qual é o significado dos direitos e obrigações de cidadania nos Estados em que uma proporção substancial dos seus habitantes [...] está ausente do território nacional ou em que uma proporção substancial dos residentes permanentes tem direitos inferiores aos dos cidadãos nacionais? Dada a escala dos movimentos, legais e clandestinos, qual é o efeito do declínio do poder do Estado para controlar o que acontece no seu território, ou mesmo - como a recente falta de confiabilidade dos censos nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha parece indicar - para saber quem nele reside?"

E onde entra o futebol neste tópico?

Pois bem. O futebol é, desde os anos 80, uma grande “empresa” que movimenta enormes quantias de dinheiro todos os dias, tudo por conta da atividade global televisiva, que fez com que este esporte se tornasse, de fato, um "complexo industrial capitalista de categoria mundial", como explicita Hobsbawn (cito a década de 80 porque é o período em que se iniciou o grande fluxo de jogadores contratados para jogar em clubes de outros países). A partir disso, podemos identificar dois tipos de identidade em um mesmo jogador: a local (do clube onde joga) e a nacional (representada pela seleção que o próprio representa). Entretanto, a identidade nacional do jogador é profundamente ofuscada pelos salários monstruosos e remunerações que recebe do clube onde atua, fazendo com que, muitas vezes, o atleta prefira atuar apenas no país em que está jogando do que na seleção que representa sua pátria (ou até mesmo faz com que as grandes empresas do futebol proíbam que o jogador atue na seleção, como praticam os grandes clubes europeus).

O atrativo monetário e a boa receptividade que os atletas recebem nos mais diversos clubes dos mais diversos países em que jogam, provocam, inclusive, que o jogador assuma uma segunda nacionalidade e que até jogue por uma nova seleção (como ocorre com jogadores brasileiros na Europa ou no Japão e, principalmente, como ocorre com jogadores africanos). As duas maiores conseqüências deste processo são: 1) a supervalorização e a manutenção do alto nível dos campeonatos europeus, principalmente; 2) o enfraquecimento dos clubes de países subdesenvolvidos, como ocorre com freqüência no Brasil e na Argentina, que passam a vender seus jogadores cada vez mais cedo para lucrarem durante as temporadas ou no intervalo das mesmas.

Todos estes fatores influenciam, e muito, no conceito original de "nacionalismo". Porém ainda existe um exemplo primordial da permanência do sentimento nacional dos jogadores de futebol: a Copa do Mundo. Este torneio provoca, principalmente nos países africanos e asiáticos, a ascensão de uma identidade nacional que vai além da localidade, religião, cultura, tribo etc. O sentimento pátrio é aflorado a cada 4 anos no torneio mundial. Isto se justifica objetivamente com uma frase de Eric Hobsbawn: "a comunidade de milhões aparece com mais realismo em um grupo de onze pessoas do mesmo país".

Para finalizar, é necessário citar outro ponto: a xenofobia. Os países desenvolvidos tendem a sofrer (ou a se vangloriar, dependendo do ponto de vista) com o crescente sentimento dos torcedores, primeiramente pelo clube, posteriormente pela seleção nacional. E é por isso que, por mais que se tente coibir, o "hooliganismo", os skin heads e as torcidas organizadas violentas jamais deixarão de existir.

Portanto, é provável que hoje seja necessário discutir nas escolas, nas rodas de conversa, no trabalho e em casa com a família o que significa "nação". Porém não por conta do sentimento, mas sim por conta da cidadania, esta que não pode perder suas funções originais, independente de onde morarmos. E o que significa cidadania? Bem, este é um outro assunto.

8 de ago de 2008

Pequim (Beijing) 2008: A Beleza de Uma Máscara Sobre Uma Realidade Nem Tão Bela Assim.

Como não poderia ser diferente, escrevo neste momento sobre o evento esportivo mais aguardado dos últimos anos: as olimpíadas da China. Mesmo quem não se importa muito com tais festividades, este evento chamou a atenção de todos, independente de idade, sexo, cor, credo ou classe social. Finalmente os chineses conseguiram mostrar pro mundo quem eles são agora (ou quem tentam ser), com uma beleza estrondosa em cada movimento apresentado no Estádio Nacional de Pequim, também conhecido como Ninho de Pássaro.

Um evento esportivo, o mesmo que acontece a cada quatro anos, que já ocorreu em Atenas, Sidney, Barcelona e que, talvez, muito em breve o veremos no Rio de Janeiro. O mesmo? De forma alguma. As olimpíadas, desta vez, não são apenas voltadas para o esporte. Desta vez serve como janela, para que todos nós possamos observar o que a China tornou-se nos últimos anos: de país atrasado no século XX, para uma superpotência no século XXI. Mas algo não está suficientemente claro, e é este ponto que quero discutir: os chineses querem chamar atenção por sua tremenda evolução, mas certos valores eles não largam e creio que nunca o farão. E isto fica cada vez mais explícito.

Os resquícios de uma forte ditadura comunista ainda permanecem. A mídia é extremamente censurada, provocando uma grande contradição no mundo, já que queremos conhece-los, mas não o podemos fazer com riqueza de detalhes. Estão nos manipulando, sem dúvida. Não quero ser apelativo, mas é isso que está acontecendo. Querem nos passar o que eles possuem de melhor, mas escondem-se por trás dessa máscara chamada de Olimpíadas.

Chamo a atenção agora para um aspecto fundamental para notarmos como realmente eles evoluíram e quebraram fortes barreiras: na ditadura de Mao Tse-Tung, o culto a beleza era proibido. Não poderiam existir flores, cores diversas. E isso era realmente vigiado para que não ocorresse. Hoje a China mostrou que vive num mar de rosas e em um grande arco-íris. Doce ilusão.

Na concepção do chinês atual, jamais houve em sua história um momento tão bom. Do ponto de vista deles, o fato de promoverem esta olimpíada é a maior vitória e um start em seu novo capítulo histórico: A Grande Potência do Século. Tecnologia, alegria, união, recepção, ansiedade, amizade, amor, evolução... Aspectos que observamos com muita notabilidade em uma abertura olímpica de nos deixar de queixos caídos. Descaso, censura, perseguição, guerras, mortes... Aspectos que se tornam secundários atrás de um fenômeno esportivo de proporções gigantescas. A China não é somente a grande potência emergente do século. É também a causadora do maior genocídio do mesmo. O local? Darfur, capital do Sudão. O governo chinês explora seu território, retira a matéria prima, petróleo e gás. Em troca, dão armas e financiam uma guerra sem precedentes, com um número cada vez mais crescente de mortes (estima-se que mais de 300 mil mortos). Um crime, sem sombra de dúvidas, que não é novidade. Todos os países sabem disso. E por que nada ocorre? Simples: a China é detentora de uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, podendo vetar qualquer intervenção militar na região e escapando de punições.

Não obstante, a situação do Tibet continua indefinida. Se não fosse o grande sistema de segurança e antimanifestos promovido pela polícia chinesa, seria muito fácil observar cartazes em toda a capital chinesa com os dizeres “FREE TIBET”. Ah, lembram-se de um terremoto violento que ocorreu no país? Incrível como ninguém mais se lembra, pelo menos não os chineses pró-olimpíadas. Nada, mas absolutamente nada poderá atrapalhar este fenômeno esportivo e político. Pelo menos é o que se espera no início destas Olimpíadas.

Tenho certeza que muito acontecerá. Este evento é apenas o início. Por ora, abram alas que os chineses querem passar.

4 de ago de 2008

Brasil: Um País de Todos?

" O meu pai era paulista. Meu avô, pernambucano. O meu bisavô, mineiro. Meu tataravô, baiano. Meu maestro soberano foi Antônio Brasileiro ". Assim canta Chico Buarque na música "Paratodos". Mas afinal, com tantas diferenças, o que nos torna iguais? O que nos torna diferentes? Em que parecemos? O que e quem somos?

Resolvi escrever acerca deste tema após ter uma breve conversa com uma amiga carioca, esta que o tempo todo rasgava elogios sobre sua "Cidade Maravilhosa" e eu, em contrapartida, defendia e criticava minha cidade, na Grande São Paulo e a própria capital paulista. Observei, principalmente, um excesso de prepotência em todas as colocações que esta minha amiga realizava e, ao mesmo tempo, percebi o quanto não é somente ela que é assim. Normalmente os moradores das capitais do Brasil e demais cidades costumam agir desta maneira, amando a cidade onde vivem e falando mal das demais capitais e seus arredores. Creio não ser um preconceito existente apenas em nosso país. É, talvez, algo que existe e que jamais se extinguirá.

Aquele homem que atravessa a rua pode muito bem dizer que seu pai é paulista, sua mãe mineira e seu avô pernambucano. Aquela senhora pode dizer que é filha de pais cariocas, vindos de uma família exclusivamente do Rio de Janeiro. O jovem alí fazendo compras pode querer vangloriar-se de ter uma genuína ascendência européia e carregar no sobrenome o que restou dela. Enfim, o Brasil é formado por diferentes pessoas, diferentes localidades, diferentes costumes... Tudo é diferente. E talvez por não conseguir conviver com tantas diferenças, o brasileiro acostumou-se a não se tornar algo novo, e resolveu gerar barreiras para segregar ainda mais este país. Historicamente houveram várias tentativas de emancipações regionais (ideologias estas que ainda existem, por mais que não sejam tão expressivas). Há quem diga, inclusive, que o país seria melhor se não fosse tão grande. Não discuto isso. Existe sim uma verdade nesta afirmação, mas como é algo que, nos dias de hoje, não é cabível de se colocar em prática, temos que analisar nossa situação como um todo.

Enfrentamos diariamente problemas, estes que são decorrentes de uma economia que historicamente sempre viveu altos e baixos. Também lutamos contra falhas do sistema político, resquício de ideologias sempre tão diferentes e inovadoras, que acabam sendo sempre farinha do mesmo saco. Mas vivemos.

Caminhamos a passos curtos. Porém enfrentamos algo que nunca pensamos: quem somos nós? Qual é a identidade deste país? O que é ser, afinal, brasileiro?

Queremos o tempo todo estar no topo. Queremos ser que nem os europeus. Não, europeus não porque fomos colonizados pelos portugueses e este foi nosso maior problema. Sejamos então como os americanos! Que? Não não, ser que nem os americanos não, eles são maus, Bush é um terrorista, estes sim são os prepotentes. Enfim, sejamos então como os chineses! E viver em um país não-democrático, que censura a mídia?

Queremos ser quem então? O tempo todo tentamos imitar tendências, mas nunca criamos a nossa. Ah não, criamos sim! Temos o melhor futebol do mundo, as mulheres mais bonitas, o carnaval, o jeitinho brasileiro e o Cristo Redentor!

Que é isso? Isso nos faz melhores do que os outros? Pelé é melhor que Maradona! E isso gera a mais estúpida rivalidade, entre brasileiros e argentinos. Nações que deveriam ser irmãs e que em toda casa brasileira existe um ser que diz que argentino é raça inferior e todo o velho bla bla bla que já conhecemos.

No Rio de Janeiro tem muita violência. Tem sim senhor. Mas tem no país inteiro? Tem sim senhor. Os brasileiros costumam apontar os erros dos vizinhos, mas dificilmente param e olham para si mesmo.

Estamos bem longe de sermos um país de ótimo IDH e alto nível econômico. Realmente caminhamos a passos curtos e, para piorar, persistimos em falar mal de tudo: do país, dos outros países, dos moradores dos outros estados, dos adversários do futebol, etc. O Brasil quer ser alguém, mas primeiro precisa ser. O que é ser brasileiro, antes de ser paulista, carioca, gaúcho, baiano, goiano? O Brasil precisa ser apenas um Pão de Açúcar, um jogador de futebol, uma mulher que dança funk, uma escola de samba? Podemos ser muito mais que isso, e espero viver para ver que um dia estes itens tornaram-se nossos adicionais, e não nossa identidade.

Ah, que fim levou a conversa com minha amiga carioca? Depois de tantas críticas um ao outro, resolvi concluir, dizendo que para ser uma verdadeira internacionalista (e para, principalmente, ser um cidadão brasileiro) é necessário primeiro odiar o Brasil, para depois aprender a amá-lo.

E eu realmente acredito nisto.

18 de jul de 2008

Aquilo que fazemos para nos tornarmos quem realmente somos...

Vivemos a todos os instantes momentos de escolha. Momentos os quais às vezes refletimos para realizarmos a melhor escolha, ou simplesmente não ligamos muito e escolhemos o mais fácil (a tão famosa "lei do mínimo esforço"). Neste dinamismo global em que vivemos, muito do que poderiamos analisar com mais frieza é feito de "bate-pronto" e muitas vezes a vida passa pelos nossos olhos e nem sequer percebemos.

Infelizmente as coisas são assim. E não estou reclamando. É a forma que nos adaptamos a viver, caso contrário não iriamos conseguir progredir. Mas já pararam para pensar o quanto todas as nossas escolhas passadas influenciaram no que somos hoje?

Sofrer faz parte da vida, exatamente porque é um grande aprendizado. Não quero chamar atenção a este tamanho clichê, mas quero enfatizar que isto realmente é válido. Cada um de nós sabe exatamente a dor que já sentiu em algum momento da vida, ou saberá o que é dor quando sentí-la. Muitas vezes nos apaixonamos perdidamente e achamos que aquela pessoa É a pessoa certa, o amor eterno. Tropeçamos, caímos, sofremos. Demora, mas um dia percebemos o quanto o amor pode cegar e aprendemos a não ser tão desta maneira da próxima vez que um amor bater a nossa porta.

Muitas vezes cometemos erros com nossos semelhantes, dos quais em um primeiro momento não percebemos. Muitas vezes, pela felicidade própria, sacrificamos a dos outros sem querer. Mas o mais importante é que um dia a ficha cai e percebemos o quanto erramos. Ou muitas vezes o quanto acertamos!

Percebem como existe uma forte contradição? Ser feliz ou fazer alguém feliz? Correr atrás de algum bem maior ou desistir pelo bem de outrém?

Como diria Shakespeare, muitas vezes desistimos da felicidade pelo simples medo de tentar. E tantas vezes que falamos mais do que fazemos. E tantas vezes que fazemos muito e pensamos pouco.

O passado. O presente. O futuro. E agora?

O agora é nunca, e como tal, viva.


(Dedico este post a uma pessoa que amo do fundo do coração e que faz tanta falta. Irmão Querido, espero que jamais se esqueça do teu abrigo e de quem o habita. Esperamos e torcemos por ti. E saiba que aqui há sempre o seu lugar, mesmo sendo do jeito que é. Mas tem saúde, e é isso que importa! Forte abraço!)

4 de jul de 2008

O Dia Em Que Deixamos de Viver...

Três de Julho de Dois Mil e Oito. Já não tenho forças pra muita coisa. Tento abrir portas, puxar gavetas. Nada. Minhas energias estão indo embora. Tenho raiva. Debruço no meu canto, deito em minha cama a espera de uma única esperança. Inquieto, folheio uma revista sem um pingo de atenção ao que leio. Novamente volto a minha posição original. Cruzo os dedos, faço uma oração. Nada. Raios! Será que fiz algo de errado? Volto a ter esperanças. Penso ter seguido um caminho incorreto, talvez uma informação mal colocada. Refaço todos os meus passos, até mesmo do início. Agora vai? Não, não vai. Droga, acho que vou dormir. Ou melhor, vou ver tv. Impossível. A agonia já tomou conta de mim. Que angústia! Depressivo, o sol da manhã havia sido substituído por nuvens escuras. Está frio. No rádio só toca Brian Adams, Aerosmith, White Snake... A garganta arranha pedindo uma gota de álcool para acompanhar o momento. Quero estar só, não quero falar com ninguém. Quem sabe se eu deitar uns instantes minhas forças voltam.


5 minutos? Nada.


10 minutos? Nada.


5 horas? Nada ainda.


Será o fim? Ontem mesmo eu já dava sinais de que não iria suportar, sabia que algo estava errado. Mas hoje, o dia inteiro... Não, já é demais. Talvez um telefonema! Sim, é isso!


Alô? Como? Já sou o relator de problemas n° 5 milhões, novecentos e cinco mil e um? Não é possível. O problema que era só meu agora é de todos. Como? Não... Mas é que... Hum, está certo! Tudo bem, obrigado.


Tomo um banho para relaxar. Agora acredito que tive sorte, esse banho certamente vai me ajudar. E então? Nada.


Afinal, quanto ainda poderei aguardar?


Afinal, há vida durante uma falha no sistema de um grande provedor de internet?


Quem aí morreu nesse dia?

13 de jun de 2008

Quando não sabemos em qual dia estamos (ou a qual pertencemos)...

Dia 12 de Junho. Engraçado como eu resolvi postar apenas no dia 13. Sexta-feira 13, dia de reflexões, dia da família, dia de paz, amor, harmonia... Sim, caro leitor, você não leu errado. É estranho, eu sei, mas quer dizer então que quando passa o Dia dos Namorados você se esquece que ama a pessoa amada no dia 13 seguinte e nos próximos dias?

Já presenteou sua (seu) namorada(o)? Não? Pois esqueça as preocupações, você pode presentear outro dia. Natal, por exemplo. Ninguém nasceu nesse dia, logo é uma perfeita oportunidade para comprar uma lembrança para seus entes queridos. As lojas estão sempre lotadas, oferecendo produtos a preços módicos, com 55 suaves prestações, sem juros, o que é melhor ainda! Com certeza você poderá comprar aquele celular que ela estava de olho, ou aquele aparelho de dvd multifuncional que ele desejava. Caso nenhuma das opções agrade, ainda restam as flores e os cartões perfumados, mas isso fica pra depois. Fazer o próprio presente nem pensar! Artesanato, escrever, pintar... Nossa, pensar nisso já provoca certos arrepios.

É realmente bom ganhar presentes nos dias felizes da vida. É exatamente como segue o diálogo:

- Puxa, obrigado filhão, era exatamente o relógio que eu queria!

- De nada pai. Parabéns pelo seu dia.

Seu dia? Vamos fazer o seguinte no Dia dos Pais: escolha 364 dias do ano pra você, filho, e para seu pai escolha um só. Ele fará o mesmo, afinal Dia das Crianças é apenas um, o que naturalmente não deveria existir já que Nossa Senhora Aparecida jamais fora exclusivamente padroeira dos indivíduos com menos de doze anos de idade.

Quantos de nós dizemos “eu te amo, pai”, “eu te amo, mãe”, “eu te amo, irmã (o)”, “meu amor, eu te amo!” ? Tudo bem, ainda restam todos os outros dias do ano. Mas por que deixar de demonstrar o que sentimos nestas datas tão especiais? Ah não, esqueci! O perfume que ganhei já vem escrito no verso da embalagem

Ingredients: Alcohol denat., Aqua (Water), Parfum (Fragrance), Linalool, Limonene, C.I. 42090 (Blue 1), TE AMO MUITO MEU AMOR, Geraniol, Carboxaldehyde...

O que quero dizer com tudo isso? Simples: o presente material é maravilhoso, mas melhor ainda é quando ele é acompanhado de um presente sentimental e carinhoso. Vamos deixar de ser materialistas algumas vezes. Sei que a vida que levamos hoje não permite que tenhamos atitudes imateriais, mas jamais devemos esquecer o que carregam todos esses presentes: o carinho, o amor, a amizade.

Os últimos românticos ainda existem. Caprichem, então, na maneira de presentear a quem se ama. Mas não faça isso apenas no dia 12 de Junho. Todo dia é o dia do amor, dia dos namorados, dia dos pais, das mães, etc.

E se você, caro(a) leitor(a), não possuir namorada (o), amizades coloridas, companhias e afins nos mais infinitos Dias destinados ao amor, não se sinta mal. Quem disse que 12 de Junho é dia deles, e não de vocês? Vá ver um filme, vá ler um livro, destine esse dia para cozinhar, limpar o guarda-roupas, jogar video-game, sair com os amigos... O dia é seu também, quero ver quem vai te proibir! Músicas que falam de romance estão aí todos os dias, filmes românticos estão presentes em nossas vidas há muito tempo, não há porque descontar a raiva nestes itens tão simples. E se um carro de Loucuras de Amor parar na porta do seu vizinho, aplauda quando tiver que aplaudir, se omita quando tiver que se omitir mas, mais do que isso, dê risada porque você não foi vítima de tamanha crueldade!

Como já diria nosso amigo Gandhi: "Um covarde é incapaz de demonstrar amor; Isso é privilégio dos corajosos" ... E ele disse isso há um tempo, infelizmente este mesmo tempo enfraqueceu sua frase. Mas o significado está aí, podendo ser interpretado das mais variadas formas.

Apenas não vá pular de bungee jump ou paraquédas, a menos que você seja um perito na área.

Para os mais tradicionais, um "eu te amo" já está de bom tamanho!

E fiquem calmos: se Jason aparecer no dia de hoje com flores à sua porta, fique feliz! Pode ser um amor perdido, ou apenas um doido varrido.

6 de jun de 2008

Quando nos tornamos coadjuvantes de nós mesmos...

A vida é assim. Ela passa pelos nossos olhos de tal forma que nem percebemos. Ela é dura, ela é sofrida. Mas ela é vivida, o que a torna intensa e passível de valer a pena viver. Tantos que vivem de forma precária, tantos que dificilmente possuem o que comer. Mas são estes tantos que lutam a cada dia. Estes sim devem viver de verdade. Afinal, quem de nós sabe o que significa viver?

Acordo cedo. O sol nem nasceu e eu já estou pronto para sair de casa. Tomo meu café diário e vejo na televisão as notícias que estarão estampadas em todas as capas de jornais. Vejo na televisão cenas alegres e tristes, em uma manhã igual aquela de ontem e anteontem. Pego meu transporte de todos os dias e atravesso a cidade em busca de meus objetivos. Vejo pintadas de cinza-concreto as imagens da cidade umas vezes mais movimentada, outras vezes mais caótica, mas sempre igual. Todo dia eu faço tudo sempre igual, não é somente ela que acorda na canção e o faz também. Não somos únicos, todos nós acordamos e seguimos a nossa rotina, que nos faz ser quem somos. Entretanto não creio que todos sabem a dor e a delícia de ser o que é, afinal nem todos sabem o quanto pode valer a pena lutar pela vida e faze-la valer a pena. Nem todos sabem o valor da vida. Que desperdício!

O que faz você feliz? Seja o pão com manteiga, seja a alegria de um bom dia. Quantos de nós já paramos pra pensar nesta simples pergunta? Muitas vezes seguimos uma rotina tão intensa que esquecemos de nós mesmos. O mundo em que vivemos não permite que tenhamos uma tal liberdade de viver, afinal vivemos sempre seguindo a canção. Caminhamos e cantamos conforme a música. Trabalhamos, estudamos e damos o máximo de nós mesmos para conseguir uma boa vida ou atingir este objetivo. Chegamos em casa exaustos e o que mais queremos é um banho quente, um jantar e uma cama confortável. Acordamos na manhã seguinte e vemos as notícias que serão publicadas com a mesma atenção dos dias anteriores. Mas quantos de nós realmente nos envolvemos com isso? Afinal, quantos de nós elegemos aquele governante que, de fato, atende nossas necessidades? É hora de esquecer a vontade coletiva. Somos únicos, somos especiais, somos quem somos porque assim nascemos e assim devemos viver.

A vida é assim. Lutamos cada vez mais para que ela melhore. Fácil não é. Mas lutamos. A vida é valiosa demais para deixarmos que ela passe pelos nossos olhos. O ator principal dessa vida sou eu, não quero ser coadjuvante e passar quase que desapercebido. Quero fazer acontecer. E não quero que essa vontade se encerre em mim. Quero que as próximas gerações também o façam, que vivam da melhor maneira possível. Justamente, honrosamente, alegremente e, principalmente, com muito esforço e coragem. Coragem de escolher, coragem de lutar, coragem de reclamar.

Apenas não quero dizer futuramente que no meu tempo as coisas eram diferentes. No meu tempo não existe... Meu tempo é agora. Prazer vida, é hora de viver.

13 de mai de 2008

Quando um ato se faz mais forte

"Um pensamento ecoa pelo mundo através dos tempos. Uma atitude ecoa pelos vales em algumas horas", já dizia um filósofo à sua comunidade. De fato ele tinha seus motivos ao dizer isto, mas uma coisa é certa: ele fez os seus ouvintes compreenderem. Seu ato ecoou na mente das pessoas, e assim nasceu a solidariedade.

Escrever em uma folha de papel é simples para quem possui o dom da escrita. Um rei, um presidente, um advogado, um vizinho, nossos familiares... Todos estes (e uma porção de outros) podem registrar suas idéias e vontades, mas nem todos são capazes de realizar as mesmas. Pensadores existem aos montes, mas os ativistas são poucos. Uma pena, já que estes são verdadeiros guerreiros. Quem está sentindo fome ou frio nos dias de hoje não carece de idéias, mas sim de ajuda, esta que falta e se faz necessária para termos um mundo um pouco mais justo.

Justiça seja feita aos ativistas. A verdadeira política do "fala pouco, mas faz muito" se faz presente, e vamos torcer para que aumente este número de pessoas capazes de ser solidárias e realizar algo por seu semelhante. Não, não vamos torcer. Vamos fazer alguma coisa, e aí quem sabe registraremos os nossos feitos, ao invés de simples pensamentos.

22 de abr de 2008

Quando precisamos de heróis...

“ Eu nem acredito que aquele garoto que ia mudar o mundo freqüenta, agora, as festas do Grand Monde. Meus heróis morreram de overdose e os meus inimigos estão no poder “, já dizia Cazuza, outrora astro do rock brasileiro, um mito inesquecível. Talvez mal sabia ele o quanto inspirou jovens de todo o país. Inspiração, aí está um termo motivador.

Em um dicionário qualquer, diz-se que herói é aquele descendente de semideuses, ou que é o protagonista de alguma aventura. Gosto de acreditar que heróis assim eram válidos quando éramos crianças, quando o máximo de heroísmo real encontrado eram nossos pais, mas muitas vezes não nos dávamos conta disso. Porém o dicionário também diz que herói é todo homem que se distingue por coragem. De fato, ser herói é ser corajoso. Mas muito mais do que isso, ser herói é motivar, é inspirar, é unir, é fortalecer. E isso a história soube mostrar muito bem.

Certa vez fui alvo de críticas ferozes na época de colégio, quando afirmei pontualmente que Adolf Hitler foi um dos maiores heróis de todos os tempos. Destaco os objetivos alcançados e todo o movimento criado, ao invés de ficar discutindo valores morais e atos desumanos. Seria muita hipocrisia de minha parte não levar em consideração todo o mal que este causou, porém é um fato irrelevante quando discutimos suas realizações. Ora, a Alemanha no período entre guerras sofreu absurdamente, já que havia perdido a Primeira Guerra Mundial e os países vencedores lhe fizeram várias imposições. Eis que surge um homem de bigode, afirmando a necessidade de tornar a Alemanha uma unidade, e que todos os alemães deveriam ter orgulho de serem o que são. Surgiu, então, o sentimento nacional, carregado por este homem e que todos os alemães puros poderiam vê-lo em cima de um pedestal, no mais alto nível. Surgia, então, um dos maiores heróis do século XX, levantando uma Alemanha pobre e sem esperança, tornando-a forte, poderosa e com seus cidadãos podendo, mais uma vez, sonhar.

Cada um de nós tem em mente o que é ser herói, como também creio que cada um de nós possui um herói ou sonha encontra-lo. Vejo, por exemplo, quando um homem comum consegue prender um assaltante e recuperar os itens furtados do assaltado. Também acredito que uma mãe que consegue salvar seu filho é uma verdadeira heroína. Entre outros casos particulares. Porém se tentarmos enxergar verdadeiros heróis em âmbito nacional, veremos que alguns deram certo. E é com base nisso que nesta semana os paraguaios elegeram Fernando Lugo para presidente. Não, não estou dizendo que ele é um herói. Apenas afirmo que ele poderá tornar-se um, trazendo a tona um sentimento nacional que se perdeu com tantos anos de miséria e corrupção em um país que poderia ter se tornado a “Suíça Latino-americana”. Cada caso é um caso, de fato. Mas por que não acreditar? Aquele que é herói para mim, pode não ser herói para meu vizinho ou para aquela senhora que mora no final da rua. Mas tenho certeza que se um já aceita-lo como herói, já o basta.

Acho que quando temos um herói, temos orgulho de viver um pouco mais, acreditando que um dia tudo pode ser diferente. Nós, brasileiros, não temos em quem nos espelhar. Temos um presidente que trabalha de acordo com suas convicções, realizando um trabalho satisfatório para uns, e insatisfatório para outros. Mas é complicado para nós que compomos a juventude não ter alguém na liderança que podemos nos espelhar, alguém que lute por essa afirmação nacional que tanto nos falta. A propósito, neste final de semana foi o Dia do Índio, hoje deveriamos comemorar 508 anos de colonização dos portugueses. Não sei se lembrei, se você lembrou ou se algum brasileiro lembrou. Espero pelo dia em que todos iremos dar valor ao que realmente somos, ao que realmente representa ser brasileiro, ao invés de ficar dizendo que vivemos em um país péssimo ou que sempre damos aquele jeitinho brasileiro. Minimamente triste.

“Felizes daqueles que possuem heróis. Infelizes daqueles que PRECISAM de heróis”.

Vamos continuar sonhando, afinal não custa nada. E nenhum herói cobra por seus serviços. Ou pelo menos não deveria.

7 de abr de 2008

Quando nos esquecemos do que realmente vale a pena..

Primeiramente inicio o post de hoje pedindo desculpas por demorar a atualizar este blog. Ocupações não permitiram que eu o fizesse, por isso exclusivamente hoje (em plena segunda-feira) estou postando. E não escrevo aqui por mera vontade de atualizar. Escrevo porque vejo a necessidade de expor um pensamento que carrego comigo há alguns dias.

“É proibido pedir esmolas dentro do metrô! Não colabore com esta prática.”. Esta era a mensagem que ecoava pelos vagões do meu meio de transporte diário em pleno início de tarde, um pouco depois da hora do almoço. Ironicamente ao término da mensagem, duas crianças entraram no vagão em que eu estava. Vestiam-se mal, estavam sujas. Logicamente elas não estavam ali porque se preparavam para fazer compras na Av. Paulista. Estavam ali porque estavam trabalhando. Este tipo de pensamento era o que provavelmente todos os presentes estavam tendo. Alguns olhavam com desconfiança, outros com desprezo. E um grupo menor de pessoas as olhava com um certo sentimento de tristeza, e eu era um destes.

Não, eu não sei simplesmente fingir que não vejo duas crianças pedindo dinheiro para comprar alimento para sua família (era o que dizia em um dos bilhetes que me entregaram). Resolvi dar-lhes algumas moedas, e assim fizeram outros passageiros daquele vagão. Senti-me na obrigação de perguntar aos dois meninos o que iriam fazer com aquele dinheiro, já que não podemos descartar o fato de que estavam pedindo dinheiro possivelmente para alguma pessoa de mais idade que acredita que usar a imagem de duas crianças vai conseguir sensibilizar um número maior de pessoas, ao invés de ela mesma ir pedir o dinheiro que necessita. Mas não perguntei nada.

O metrô parou na estação seguinte, e as crianças desceram. Rapidamente juntaram as moedas que haviam conseguido em uma sacola plástica e logo subiram no vagão seguinte para repetir o ato. Fiquei admirado. Elas poderiam estar fazendo aquilo há horas, e possivelmente fariam o dia inteiro. Minha mente resolveu agir de forma ingênua naquele momento, acreditando fielmente que os meninos estavam conseguindo dinheiro para colocar alimento na mesa de sua família ou deles mesmos. De fato pouco importava o destino de seu dinheiro, por mais que eu gostaria muito de ter-lhes perguntado. Mas muito me surpreendeu a força de vontade dos dois. Obedecendo a ordens ou não. Seguindo seu intuito ou não. Agindo de forma errada ou não... Eles estavam chamando a responsabilidade para si e fazendo o que lhes é mais “permitido”, já que não podem trabalhar pela falta de idade.

Realmente espero que o dinheiro que lhes dei tenha sido de bom uso. Certamente que eu iria preferir pagar-lhes um almoço e vê-los bem alimentados. Mas o preço de nossas convicções é alto demais, portanto dificilmente algum de nós, brasileiros trabalhadores, teria a coragem de fazer isso. E caso as minhas poucas moedas tenham um destino que aos meus olhos seja errado, sinto me culpado por ter colaborado com a prática ilegal dentro do metrô.

Mas o que de fato podemos fazer? Assistir a cena e fingir que não é conosco? Reprimir-lhes por estarem fazendo este ato? Mas ora essa, o preço de nossas convicções é alto demais, e é mais fácil jogar a moeda na mão das crianças, do que jogar a elas uma idéia sensata. A lei do mínimo esforço se faz presente, e temos sempre dois caminhos a seguir: lutar pelo que realmente queremos, independente das pedras que encontrarmos pelo caminho, ou cortar caminho pela trilha do meio e pular etapas. A segunda opção sempre é mais válida para quem tem pressa de alcançar algum objetivo.

Entretanto as etapas que poderemos passar escolhendo o caminho da luta poderão nos tornar indivíduos mais bem formados, muito mais capazes. Vejo meu país numa luta constante de entrar para o Conselho de Segurança da ONU, chamando a atenção do mundo para seus incríveis atos internacionais, mediações de conflitos no Haiti, a auto-afirmação de que a Amazônia é nossa, o papel de liderança do Mercosul... Atos resumidos na lei do mínimo esforço. Sofremos diariamente com a falta de segurança. Sofremos com a dengue. Sofremos junto com uma mãe que perde a filha em um ato de total covardia e falta de sensibilidade, ato desumano.

Sofremos com os meninos que entram no nosso metrô todos os dias para pedir esmola... Sofremos? Amanhã é terça-feira, quarta-feira tem jogo de futebol. E o governo acaba de anunciar o corte do orçamento por conta da não aprovação da CPMF.

Que país é esse afinal, que aqulo que acontece hoje é ofuscado pela manhã seguinte?

Apenas espero que um dia todos tenhamos a consciência de fazer valer a pena, de valorizar aquilo que realmente é certo.

Quem sabe um dia...

22 de mar de 2008

Quando o feriado religioso nos faz pensar sobre tudo, exceto sobre religião.

Sexta-feira Santa se foi. E com ela, todos (ou a maioria) de sentimentos relativos a este dia sumiram. E já que vivemos em uma sociedade repleta de valores, aproveitamos para viajar e comprar bastante. Como bom morador do estado de São Paulo, não resta muitas opções a não ser ir a praia curtir o início de Outono e, é claro, saborear um ovo de páscoa. Porém resolvi fazer diferente este ano.

Aproveitei-me do possível vazio de um shopping para ir ao cinema. Logicamente o shopping não estava vazio, mas havia muitas opções de filmes para assistir. Entre concorrentes ao Oscar, decidi pelo novo documentário de Michael Moore: “Sicko – SOS Saúde”. Um tiro no escuro talvez, mas vale ressaltar suas obras anteriores, tais como “Tiros em Columbine” ou “Farenheit 9/11”. Sessão escolhida, vamos nós.

Com um início chocante, pouco a pouco o filme revela a realidade do sistema de saúde norte-americano, sistema este bastante falho, o que nos deixa perplexos, já que temos o costume de acreditar que no hemisfério norte tudo vai muito bem, obrigado. Visando o lucro excessivo, seguros-saúde rejeitam diversos casos de urgência para ter que evitar gastar tanto com cirurgias e outros tratamentos. Cidadãos morrem enfrentando filas nos hospitais em um país que segue no topo das potências mundiais. Michael Moore resolve, então, conhecer outros países para analisar se nestes ocorre o mesmo. No Canadá, na França... Países do chamado “Primeiro Mundo” fazem valer seu título e dão a melhor assistência de saúde para todos os seus cidadãos e mesmo àqueles que lá chegam sem nada e necessitando auxílio médico. Eterno inimigo americano, Cuba faz melhor: recebe de braços abertos os bombeiros que salvaram vidas no 11/9 mas que não obtiveram cuidados médicos descentes em seu país.

Assistam ao filme porque tenho certeza que todos saíram da sala de cinema espantados com essa realidade. Certamente que o diretor do filme está o tempo inteiro criticando os Estados Unidos, com demasia ou não. Mas do ponto de vista realista, o filme mostra que não são somente nas Guerras que nossos vizinhos lá de cima falham: o mesmo acontece com a maneira que tratam seus próprios cidadãos.

Notaram a breve semelhança? Pois é. Ironicamente (ou não) passamos por situações parecidas. Talvez não por adotarmos um sistema nacional de saúde eficaz, mas por simplesmente nosso país dar valor a questões muitas vezes de interesse governamental, ao invés de ser de interesse do povo. O Brasil trava uma luta constante para se afirmar no cenário internacional, sendo apontado como um dos países mais promissores em desenvolvimento. Os anseios são vários, e as vantagens também. Mas e nós, pobres mortais, que primeiro nos importamos com a vida que levamos dentro de nossas residências, para depois compreender o que se passa lá fora? Nosso país segue sem fazer sua lição de casa.

Como o Brasil deseja ser internacional, se nem ao menos consegue ser nacional? E não digo isto apenas por termos um sistema falho de saúde. Chamo a atenção para a falta de segurança, educação, transporte e tantos outros problemas crônicos de nosso país. Não, não sou nacionalista. Gosto apenas de salientar que como bom brasileiro que sou, gostaria de ver meu país numa ótima posição internacional, posição esta que possa se refletir internamente, com a melhoria na qualidade de vida de seu povo, ao invés de caminhar pela trilha dos Estados Unidos, que mostram para o mundo quem são, mas que esquecem do próprio quintal.

Seria errado de minha parte se eu dissesse que nada mudou. Mas seria mais errado se eu dissesse que tudo está maravilhoso. Cada um de nós sabe bem que o Brasil caminha a passos lentos. E esperamos que esses passos não atrapalhem o futuro que espelha essa grandeza de terra mãe gentil, pátria amada.

15 de mar de 2008

Quando o problema não é nosso..


Esse blog que escrevo é talvez uma tentativa de trazer à tona pensamentos que normalmente guardo pra mim e, quem sabe, fazer com que o silêncio de quem está lendo estas palavras no momento seja um silêncio pensante.

Quando ando pela rua, quando pego meu ônibus diário ou simplesmente quando estou em casa, penso nas coisas mais simples, e o que era normal torna-se mais complexo. Como assim? Simples. Quem nunca viu o jornal da tv e pensou: “Isso poderia ter acontecido comigo ou com algum conhecido meu!” ? Ou então que lê alguma notícia no jornal e pensa: “Mas e se fosse de outro jeito? Eu com certeza não teria feito assim.”... Enfim, o cotidiano nosso torna-se rotina quando vemos as coisas acontecendo e nem sequer tentamos intervir com nossas idéias, estas que guardamos pra nós mesmos como se guarda uma velha meia na última gaveta do armário. Não, não estou dizendo que devemos causar a revolução e brigar com o padeiro que nos vende o pão de toda manhã, dizendo que o pão deveria estar mais saboroso. Apenas sou convicto de que a vida passa pelos nossos olhos como um raio, e detesto acreditar que ela é muito curta, e que amanhã pode ser diferente.

Eu quero que seja diferente hoje.

E é por isso que escrevo. Penso nas coisas e o meu silêncio diz muito. Mas e se eu pudesse traduzir algum silêncio em palavras? Certeza que o grito do meu silêncio seria muito mais forte com meu fraseado.

Vocês devem estar pensando: “Ora essa, ele falou, falou e não disse nada. Que diabos de título de post é esse?”
Pois bem, eu e meus pensamentos...

Quando acordo de manhã para viver minha rotina diária, costumo assistir o noticiário. E é incrível que quanto mais o assisto, mais percebo que a notícia que vi ontem, é a mesma de hoje e tenho quase certeza de que será a mesma na manhã seguinte. Como sei disso? Nas últimas semanas São Paulo registrou os maiores recordes de congestionamento. Em um dia constatou-se um recorde. No dia seguinte o recorde foi quebrado. E no dia subseqüente também. Ou seja, que trânsito caótico! Mas e daí, eu num dirijo. Problema de quem dirige, certo? Errado.

Estava eu no meu ônibus diário, e o sono estava me deixando extremamente derrubado. Ouvindo músicas no mp3, lá estava eu sentado no ônibus que estava parado no semáforo, logo ao lado do mercado. Sem querer fechei os olhos e peguei no sono. Mas quando no meu fone de ouvido de Enya trocou para Monobloco, não há cansaço que resista e logo acordei. Mas ora, lá estava o mesmo sinal trocando de cor, e o mercado estava logo atrás de mim. Três minutos se passaram desde o momento que havia pregado os olhos e eu estava na frente do mesmo estabelecimento, e como piada, estava praticamente no mesmo lugar.

O trânsito infernal daquele dia estava quase como um pesadelo. Pra mim nem tanto, afinal ainda tinha muito tempo até o horário das minhas aulas na faculdade. Mas e para quem precisava chegar no trabalho com urgência? E se o atraso fosse crucial pra determinar se tal pessoa iria ou não seguir no tão necessitado emprego? Às vezes isso é fácil de pensar: brasileiro, povo trabalhador. Mas esse dia parece que foi um aviso de que algo não estava certo.

O ônibus que estava logo na frente de repente parou e atrasou mais ainda aquela fila de carros. A buzina de cada veículo formava uma melodia incrível, e eu já estava quase trocando uma marchinha de carnaval por aquilo. Mas para a surpresa de todos, a porta do ônibus se abre e dois homens descem carregando um senhor aparentemente desacordado. Ao deitá-lo na calçada, mais pessoas descem, algumas senhoras desesperadas, e o motorista mais ainda. Meio sem jeito, o cobrador tenta numa manobra desafiadora acordar o sujeito, mas sem muito sucesso. Todos ficaram assustados com a cena. O que houve com aquele homem eu num sei, e acho que ninguém dentro do veículo que eu estava ou de qualquer outro veículo sabe.

Pena que não existia um médico ou alguém capacitado para socorrer corretamente a pessoa desmaiada. Se todo ônibus tivesse um banco com uma placa escrita “Dr. Fulano de Tal, Especialista em tal coisa”, certeza que casos como esse poderiam ser evitados perfeitamente. Mas acho que perfeito seria se o trânsito fluísse bem, de forma que a ambulância pudesse chegar a tempo, e eu realmente torço para que tenha dado tempo.

Problema crônico da capital paulistana. Engarrafamentos fazem parte da Terra da Garoa. E o mais curioso é que desde que nasci, São Paulo é conhecida como a cidade que não pára. Acho que quem disse isso deve estar foragido agora.

Bom, fatos como este que contei podem ser cotidianos. Ora essa, um raio num cai duas vezes no mesmo lugar, eu sei. Também tenho certeza que são coisas que acontecem. Mas quem é que pode garantir que o trânsito daquele dia não atrasou o resgate daquele sujeito? A ambulância num criou asas pra chegar lá, e sei que não havia hospital por perto. O problema realmente não foi de ninguém que estava assistindo aquela cena preocupante, mas daquele senhor foi, dos que o socorreram foi e de sua família também. Coincidência, normalidade... Aquele dia não foi um dia normal para muitos. E para outros foi só um dia a mais.

O pouco que já vivi me mostra que não se precisa viver muito para entender que acordar no dia seguinte é uma luta. A luta de realizar tudo sempre igual, o combate rotineiro de enxergar as coisas mas achar que nunca vai acontecer conosco ou com nossos semelhantes.

Ah, o trânsito bateu novo recorde no dia seguinte. E no dia seguinte ninguém sabia o que houve com aquele homem, mas sabiam que iria chover de tarde.