25 de nov de 2009

Os Desafios Iranianos e as Respostas do Mundo: Ahmadinejad no Brasil

A semana ficou um pouco conturbada por aqui com a visita do presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad. Aliás, não foi apenas a semana ou o nosso país que ficaram conturbados. Na realidade, os olhos do mundo se voltaram para esta visita presidencial, especialmente os olhares norte-americanos e israelenses. Preocupante? Um pouco. Mas depende do ponto de vista.

No Brasil, a opinião pública dividiu-se, os estudantes protestaram, os políticos não entraram em acordo, refugiados de guerra e homossexuais indignaram-se, empresários festejaram e os analistas de relações internacionais questionaram-se. Estas manifestações diversas ocorrem por conta das declarações dadas por Ahmadinejad. O holocausto foi negado, os homossexuais repudiados, os israelenses e norte-americanos confrontados, os empresários convidados, os políticos divididos e analistas, novamente, questionados. Tantos pontos de vista, que diferem sobre temas tão comuns.

O programa nuclear iraniano tem chamado a atenção do mundo por conta de suas intenções. Os fins energéticos são óbvios, mas o que há por trás disso? Os americanos, os israelenes e todo o Conselho de Segurança da ONU preocupam-se com os fins bélicos que este desenvolvimento pode possuir. Israel, mais do que nunca, está atento aos exercícios militares do exército iraniano e, em resposta deste fato, também organiza-se militarmente para evitar um confronto. Entende-se "evitar" como "atacar para se defender". Ahmadinejad aposta em uma guerra? Na verdade ele duvida. O planeta crê em uma guerra de grandes proporções? Não muito, uma vez que a ordem internacional não está para conflitos, assim como a frase diz que "este mar não está para peixe".

Mas e os Estados Unidos? Se o país ainda estivesse sob a liderança de Bush, o mundo estaria realmente preocupado. Mas os tempos são outros. Barack Obama trabalha sua política externa de maneira a permitir uma maior flexibilidade, na tentativa de encaixar os EUA como um ator pragmático, de intenções diversas e respostas diferentes, ao invés de classificar o país como um grande combatente do terror, ou mesmo um grande terrorista global.

A verdade é que o mundo olhou com apreensão esta visita, principalmente por conta do Brasil ter se tornado o que é hoje: um verdadeiro ator global, capaz de dialogar e influenciar. A comitiva de empresários iranianos que acompanharam a visita aproveitaram para fechar inúmeros acordos comerciais, na intenção de ampliar as relações bilaterais. E Mahmud Ahmadinejad encontrava-se em uma saia justa. O programa nuclear iraniano estava chamando atenção demais. Sua reeleição estava chamando atenção demais. Suas declarações? Mais atenção ainda. E qual a saída? "Vamos conversar com Brasília, é hora de visitarmos o presidente Lula".

O Brasil, tradicionalmente, sempre esteve muito próximo aos EUA. Mas desde a posse do governo atual brasileiro, o país passou a agir de maneira muito mais multilateral, realizando acordos com diversos países, ampliando toda a sua lista de influência. Semana passada esteve no Brasil, pela primeira vez, o presidente israelense Shimon Peres. E agora é o Irã que dá as caras por aqui. Coincidência? Pode até ser. Mas o Brasil não quer ficar preso a valores antiquados, que não lhe diz respeito. E o faz muito bem, exceto com a declaração, na minha opinião, equivocada de nosso presidente, ao afirmar seu apoio ao programa nuclear de Teerã. Esta declaração foi dada sem pensar no que a mídia internacional compreenderia. Erros a parte, o encontro presidencial foi bastante estratégico, para ambos os lados.

O Irã passou a buscar novos mercados, novos apoios. O lobby começou a ser feito. Seu programa nuclear está protegido, logo seu desenvolvimento econômico também. O que há por baixo dos panos ninguém sabe, mas quando for revelado, o mundo deverá dar respostas imediatas: ou uma negociação de paz, ou um estreitamento de laços.

Escrito por: Denis Araujo