13 de abr de 2011

O Brasil Negocia em Mandarim. E Negocia Bem!

A China tornou-se o maior parceiro comercial do Brasil, ultrapassando os Estados Unidos. Esta não é nenhuma novidade. Também não é novidade que esta relação é pautada naquilo que os países exportam de melhor: no caso do Brasil, as commodities; do lado chinês, os produtos manufaturados. De maneira correta, ambos buscam sanar suas deficiências produtivas com as melhores ofertas que o parceiro possui.

A presidente Dilma Rousseff realiza viagem pela China, no intuito de fortalecer os laços desta parceria que, ao que tudo indica, será o foco dos próximos anos. Adquirir produtos manufaturados a preços menores vai de encontro às intenções do governo brasileiro em fortalecer o consumo deste segmento e, por outro lado, o país se mantém como um dos grandes provedores de matéria-prima (em especial o minério de ferro) para os chineses - o que garante uma aliança comercial de extrema importância.

Essa relação esconde, ainda, vantagens importantes para o Brasil. O preço do minério de ferro adquire uma certa volatilidade no mercado, o que confere que de tempos em tempos atinja preços acima da média. Tendo em vista a enorme demanda chinesa por essa matéria-prima, não importará o preço: basta os brasileiros terem oferta que a China vai comprar.

Além dos fatos mencionados, ambos os países assinaram um acordo que favorece ao extremo o Brasil: o acordo dos tablets. Este produto, que hoje possui um preço médio bastante elevado, passará a ter um valor mais acessível a partir da construção de uma grande fábrica em terras brasileiras. Os iPads passarão a ter um preço até 30% mais baixo (afinal não serão mais importado e serão isentos de muitos impostos) e certamente vão modificar o preço de todos os aparelhos do segmento em um futuro próximo. Isso garantirá a criação de muitos postos de trabalho, além de se enquadrar em uma proposta educacional no Brasil,que prevê a distribuição destes aparelhos nas escolas públicas.

Após receber a visita de Obama e ir à China, percebemos que o governo brasileiro está seguindo uma agenda internacional bastante hierarquizada, indo de encontro aos seus interesses, antes mesmo que outros venham nos procurar. Mais do que isso, ao reunir-se com os Brics (grupo dos principais países emergentes, ou seja, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o país demonstra que segue seu rumo pautado em demasiada estratégia.

Contudo, o governo brasileiro precisa frear sua ansiedade quando falam de China. Os chineses não vão alterar sua moeda da mesma maneira que, sem isso, o Brasil não vai reconhecer o parceiro como Economia de Mercado. Soma-se a isso o fato de que por mais que o governo brasileiro queira (mesmo que em menor medida do que o governo anterior) uma reforma na ONU e participar mais ativamente das decisões do Conselho de Segurança, a China não vai defender de maneira tão enfática que isso aconteça.

As negociações prosseguem e podemos afirmar que ao menos no plano internacional o Brasil segue muito bem, sem cometer os exageros do governo anterior. Acho que o país aprendeu uma importante lição.

Escrito por: Denis Araujo