24 de jul. de 2009

A Sociedade Brasileira e a Embriagues Político-Ideológica

A nova catástrofe que ecoa sobre a democracia, baseada esta em um conceito de total participação do povo, teve suas estruturas abaladas mais uma vez com a nova onda de denúncias e irregularidades vinculadas, desta vez, ao senado federal. Porém, muitos de nós, a massa da população brasileira, já se acostumou com tal tipo de notícia. Após o escândalo do mensalão eis que surgiu uma nova era na política brasileira; uma eclosão de CPIs, comissões, com a finalidade de se resolver o maior problema da política na atualidade, ou seja, a impunidade, esta que não decorre apenas de cassação ou suspensão de mandatos, mas sim que deveria ser, talvez, algo mais rígido, tendo em vista que alguns países adotam o extremo ao mandar para a “guilhotina” os políticos que assim se desvirtuaram.

Mas o que deveria ser uma solução acaba por vezes sendo mais uma ferramenta no campo do marketing político, ou seja, alguns vêem nesta uma oportunidade de assim se livrarem dos seus inimigos políticos ou simplesmente mostrarem serviço aos olhos do povo.

Embriagados pelos discursos, a população vê mais um motivo para desacreditar neste sistema democrático, sendo as eleições senão a escolha do menos pior e não daquele que realmente irá fazer a diferença, neste sistema enfraquecido pela própria falta de informação, independente de qualquer classe social ou visão política.

Partindo do pressuposto que não há um indivíduo responsável, mas sim um sistema, isso nos recorre a olhar os partidos políticos que habitam nossos senados, nossas câmaras e nossas prefeituras; se analisarmos as atividades dessas instituições, perceberemos o uso excessivo da ideologia política. Não que isso possa ser ruim ou bom, mas para entendermos os fatos é preciso ressaltar o que realmente importa - muitas das discussões no senado decorrente de um projeto de lei existe simplesmente pelo embate que há decorrente de uma visão ideológica diferente entre partidos não coligados. E cada um possui a motivação de defender os princípios gerais dos seus partidos, logo as consequências não poderiam ser diferentes, os escândalos, a luta pelo poder e, com ela, a corrupção, é o resultado de que os fins justificam os meios. Sendo assim, o partido acaba virando uma “criatura” com sentimentos e desejos, que cabe aos nossos políticos escutá-los ou não.

Fato é que aqueles que ousam não escutar acabam sendo pressionados pelo próprio sistema e, cedo ou tarde, acabam tomando uma posição. A sugestão deste texto não é incitar o leitor a fazer uma revolução, mas instigá-los a pensar nesses escândalos como fator proeminente de um sistema, e não das pessoas que ali estão sendo acusadas (isso ficaria a cargo da lei do nosso país em fazê-lo).

A sociedade, assim, espera ansiosamente por uma solução; deve ele, José Sarney pedir apenas um afastamento ou deixar sua poltrona de vez? Cada partido já expressou sua opinião, esses mesmos que fazem questão de dividir em: oposição e governo, gerando assim uma “guerra fria” sem previsão para o fim. Os mesmos que em discursos se dizem tanto em pról da democracia acabam, mesmo que inocentemente, criando um sistema, em que a maioria prepondera a minoria, criando um estado de demagogia desnecessária. A grande questão que vos deixo é: será que o Brasil, em plena “expansão” econômica, conseguirá por sua vez conciliar também uma expansão política, no sentido de evoluir o seu próprio conceito? Ou repetiremos nossa história de sermos apenas colônias, nos aproveitando apenas do nosso tamanho, enquanto os outros se aproveitam de nossa ignorância?

Escrito por: Filipe Matheus

7 de jul. de 2009

Ele Gostava de Falar em Inglês

Semana passada resolvi crer, novamente, no potencial das produções cinematográficas brasileiras e fui ao cinema assistir ao filme Jean Charles. Não me arrependi e confesso que fiquei um tanto quanto surpreso. O filme é bem feito, os atores foram bem selecionados e nos transmite uma mínima parcela da tristeza do caso.

O ano era 2002. De origem simples, Jean Charles de Menezes (brasileiro, de origem mineira) fez o que milhares de brasileiros fizeram e continuam fazendo aos montes. Percebendo a necessidade de sua família e buscando uma condição de vida melhor, Jean resolveu viajar para a Europa e instalou-se em Londres, na Inglaterra, entrando no país com um visto estudantil. Trabalhando e ganhando em libras, seria teoricamente mais fácil de juntar boas economias e enviá-las para seus pais no Brasil.

Em pouco mais de quatro meses na capital inglesa, o brasileiro já dominava bem o idioma e fez bons amigos, que o ajudaram no início de sua nova vida na Europa. Jean era conhecido por todos como um indivíduo de coração enorme, sempre disposto a ajudar. Oficialmente eletricista, o mineiro de origem simples passou a ganhar dinheiro ajudando os brasileiros com vistos de permanência no país, em troca de favores. E assim ele ia aumentando seu círculo de amizades na terra dos Beatles.

O ano era 2005, mais precisamente 7 de Julho, em uma quinta-feira. O mundo chocou-se com os atentados terroristas em Londres. Quatro grandes explosões ocorreram na capital inglesa (três nos túneis do metrô e uma em um ônibus), na hora do
rush. Mais de cinquenta e duas mortes confirmadas, com mais de setecentos feridos. Na época, a capital inglesa estava sediando mais um encontro do G8 e tinha acabado de ser escolhida como sede dos Jogos Olímpicos de 2012.

A Scotland Yard (o FBI inglês) foi acionada, então, para realizar uma grande busca atrás dos verdadeiros culpados deste trágico episódio. Os agentes especiais passaram a analisar todas as gravações das câmeras de segurança das estações de metrô e da região, além de investigar qualquer pista que lhes fosse interessante.

Segundo o Censo de 2001, 71,15% dos londrinos são compostos pela etnia branca (59,79% de origem britânica, 3,07% de origem irlandesa e 8,29% outras origens como polonesa, grega, italiana e francesa); 12,09% são de etnia asiática (Índia, Paquistão e Bangladesh, na sua maioria); 10,91% são de etnia negra (7% negros-africanos, 4,79% negros-caribenhos e 0,84% de outra origem); 3,15% são mestiços; 1,12% são de origem chinesa; 1,58% são de outras origens (principalmente Filipinas, Japão e Vietnã).

De acordo com este mesmo censo, haviam cerca de 60 mil de brasileiros residindo em Londres, o que fazia o Brasil ocupar a oitava posição no ranking de nacionalidades mais representadas numericamente na capital inglesa. Antes do Brasil, somente estavam Quênia, Paquistão, Nigéria, Jamaica, Bangladesh, Irlanda e Índia.

O calendário marcava 22 de Julho de 2005, precisamente quinze dias depois dos ataques em Londres. Uma importante pista encontrada pelos agentes da Scotland Yard levou a inteligência inglesa à um bloco de apartamentos. Os policiais deveriam estar observando três homens, de aparência somali ou etíope. Entretanto, eles avistaram Jean Charles de Menezes saindo para trabalhar e assim passaram a vigiá-lo. Ao embarcar em um dos trens da estação Stockwell, o brasileiro foi abordado pelos agentes e alvejado por estes.

Existem controvérsias sobre o ocorrido. Mas o fato é que hoje é dia 7 de Julho de 2009, quatro anos depois das explosões que chocaram Londres e o mundo, e logo mais será dia 22, marcando o quarto aniversário da morte de Jean. Marcando o quarto aniversário da injustiça. Os britânicos orgulham-se por fazerem parte de uma das economias mais poderosas de todo o planeta, de possuírem um elevado nível de vida, de ser o palco da cultura, da moda, da música e da história. Realmente eles têm do que se orgulhar, contudo a aclamada Scotland Yard deixou de lado a hombridade, o respeito e o bom senso.

Mais do que isso, visto que o crime ocorreu em terras estrangeiras, a polícia brasileira nada pode fazer. A investigação inglesa mostrou que a atuação dos agentes foi completamente equivocada e a mídia britânica mostrou ao mundo evidências de que Jean Charles não tinha nenhum vínculo com os atentados terroristas. Porém nada ocorreu com os policiais da Scotland Yard. Estão em liberdade, enquanto o governo brasileiro nada pode fazer, a não ser publicar em nota oficial, a partir do Ministério das Relações Exteriores:

"o governo brasileiro ficou chocado e perplexo ao tomar conhecimento da morte do brasileiro, aparentemente vítima de lamentável erro. (...) o Brasil sempre condenou todas as formas de terrorismo e mostrou-se disposto a contribuir para a erradicação desse flagelo dentro das normas internacionais, aguardando explicações das autoridades britânicas sobre as circunstâncias da morte de Jean Char
les."

E até hoje os familiares e amigos do brasileiro aguardam explicações e providências.

Mais do que um filme, uma verdadeira história de alguém que teve a vida interrompida friamente por aqueles que "se enganaram". Muito mais do que uma história, uma lição, para que as aparências não permitam enganar nunca mais.


Jean Charles de Menezes
7 de Janeiro de 1978 - 22 de Julho de 2005


Rest in Peace. Porque ele gostava de falar em inglês.



Escrito por: Denis Araujo

9 de jun. de 2009

O Maior Diplomata do Brasil é o Futebol?

A Copa do Mundo de Futebol está logo alí, na África do Sul, como diria o apresentador e repórter futebolístico Fernando Vanucci. E como é de costume, as seleções disputam as eliminatórias para que sejam classificadas apenas as melhores para o maior torneio mundial do esporte.

A mídia futebolística também parou esta semana para anunciar a contratação do jogador Kaká pelo Real Madrid, em uma transação milionária, como também é de costume por parte dos Merengues. Por outro lado, Luís Felipe Scolari, técnico pentacampeão com a seleção brasileira em 2002, anunciou que trabalhará no Bunyodkor, do Uzbequistão.

Não meus caros leitores. O Silêncio Cotidiano não virou uma agência de notícias esportivas. Contudo, o autor que vos fala resolveu questionar: será que o futebol brasileiro chama mais atenção no mundo do que pensavamos? E mais: será que a diplomacia do futebol é válida?

Reza a lenda que o Santos de Pelé foi capaz de parar uma guerra. A nova tentativa agora é o acordo firmado entre dois dos maiores clubes de futebol do Brasil (e sem dúvidas as duas maiores torcidas do país): Corinthians e Flamengo. Ambos firmaram uma parceria para promover o "Jogo da Paz" na Palestina, em uma tentativa de talvez amenizar os conflitos da região e fazer a população prestar mais atenção ao som da partida ao invés dos ruídos de uma guerra.

Mas será mesmo que a partida será voltada para fins sociais? Os diretores de marketing de ambos os clubes afirmam que sim. Entretanto não é bem isso que se verifica. Para começar, do lado do time carioca está o jogador Adriano, ex-Inter de Milão. O Imperador, como era conhecido em terras italianas, enfrenta um momento tempestuoso em sua carreira, carregada de momentos depressivos e sumiços dos treinos, aliados a sua ainda presente técnica e habilidade; do lado paulista, Ronaldo, eleito três vezes o melhor jogador do mundo e maior artilheiro das copas, enfrenta hoje um momento de afirmação em sua carreira, afinal de contas passa por uma situação pós-cirurgia, somado ao sucesso repentino no clube do Parque São Jorge. O Fenômeno, como é conhecido, ainda é embaixador da Unicef e a todo o momento conversa com seus contatos para promover ações sociais no mundo, auxiliando o Corinthians na valorização internacional de sua marca.

Uma partida nesse nível certamente exige um alto custo, por mais que não se mencione. O estádio será preparado, a cidade protegida, a população avisada. Entidades do mundo todo estarão presentes. O "Jogo da Paz" é, sem dúvidas, o "Jogo do Marketing". Será uma fantástica oportunidade de divulgar a marca de ambos os clubes pelo mundo, de uma forma positiva se o evento for um sucesso, ou de uma forma negativa, se for um grande fiasco.

Mas tenhamos a grande certeza de que a paz na região não será jamais atingida por causa de um jogo de futebol. A iniciativa é, sem sombra de dúvidas, um ato corajoso e que, por 90 minutos, poderá funcionar. O principal placar não será aquele marcado pelos telões do estádio, mas sim nas ruas em volta, na região e na causa palestina, como um todo.


Escrito por: Denis Araujo

26 de abr. de 2009

O Brasil de Hoje Não é por Acaso

Meados dos anos 90. O Brasil encontrava-se numa séria conturbação econômica. O modelo neoliberal do governo permanecia forte. As privatizações surgiam como válvula de escape, uma nova moeda e um novo plano financeiro se instalava. O desemprego, as taxas de pobreza e as denúncias de corrupção eram constantes. Na agenda de política externa, os Estados Unidos dominavam diversos tópicos. Politicamente, um jovem político iniciou a década no poder, este que passou à um senhor que pouco tempo ficou na cadeira da presidência e que poucos anos depois foi substituído por um velho sociólogo, possivelmente um teórico brasileiro das relações internacionais e que seguiu na contramão do modelo estatal de desenvolvimento.

Agora estamos no final da primeira década do século XXI, esta que logo mais passaremos a chamar de “anos 10”. A crise financeira derruba as taxas de crescimento econômico do mundo inteiro. O FMI e o Banco Mundial a todo momento divulgam novos dados e novas medidas de combate à este monstro econômico. As principais economias globais passam por sérios problemas de desemprego, desabitação, falta de crédito e liquidez, além da natural perda da hegemonia no sistema internacional. E enquanto isso, o Brasil (mesmo tendo seus problemas) passa a chamar cada vez mais atenção no cenário mundial. Mas esse fato não é por acaso.

Estamos chegando na metade do ano de 2009. Hoje o país experimenta apenas a beirada deste prato recheado chamado “crise”, sabendo que possivelmente não atingirá este recheio tortuoso. Sofremos redução no crescimento, nas taxas de emprego e nas linhas de crédito bancário? Sem dúvidas. Porém, esta redução foi muito menor do que aquela que as grandes potências sofreram e sofrem. O Brasil, hoje, está muito mais forte, favorecido principalmente pelo forte laço existente entre Estado e economia. Não é uma coincidência o fato de que a todo o momento mencionam que nosso país será um dos primeiros a sair desta crise e será um dos mais fortalecidos deste momento em diante. Além disso, o país representa uma capacidade de liderança nunca antes imaginada. E este fato também não é por acaso.

A estabilidade política em que se encontra o governo brasileiro é um marco não somente para a nossa própria história, mas para a história de toda a América do Sul e para todos os países chamados “emergentes”. A conceituada revista americana Newsweek fez um comentário bastante pertinente em sua publicação internacional desta semana: ”O Brasil vem se transformando na última década em uma potência regional única, ao se tornar uma sólida democracia de livre mercado, uma rara ilha de estabilidade em uma região conturbada e governada pelo Estado de direito ao invés dos caprichos dos autocratas”. E se antes havia uma provável disputa hegemônica na América Latina entre brasileiros, argentinos e mexicanos, hoje o que restam são apenas resquícios de richas históricas.

O Brasil é, mais do que nunca, um líder regional. E afirmo isso baseado não somente nas notícias publicadas recentemente na cobertura das grandes cúpulas e reuniões das potências mundiais, como também o que se percebe nos jornais dos países que compõem o Mercosul. Mesmo existindo certas desavenças com os paraguaios (Itaipú, Brasiguaios etc), até estes apontam nosso país como importante parceiro para sair desta crise. E assim o fazem argentinos, uruguaios, além dos membros associados Bolívia e até mesmo certos representantes venezuelanos.

O mais interessante é como o Brasil de Lula conseguiu, ao longo dos anos, mudar sua posição de aliado incondicional dos EUA para estrategista multilateral. Neorealisticamente falando, o país provou por A mas B que é possível acumular poder sem ser pela via bélica. Como citou a revista Newsweek: “(...) o poder do Brasil vem não de armas, mas de seu imenso estoque de recursos, incluindo petróleo e gás, metais, soja e carne". Além disso, o papel do Itamaraty foi fundamental para transformar o país em um dos grandes influentes no contexto internacional em diversos temas, somando-se a isso o fato do Brasil ter se tornado importante mediador dos conflitos de ideais entre grandes potências e gigantes emergentes, principalmente no que se diz respeito a agenda econômica e agrícola internacional. E o presidente Lula, por sua vez, tornou-se figura de grandiosa representação, sendo tratado como o ator “gente boa” das relações internacionais.

Independente das críticas, da vocação e da opinião política de cada um, me apoio nos comentários de importantes professores que tive e que tenho em minha formação. Estes mencionam o fato de que o bom estadista é aquele que sabe recuperar os danos da gestão anterior e dar continuidade aos pontos positivos da mesma. E isso Lula tem feito. Além disso, a projeção internacional que o Brasil assumiu foi conquistada pela figura presidencial e por seus acessores, todos inseridos no momento certo e na hora exata destas fortes conturbações mundiais.

O presidente atual não poderá mais se candidatar nas eleições do ano que vem, como manda a constituição brasileira. Dúvidas acerca dos candidatos à presidência do Brasil existem e hoje o eleitorado brasileiro aparenta estar muito mais maduro. A pergunta que fica é: “Onde será que vamos parar?”, se é que pararemos.


Escrito por: Denis Araujo

4 de abr. de 2009

Projeções de Um Fim Não Muito Distante

Doze de dezembro de 2012, data que muitos estipulam ser o fim da humanidade no planeta - como os dinossauros, estes que desapareceram de forma surpreendente, há 65 milhões de anos atrás, deixando-nos um fator histórico um tanto quanto mórbido. Fatalmente não viveremos o suficiente comemorar nosso aniversário de cento e sessenta e oito milhões de anos na Terra, como os mesmos o fizeram, tão pouco precisaríamos de um meteóro com proporções astronomicas para colocarmos um fim à nossa odisséia. Para analistas e pesquisadores do cenário atual é simples: basta que continuemos nosso processo evolutivo, ou será que poderiamos chamar de autodestruição?

Todas as religões presentes nessa “odisséia” humana tentaram de certa forma “prever” o apocalipse, colocando o foco na nossa imoralidade constante. O dia do juizo final presente nos livros sagrados e escrituras seria a grande semelhança inexorável dessas teologias. Quando ainda éramos politeístas, já existia a idéia da presença pecaminosa do homem provocando a ira dos Deuses. Na mesma época, construia-se templos aos oráculos - seres capazes de prever o futuro e que ganharam notoriedade ao relatarem conquistas antes mesmo delas acontecerem; na China, sua história conta que a dinastia Shang se deu por uma predição, no oriente deu-se com a previsão do nascimento de um messias, mas entre estas o fim dos tempos era constantemente alertada pelos próprios oráculos.

Mas por que 2012? Isto é, inúmeras teorias já foram apresentadas antes quanto ao fim do mundo em uma determinada data, mas ainda estamos aqui, não estamos? O marco inicial desta teoria foi a descoberta da civilização Maia – sociedade altamente desenvolvida com três mil anos de história, sendo esta, ao contrário do que todos pensam ,ainda existentes hoje em dia, com dialetos da língua original. Tendo uma ligação direta com os astros, os quais construiram templos e observatórios de acordo com a interpretação maia das órbitas das estrelas, tais visões chegavam perto do campo da ciência, diferente dos oráculos vistos anteriormente. Ao ser interpretada, o famoso calendário apresentava uma diversa lista de possíveis previsões feitas por eles. Mas eis que referente ao ano de 2012 nada fora escrito, como um espaço vago que esta sociedade deixou, fazendo-nos criar teses e questões, as quais de fato não passaram de especulações por não apresentarem algo concreto, pois o mesmo espaço “vazio” poderia ser entendido de diversas maneiras.

O fim ou um recomeço na civilização humana – duas possíveis interpretações, a extinção humana ou seria uma simbologia referente a uma nova era no planeta, seria ela climática ou social? Os questionamentos não param, mas é visível que o caos dos tempos atuais nos leva a olhar com certa restrição e até mesmo céticos pensam duas vezes ao questionar tal profecia.

Nossa visão nos trouxe uma grande incerteza acerca do futuro pós crise mundial (isto se conseguirmos sair dela). Sim, caros leitores, sei que este assunto lhes causam “enxaqueca”, devido a grande representatividade na mídia e casos de desemprego que não param de crescer.

Assim como as emissões de carbono na atmosfera, os pacotes assinados pelas super potências também não param de ser emitidos no sistema financeiro - ações trilionárias para ajudar nesta situação até então nunca vista anteriormente, mesmo aquela dada em 1929, em que o número de suícidios aumentaram significativamente.

Em terras brasileiras perdemos gradualmente aquilo que muitos consideram como grande jardim tropical do mundo – Amazônia está perdendo seu verde para ganharmos um futuro “negro” com o mar avançando cada vez mais. A reforma agrária já se tornara então assunto de utópicos, a crescente produção de soja e cana de açúcar nos leva a indagar até que o ponto lucro vale mais do que pessoas?.

O Oriente Médio luta para se estabilizar neste sistema ocidental, conflitos, ataques terroristas e petróleo interagem entre sí, resultando no ódio. Bem e mal não existe mais, apenas os que sobrevivem à este caos.

Na Ásia, a China faz um grande papel como alternativa econômica, mas sofrem como todos a escassez de oferta de emprego, revivenciando uma queda vista apenas trinta anos atrás, quando a mesma sofria de fome e tão pouco era vista como a super potência de hoje. A premissa de não reduzir suas emissões de lixo sendo estas jogadas no ar, no mar ou em terra, as quais neste quesito não lhes dão diferencial algum perante aos Estados Unidos, deixando-nos a seguinte questão: é possível sua tecnologia ser tão avançada para combater o lixo de sua crescente população? E os baixos salários, assim como a falta de emprego, serão estas eficientes para aquecer sua economia perante a crise?.

Em contrapartida, os indivíduos destes Estados tornam-se cada vez mais dependentes das drogas, menos confiantes, mortos de fome e sem ar de qualidade pra respirar, metaforicamente presos em um frasco como insetos esperando o último suspiro se exaurir pelos pulmões. Sendo mais pessimista, nossa situação é pior, visto que insetos não possuem a consciência de que o fim está próximo.

Estando certos os Maias, isto nos daria menos de dois anos para resolvermos quetões tão complexas, mas confiante de que sou, gostaria de deixar um desafio aos leitores. Se descobrissem hoje que é verdadeira a tese de que o mundo vai acabar antes da copa de 2014, quais problemas ao menos tentariam resolver neste meio tempo? - Viver intensamente em pról individual ou de todos, sairia pelas ruas, esperaria o fim como de fato um inseto? Ou outra alternativa?


Escrito por: Filipe Matheus

18 de mar. de 2009

O Silêncio Cotidiano está em festa!

Este blog comemora neste mês de março (mais precisamente no passado dia 14) o seu primeiro aniversário. Hoje me deparo com a evolução dos nossos textos opinativos, que sempre prezaram por uma boa estruturação e argumentação, uma vez que opinar sobre política, economia, cultura, história e atualidades (ainda mais sob a óptica internacional muitas vezes) não é uma das tarefas mais fáceis. Mas é, sem dúvidas, uma das mais essenciais.

Este autor que vos fala, contando com o primoroso auxílio de seu colaborador, resolveu pensar de maneira grandiosa. Apoiado pela marca de quase 3 mil visitas desde sua fundação, O Silêncio Cotidiano traz seu olhar sobre um tema que "estranhamente" foi esquecido pelos populares veículos da
mídia em sua maioria. Aproveitem!


Uma Crise Made in China


Parece que a palavra crise nos persegue. Ela está escrita todos os dias nos jornais e revistas desde o ano passado. Falar desta bendita já virou moda, conversa de elevador, das mesas-redondas do mais puro intelecto acadêmico às mais convencionais rodas de bar. Até parece que a crise virou desculpa para tudo: para não comprar presentes, não financiar carros, não adquirir uma casa etc. Até parece que algum país se daria bem com a crise. Muitos, na verdade, tentaram e ainda o fazem, mas apenas um conseguiu. O campeão é chinês.

Contudo não é simplesmente o campeão que é de lá. Equipamentos, peças, jogos, brinquedos e utilidades das mais variadas também são Made in China. E também é chinesa a capacidade de lidar tão bem com essa arrebatadora crise financeira mundial. Será que já estava escrito?

Lembro-me bem quando as primeiras grandes perdas das poderosas potências viraram manchetes em todo o mundo. Lehmann Brothers, General Motors, AIG, etc. Um sem número de demissões (a Nokia, empresa finlandesa de celulares e equipamentos eletrônicos, acaba de anunciar mais algumas) e reduções patrimoniais ocorreram e continuam a ocorrer, mesmo com uma possível atenuação desta crise.

O curioso é que não me lembro de ver alguma notícia sobre multinacionais e corporações chinesas sofrerem baixas. Até mesmo o Brasil está representado no quadro de más situações, marcado pelas demissões da empresa aérea Embraer.

O presidente Lula bem que tentou controlar o ânimo dos investidores. Citando fontes confiáveis, o mandatário brasileiro sempre dizia que o país não seria afetado. O tempo foi passando e a taxa de crescimento econômico do Brasil foi diminuindo ao passo que as grandes economias globais anunciavam a recessão. Esta palavra, que antes nem existia no dicionário brasileiro, encontra-se agora na boca dos mais cautelosos e preocupados economistas.

Os EUA, por sua vez, cansaram de aprovar pacotes econômicos e auxílios bilionários, na tentativa de evitar falências, desemprego e miséria. Pouco mudou neste complicado cenário. E no encontro do presidente Barack Obama com o presidente Lula, o brasileiro acertou em cheio quando disse: "Com só 40 dias de mandato, ele tem um pepino como esse".

A tensão toma conta de governos mundiais e de grandes empresários (claro que alguns estão se saindo bem). E na China será construída a maior Disneyland do mundo e possivelmente a maior agência de notícias de todo o planeta, sendo tratada como a "CNN Chinesa" (esta com um forte investimento de 7 bilhões de dólares).

Mas afinal, qual é o segredo para o crescimento chinês? Na minha visão, trate-se de uma locomotiva que permaneceu sob alta velocidade nos trilhos enferrujados da economia moderna e ainda não encontrou um obstáculo suficientemente forte para ter que frear. Desde a década de 90, a China esteve marcada por apresentar os maiores crescimentos de produção. Mão-de-obra extremamente qualificada, forte mercado consumidor interno e poderosos atrativos de investimentos externos são apenas alguns dos combustíveis de Hu Jintao, presidente chinês, sem contar na grandiosa estratégia de monopólio das importações das economias emergentes.

Convivendo com esta crise, os chineses conseguiram tomar conta de diversos pequenos e médios mercados, encontrando-se no topo da lista dos maiores exportadores e investidores destes locais. Ou seja, ao passo que muitos países fortemente industrializados tiravam o seu corpo fora para não sofrer um poderoso déficit econômico, a China foi comendo pelas beiradas e tomou conta do jogo. Na América do Sul, por exemplo, Brasil e Argentina brigam contra o protecionismo e por novamente estreitarem suas relações bilaterais, porém com uma pulga chinesa atrás da orelha.

Não sei se foi possível concluir alguma coisa, mas o fato é que a forma que a China lida com a crise não é uma lição a se aprender. Porém a maneira que os chineses utilizaram para se tornarem o que são hoje é, sem dúvidas, um valioso aprendizado, exceto por suas atrocidades pelo mundo. Mas este já é um outro assunto.

Escrito por: Denis Araujo


Agradeço aos leitores deste blog. E um agradecimento especial a uma querida amiga que idealizou esta postagem.

21 de fev. de 2009

E Todo Carnaval Tem Seu Fim

É tempo de folia! Em terras tupiniquins todos entram em festa, deixam as preocupações em casa e festejam qualquer coisa, dançam qualquer coisa e cantam qualquer coisa.

Essa repetição de frases serve basicamente para demonstrar o ócio do brasileiro presente neste feriado prolongado. Na frente das muitas máscaras que vestimos no dia-a-dia, colocamos algumas outras para nos alegrar e mostrar quão festivos somos.

Contudo, visto que todo carnaval tem o seu fim, também terminamos nosso merecido descanço. E também encerram-se todas as esperanças de um feriado um pouco mais prolongado. Porém, esta folia também é invenção, é hipocrisia e esconde alguma realidade, esta que ainda poderá vir à tona.

O estranho caso da advogada brasileira, supostamente atacada por neonazistas na Suíça, demonstram duas coisas importantes: ou o carnavalesco brasileiro é realmente mal visto no exterior, ou persistimos em fazer carnaval lá fora também. Eu escolho a segunda opção e apóio o presidente Lula quando este pronunciou que devemos tratar este assunto com sigilo e cautela.

Este fato não deve ser pano de fundo para que nós, brasileiros, tenhamos vergonha de ser o que somos. Mesmo se for comprovado que a vítima sofreu um acesso de loucura ou um real ataque, ela é mais uma cidadã deste país que coloca os pés em um palco maior e sofre com o preconceito europeu.

Jean Charles de Menezes foi morto a tiros pela polícia britânica por ter sido confundido com um criminoso. Centenas de brasileiros mal chegam na Europa e logo são mandados de volta, sem falar no péssimo tratamento que recebem nos aeroportos brasileiros.

E nós continuamos de braços abertos e tirando o chapéu para todos os estrangeiros que aqui chegam. O Brasil não é inferior aos demais a tal ponto de ser tratado desta maneira. Suposto líder da América Latina em termos políticos e econômicos, o ano será de suma importância para destacarmos nossa capacidade de lidar com a crise financeira. Também é hora de nossa diplomacia entrar em ação, afinal tenho certeza de que um país deste tamanho (entende-se tamanho não somente geográfico) merece um melhor tratamento lá fora.

E abram alas porque este bloco carnavalesco está virando escola de samba!

Escrito por: Denis Araujo