22 de nov de 2008

Meio Ambiente – O Slogan das Empresas, O Discurso dos Governos.

Nota-se a importância do meio ambiente pela sua magnitude - grandes catástrofes e especulações sobre o futuro da humanidade; questões como as devastações das florestas e a grande quantidade de emissão do CO² na atmosfera. As mesmas que provocam o “temor” da sociedade de modo geral vem sendo vistas por governos e empresas como uma grande oportunidade para se auto-promoverem, e não somente. Traz-se-ia um questionamento:

“Quando encararemos esses problemas como algo que, de fato, irá mudar o futuro dessas gerações e das próximas?”.

Conferências como resposta à crise ambiental tem sido significativas, mesmo que as mesmas não nos trazem resoluções. Mas elas são, em suma, uma grande evolução sobre o tema. Nações, de fato, “engolem” o orgulho e a vontade de consumir além do que o planeta pode oferecer, trazendo questões e formas de se reduzir o processo de “auto-destruição” do planeta.

A Cúpula da Terra foi uma delas, em 1992 - sediada pelo Brasil e que apresentou representantes de cento e quarenta e sete nações, entre eles Al Gore, que na época ocupava o cargo de vice presidente.

Seu objetivo foi trazer resoluções acerca do desmatamento de florestas e sua preservação, assim como o próprio aquecimento global. Pesquisas realizadas na época mostravam a importância da emissão do CO² no aumento da temperatura do planeta, e que 20% dessa emissão decorreria dos desmatamento de florestas.

Politicamente o Brasil obteve êxito, pois sediando essa conferência, viu-se uma oportunidade de mostrar sua importância à outras nações, não somente pela vastidão de florestas em seu território, mas pela política que a nação visava para a preservação. Fato é, que o Brasil deixa de ser o grande vilão, passando para uma nação que também estava presente na conferência. Os Estados Unidos fora e ainda é um dos maiores poluidores do mundo, em seguida a China, que na época ainda não se mostrava como sendo uma nova potência mundial.

A política que seria adotada pelos EUA à respeito ao meio ambiente seria mudada com seu novo representante, o então famoso presidente George W. Bush, que visando apenas a guerra no Iraque, pouco avançou nas negociações para diminuir as emissões de gases poluentes.

Em palcos menores, em 1979, na primeira conferência mundial do clima, em Genebra, na Suíça, assim como em três outras realizadas em Villach, na Áustria, Toronto, no Canadá, a importância de se enfrentar o problema das mudanças climáticas destacavam-se pelos especialistas em meteorologia.

Eis um breve parágrafo da conferencia de 1979 acerca dos gases de efeito estufa:

“A longa dependência que a sociedade tem dos combustíveis fósseis, como fonte de energia, junto com o desmatamento ininterrupto, provavelmente provocarão aumentos maciços de emissões de dióxido de carbono na atmosfera, em décadas e séculos futuros. A compreensão atual dos processos climáticos conduz à clara possibilidade de que esses aumentos de dióxido de carbono possam ter, a longo prazo, mudanças significativas e possivelmente capitais no clima em escala global.”


Tantas discussões refletem no que hoje chamamos de consciência ambiental. Slogans de empresas tentam convencer seus clientes que, de fato, estão agindo para melhorar o planeta. Verdade ou não, o fato é que a população não só deve exigir atitudes de seus governantes, mas também no seu dia-a-dia a influenciar outras pessoas que o siga nesse ideal, obstinando-se do consumismo e aderindo a uma ação conjunta para que possamos respirar melhor e preocupando-se menos com o aumento do nível do mar.

A questão que vos deixo é:

“ Poderá, então, somente o governo e organizações de um modo geral garantir o futuro dos nossos filhos?”



Referência Bibliográfica:
MAGNOLI, Demétrio. História da Paz. Ed. Contexto, p.418-419


Escrito por: Filipe Matheus

10 de nov de 2008

G-20: Motivações Precisas de Um Otimismo Incerto

Domingo, 9 de novembro de 2008. Esta foi a data em que se encerrou a reunião do G-20, que une os países mais desenvolvidos e os países emergentes. Flashes e cafezinhos a parte, me alegro pela transparência que o ministro da Fazenda Guido Mantega conversou com os jornalistas no encerramento da cúpula, este que foi o coordenador da reunião. Mas mais do que isso, as intenções do presidente Lula em seu discurso de abertura aparentemente foram bem representadas e bem dialogadas.

Independente dos frutos que serão colhidos com essa reunião e posteriormente com a Cúpula de Washington que ocorrerá neste sábado (15 de outubro), uma coisa ficou bem clara, em fala do próprio ministro Guido Mantega: “As medidas tomadas até o momento são ineficientes!”. E estas palavras surgem em um momento bastante propício visto que, no mesmo dia, a China anunciou um auxílio de mais de 500 bilhões de dólares, similar a atitude norte-americana, a da Alemanha e de outros países alarmados com a crise econômica. A própria revista Carta Capital do dia 22 de outubro adiantou que certos exemplos deveriam ser seguidos (como a atitude britânica que, ao invés de despejar montantes de dinheiro para comprar dívidas de bancos, resolveu despejar capital diretamente nos balanços dos bancos e em troca assumindo parte de sua propriedade). Em outras palavras a revista aponta que “em vez de retirar água do recipiente que vaza, (...) estão tentando tapar o vazamento”. Ou seja, não adianta promover medidas emergenciais para tentar atenuar a crise, já que o mais correto seria corrigir o problema principal. E é exatamente neste ponto que os países emergentes poderão auxiliar.

Um dos resultados visíveis da reunião do G-20 (ao menos no ponto de vista teórico) é que as economias em desenvolvimento desempenharão um papel fundamental para combater a crise e auxiliar as grandes potências a retomarem o curso natural das coisas. Guido Mantega afirmou na coletiva de impressa do encerramento da cúpula que “o melhor instrumento contra a crise é o G-20”, e adiantou que “o Brasil defenderá uma regulamentação e uma fiscalização mais rigorosa”. Ao menos é isso o que se espera, como também se espera uma reforma nas instituições internacionais, como no Banco Mundial e, principalmente, no FMI (Fundo Monetário Internacional).

Contudo, durante todo o governo norte-americano de George Bush, três palavras deixaram de estar sublinhadas em sua agenda de política externa: América do Sul. Em outras palavras, o continente sul-americano foi deixado de lado. Claro que o presidente dos EUA e o presidente Lula da Silva tornaram-se aparentemente amigos quando o assunto foi o etanol, mas creio ter sido apenas uma nuvem passageira. Este distanciamento ficou notório nos últimos anos, tendo em vista que outros elementos estiveram muito mais destacados, como a atual guerra no Iraque e os problemas enfrentados no Afeganistão, além da própria corrida eleitoral e problemas domésticos. O que se espera de Barack Obama é que haja, agora, uma aproximação entre os EUA e o Brasil, visto que o principal tópico da pauta é a crise econômica.

Quando o assunto é esta aproximação, o chanceler brasileiro Celso Amorim mostra-se otimista, porém cauteloso. “Vem com amor, mas com o respeito também”, disse o ministro à Folha de S. Paulo de 9 de novembro. Este defende um “otimismo vigilante”, visto que, democrata ou republicano, o governo norte-americano é poderoso e pode muito bem aplicar protecionismo comercial, além de práticas intervencionistas na América Latina. Ou seja, as expectativas são boas, mas teremos que aguardar.

Por fim, destaco que a Cúpula de Washington servirá para observarmos se as intenções multilateralistas das grandes potências se confirmarão. Um fato é estarem cientes da importância deste multilateralismo e de uma maior influência dos países emergentes na cura desta crise econômica (visão teórica). Outro fato é se as grandes potências estarão dispostas a discutir novamente e chegar em uma resolução da Rodada Doha, por exemplo (visão prática).

Segue o otimismo, mas também segue a apreensão. Poderão as grandes economias mundiais cederem seus orgulhos e colaborarem para a salvação? E os países emergentes: poderão estes mostrar sua força com atitudes práticas? Certamente não perderemos o próximo capítulo desta história.


Escrito por: Denis Araujo

7 de nov de 2008

Barack Hussein Obama II: A Imagem de Esperança e Carisma do Novo Governo Americano

A partir de hoje Filipe Matheus (colega internacionalista) fará parte deste blog, colaborando com suas visões e idéias acerca das cenas cotidianas que assistimos o mundo viver. Desde já agradeço e espero que esta parceria possa render frutos importantes e que possamos ampliar os horizontes de pensamento dos nossos leitores e de nós mesmos.



Dia 4 de novembro de 2008 o povo americano elege seu novo presidente, Barack Hussein Obama, tido como o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Todos comemoraram sua vitória, não apenas por ser a vitória de um negro, mas a vitória do povo americano contra o conservadorismo.

O recém eleito presidente formou-se em Harvard e na Universidade de Columbia, cursado em direito e política, esta com ênfase em relações internacionais, explicando a sua maior flexibilidade no que se refere em questões de política externa. Sem experiência no cargo executivo, foi alvo de questionamentos a respeito da sua capacidade de liderar o país, que hoje perde em prestígio e economia instável.

Obama, carismático e eloqüente, encantou rapidamente os latinos, a classe rica e as mais pobres, sobretudo os negros. Nunca em uma campanha houve tantas doações. Cerca de 1,6 bilhões de dólares foram arrecadados, deixando seu concorrente John McCain bem atrás desse número.

A corrida presidencial foi bastante assistida pelo mundo inteiro. Intrigas envolvendo seu nome e de um ex-colega tido como terrorista foram armas contra sua campanha, mas que pouco influenciaram na hora da votação.

Dias antes da eleição, representantes da União Européia visto se diziam a favor do futuro presidente, mas que torciam principalmente por Barack Obama, já que sua visão estreitaria os laços entre a Europa e os EUA, que se demonstraram tão afastados na atual política de George Bush. Temendo a expansão econômica da China e a política externa hostil da Rússia, se faz necessária uma aliança mais fortalecida entre norte-americanos e europeus.

Ao início das eleições, Barack Obama começa com uma grande vitória: o estado da Pensilvânia o elege. Aos poucos sua candidatura foi se legitimando com estados como o de Nova York e Massachusetts. Mas foi a vitória em Ohio que simbolizou a perda de seu oponente: nunca nenhum republicano venceu sem o apoio desse estado.

Perto das 2 horas da manhã, horário de Brasília, Barack Hussein Obama chega ao poder e a liderança da casa branca. Mas o que ficam são os seguintes questionamentos: poderá ele, enfim, retirar o país da lama? Será que sua política externa será tão diferente da antiga política? Será tarde demais para os EUA, já que a China já se assume como nova potencia econômica mundial? Os subsídios agrícolas defendidos por ele prejudicarão ainda mais os laços entre os países?

Talvez não saibamos ao certo, mas que é possível imaginar o novo cenário e indagarmos se a democracia americana e seu modo capitalista ainda é um ideal a ser seguido.



Gostaria de agradecer a Denis Araujo por ter me apresentado essa idéia magnífica de escrever sobre notícias diversas do âmbito internacional. Isso me inspirou muito como aluno e espero que inspire não somente alunos da área mas a todos que se interessam por questões globais.


Escrito por: Filipe Matheus

4 de nov de 2008

A economia balança, os americanos votam, o Cristo fica rosa e Maradona torna-se técnico da seleção argentina: outubro/novembro como você nunca viu!

Pois é, são tantas notícias que às vezes fica difícil escolher qual ler primeiro e qual simplesmente deixar pra lá. A verdade é que nenhuma deve ser esquecida.

O mês de outubro foi marcado pela apreensão. O mundo vivendo um forte colapso econômico. As chancelarias e os ministérios da fazenda se pronunciando, com a finalidade de explicarem o que acontece, ou pelo menos para demonstrar seriedade e calma na hora de discutir os rumos da economia. Lembro bem quando a crise bateu na nossa porta e nosso presidente humildemente disse: “Nós estamos preparados! A crise não vai nos afetar!”. Lula estava meio certo.

Pouco a pouco o Brasil viu-se na obrigação de tomar medidas emergenciais. O governo federal não ficou de braços cruzados e teve de agir de forma bastante ponderada. O governo estava e ainda está preparado para o que está acontecendo, desde que os cálculos feitos até agora não se mostrem incorretos dentro de alguns dias, semanas ou meses. O fato é que não se sabe ao certo como será o futuro da economia mundial. Mas o país está caminhando bem, mesmo que a passos lentos.

Essa semana foi concretizada a união do Itaú com o Unibanco. Não vamos nos prender aqui se foi uma atitude boa ou não. Mas a Bovespa já sentiu essa atitude: ontem as ações dos dois grupos subiram bastante, e hoje estão indo muito bem, obrigado. A junção das operações dos dois bancos fez nascer o maior banco do hemisfério sul, dando forma a potencialidade do Brasil frente os demais países emergentes da América Latina e África. O jornal Pagina 12 da Argentina acentua muito bem o papel primordial do Brasil na economia de seu país, quando publicou recentemente em uma de suas matérias “(...) la sensación de vulnerabilidad no está supeditada a acontecimientos lejanos e incomprensibles, sino a la suerte del ajuste entre el real y el dólar. O dicho de otro modo, a la capacidad del Banco Central de Brasil de poner bajo control al mercado cambiario. Subordinados, sí, pero a un vecino conocido, socio y, además, poderoso.

Agora, deixando de lado o assunto em questão, passemos a debater agora o principal assunto da pauta de 2008: as eleições norte-americanas. Sim, existem zilhões de artigos jornalísticos, blogs e afins que tratam deste tema. Entretanto não existem zilhões de formas de pensar.

Agora são exatamente 13h30 no horário de verão. Os diversos fusos americanos me impossibilitam de citar o horário por lá. Mas independente do momento do dia, gostaria de mencionar a postura da CNN (www.cnn.com) e de outras emissoras e veículos jornalísticos: 90% estão com o cacoete de dizer que 4 de novembro é um dia histórico. Mas qual é o momento em que se faz história: na esperança americana? No sonho americano? No American Way of Life? Vou dizer a minha visão da história.

Barack Obama poderá ser eleito dentro de algumas horas. Jovem negro, negro inteligente, negro objetivo, negro democrata e negro negro. Li há alguns instantes uma frase que ele é o novo Martin Luther King. Negro.

Por que bato nesta tecla? Pois bem, segue a explicação. Obama representa a esperança norte-americana de retomar o desenvolvimento. Também representa uma revolução nos padrões governistas dos republicanos, já que o mundo teme que McCain seja eleito o novo Bush. Mas ele não é somente isso. Ele é um jovem senador (McCain é idoso); negro (McCain branco); Democrata (McCain republicano); McCain é veterano de guerra (Obama não).

Que atire a primeira pedra quem já assistiu um filme cliché americano tendo como protagonista um herói negro, estudioso, que não esteve em uma guerra, possui forte ligação com parentes na África e ainda defende uma gradativa retirada das tropas americanas de algum lugar!

Caro leitor, não estou tecendo críticas a nenhum dos candidatos. Apenas gostaria que pudesse perceber uma coisa: Obama pode ter a personalidade e a imagem da perfeição, da mudança, da revolução e que boa parte do mundo deseja ver. Mas na hora de votar, quem é que afirma que o preconceito absurdo e o conservadorismo exagerado dos americanos não vão vir a tona? Posso estar queimando minha língua quando digo e meus dedos quando digito, mas a história se fará quando Obama for eleito honestamente. Mas se fará mais ainda se Obama seguir fielmente sua frase de campanha “Change: we can believe in!”.

Negro, branco, oriental. Republicano, Democrata. Homens, mulheres...

Políticos são políticos. Na hora da campanha todos assumem uma postura. Mas a chamada Razão de Estado que os realistas tanto afirmam falará mais alto. Ou o mundo acha que Obama vai virar os Estados Unidos de cabeça pra baixo e mudar tudo? Sejamos coerentes: a linha de governo republicana irá perdurar por mais algum tempo, mesmo com o democrata no poder. Se ele tiver a mão firme, ele guiará esse trator de forma surpreendente. E esse é momento que a história se faz, não por ser negro, mas por ser correto e apagar George Bush da mente do povo.

Ah, quando disse que o Cristo ficou rosa, foi um fato verídico, mesmo que por pouco tempo. Maradona também está no cargo de técnico da seleção argentina, mesmo que por tempo incerto e sucesso indefinido.

Afinal, quem é rei nunca perde a majestade. Mas entrega sua corôa quando deve. E é assim que acredito na mudança.