23 de jan. de 2009

And the Oscar goes to...

Hollywood está em festa! Mas não somente por conta das indicações do prêmio mais cobiçado do cinema norte-americano. Superestimado ao extremo, a estatueta dourada sempre é entregue aos mesmos atores e atrizes, aos filmes clichês, além de ter a apresentação dos artistas que todos já sabem quem serão.

Superestimada também foi a posse do presidente Barack Obama. Muita festa, muitos shows e muito glamour. Assim foi a cerimônia que durou dias. Contudo, o dia pós-posse do novo presidente norte-americano já foi bastante carregado. E entre seus primeiros grandes feitos está a oficialização do fechamento da prisão de Guantánamo. Um brinde ao bom senso e à aparente presença de um real líder.

Entretanto, muita euforia se faz presente neste momento. Enquanto os EUA faziam festa, Israel promovia um cessar-fogo unilateral, após ter devastado Gaza e aniquilado centenas de inocentes. O Hamas prometeu se rearmar o mais breve possível, logo temos a certeza de que apenas encerraram um capítulo desta história, que terminou com uma pergunta no ar: e agora? Isso certamente nós saberemos na continuação desta saga.

A mesma euforia citada estará presente em todo o início do mandato de Obama. Antes de ser um herói negro, de ser um concretizador do ideal de Martin Luther King Jr., ele é um patriota norte-americano. O imaginário coletivo deve deixar de lado todas as suas representações mitológicas e perceber que o novo presidente é, na verdade, um presidente. E além disso, é presidente dos Estados Unidos. E mais do que isso: defenderá a todo custo seus interesses, sua razão de Estado, suas necessidades e seu povo, mesmo que isto tenha um alto custo.

Espero, sem sombra de dúvida, que tenhamos um ano diferente dos anteriores. Talvez nossas esperanças estejam corretas e Obama realizará um ótimo governo, pautado pela realidade dos acontecimentos. Contudo já é hora de deixar todas as máscaras cair. Não valerá a pena se continuarmos idealistas ao máximo, visto que os sonhos falam mais baixo que a realidade do nosso cotidiano.

Mas também não é hora de deixar de sonhar. Para um ano que está só começando, muita coisa está terminando. O que não pode terminar é o sacrifício, a luta diária e um pouco mais. E respeitando uma coisa de cada vez, o Brasil segue sua política externa de maneira um tanto quanto clara: está se tornando, aos poucos, uma referência da América Latina. Claro que existem desavenças, mas não podemos negar que o país segue uma linha de atuação bastante perceptível, uma vez que tenta incluir em sua agenda internacional tópicos mais relevantes para o mundo como, por exemplo, a ajuda humanitária em Gaza, assim como sua recente atuação na Bolívia (país este que tenta aumentar esta parceira com o Brasil, principalmente quando o assunto é o gás natural), proporcionando, talvez, uma maior integração (ou o início da mesma).

Sem dúvidas cada ator neste cenário global tem o seu tempo de atuação, sua aparição na telinha e sua vida no palco. Porém, gosto de duvidar da capacidade de sacrifício destes artistas da cena mundial. Quão profunda pode chegar a atuação de um governo mais forte sobre outro menos potente? Além disso, o mundo espera ansioso por uma resposta pacífica para o conflito que tanto chamou a atenção nestes últimos dias e para tantas outras guerras que a mídia não mostra mas sabemos que existem.

E recheando minha escrita, encerro minhas palavras com outras que não são minhas: “
A vida é assim mesmo. É fácil assumir uma posição a respeito de alguma coisa quando não há risco. É fácil dar esmola pra um pobre se você guarda o resto do dinheiro pra você. É fácil tomar posição contra a guerra, desde que ninguém peça que você se sacrifique... mas nem todos querem se sacrificar. Às vezes o preço de agir com as convicções é alto demais.” (Anos Incríveis, Wonder Years – 1988).

Nem todos se sacrificam, nem todos deixam de lado suas convicções.

E a vida segue. Resta saber para quem o Oscar vai. Sugestões?


Escrito por: Denis Araujo



(Leiam também meu artigo no blog do recém-formado Centro Acadêmico de Relações Internacionais do Unicentro Belas Artes de São Paulo. O texto chama-se "A Saideira de George W. Bush" e está presente em: http://odiplomatico.blogspot.com/2009/01/saideira-de-george-w-bush.html ).

Agradeço a todos pelos comentários e pelas visitas neste blog. Sugestões sempre serão bem-vindas, assim como contatos de todos que quiserem falar conosco.

Até a próxima postagem.

7 de jan. de 2009

Israel e Palestina: O Palco da Diplomacia Moderna

O conflito no Oriente Médio marca o fim do ano de 2008, após uma breve trégua entre os países, esta dada em junho, que teve seu término em meio as comemorações de fim de ano. Israel bombardeou território palestino, matando mais de seissentas pessoas, dentre elas civis e crianças, deixando cerca de dois mil feridos em cidades próximas a Faixa de Gaza. Tais ações repercutiram em todo o globo, deixando enfim a questão da eficiência da diplomacia na tentativa de uma conciliação entre as duas nações.

É impossível falar de Oriente Médio sem citarmos o que realmente tornou seus solos desérticos tão interessantes aos olhos das grandes potências: o petróleo ou “ouro negro” - assim chamado devido sua notória importância marcada desde a revolução industrial até os dias de hoje, porém somente na primeira guerra mundial o seu uso colocaria a toda prova a necessidade de adquirir esse bem, e que talvez tenha sido um dos responsáveis pela vitória da Tríplice Entente.

O Oriente Médio tinha uma importância tão grande, sobretudo naquele período, que discórdias entre as potências seriam inevitáveis - Inglaterra, Rússia, Alemanha e até mesmo a França, grande aliada dos britânicos, disputariam seus territórios. Fato que mais cedo ou mais tarde as duas nações firmariam um tratado como acontecera na África, precisamente trinta e um anos antes – A Conferência de Berlim. Apesar das particularidades, de fato a repartição da África fora muito mais complexa e com muito mais atores. Desta vez apenas Inglaterra e França fariam parte deste documento, mas não podemos deixar de lado as semelhanças no que se diz respeito ao imperialismo e ao grande poderio daquelas potências que se firmavam em todo o planeta. Chamado Skyes-Picot, nome dos negociadores envolvidos, de 1916, o tratado que dividiu o Oriente Médio em duas grandes partes foi o grande causador dos conflitos que hoje encontramos na região e que, como na África, sua partilha gerou guerras que perduram através dos anos.

Este tratado, como em resposta à situação de guerra naquela época, teve como objetivo dividir e mapear aquela área rapidamente, antes que alguém o fizesse, repartindo assim seu vasto e rico território entre as duas grandes potências do momento. Tendo legitimado os seus respectivos espaços, por meio da imposição, os anos que vieram após este tratado geraram palco de grandes conflitos entre dominados e dominantes, assim fragmentando o espaço, sobretudo os que alí habitavam.

A idéia de um Estado Judeu, com a prerrogativa de que a região situada por Israel é a terra prometida por Deus aos hebreus e é o berço da religião e da cultura judaica desde o século XVII a.C., fora iniciada pelos próprios ingleses que, além da ideologia religiosa, também existia a política. Para os britânicos seria vantajoso criar um Estado e alí enviar judeus, que por sua vez conolizariam o espaço, ficando eternamente gratos a Inglaterra, tornando a região uma zona de influência.

A criação desse Estado somente iria se concretizar em maio de 1948, com ajuda dos norte-americanos e dos ingleses, formando a primeira nação judaica no mundo. Para eles, Jerusalém unida é a capital de Israel, do outro lado a Palestina considera Jerusalém o berço de sua religão e, portanto, a futura capital da mesma.

A princípio o Oriente Médio não via com maus olhos a criação do Estado Judeu, porém com a intensificação de ajuda das super potências (econômica e militar), gerou e aumentou a evidente ameaça que se tornaria.

A mídia vem apontando Israel como a verdadeira vitima diante do caos. Se compararmos o poderio das duas nações, principalmente o poder bélico, fica evidente que Israel destrói muito mais os palestinos do que sua população é morta. Além disso, a palavra “massacre” é ofuscada pelos grandes veículos de informação e pelo discurso dos políticos.

A grande ofensiva israelense na Faixa de Gaza tem como objetivo extinguir ou fragilizar o movimento político-militar palestino, que também atua na Cisjordânia, mas que não participa da criação ou do controle de instituições públicas da mesma. O Hamas fora criado no final de 1987 com apoio da Síria, Arábia Saudita e até mesmo por Israel que, por ironia, o Estado Judeu via com bons olhos a criação de um movimento político na Palestina, visto que com ela as relações entre os dois países não seria afetada caso surgisse alguma revolta entre a população mulçumana daquela região com a presença de judeus em suas terras, os quais se tornavam mais fortes politicamente, e principalmente com um exército invicto. Estruturados pela visão ocidental - Israel por sí só apresenta uma ameaça aos países do oriente, que demonstram uma visão diferente sobre Estado e a política ligada diretamente a religião.

A caótica situação fora estruturada em torno de ideologias politicas e religiosas – Hamas, não muito diferente de outras organizações militares, vê o Estado Judeu não apenas como um invasor, mas uma eminente ameaça à sua cultura e religião, esta que caminha junto à politica interna e a externa do país. Acreditam que, muito provavelmente, um acordo com Israel (que assim como eles também consideram aquelas terras de maneira religiosa) iria conflitar com sua política e consequentemente sua religão.

O grande líder dessa Irmandade Muçulmana Palestina, o sheik Ahmed Yassin, pregou a idéia da luta armada contra o "ocupante hebreu". Preso pelo governo israelense em 1989, posteriormente solto, em uma troca de prisioneiros, mas que logo seria morto em uma ofensiva israelense. Talvez sua morte fortalecera o seu ideal, ao contrário do que os militares israelenses pensam, a situação só torna o Hamas mais forte. Mais adeptos ao grupo irão aparecer, principalmente após perderem tudo o que tinham após os bombardeios. De fato a única solução será o diálogo, mas infelizmente isso só será encarado pelos governantes quando esta situação vivida se tornar impossível de suportar – a qual não está muito longe de acontecer.

Assim como a diplomacia, a ajuda humanitária é necessária, para chegarmos ao fim do conflito que dura mais de quadro décadas. Se faz necessária uma política moderna, que transcenda o ideal religioso, visto que para ambos a guerra não é uma solução favorável. O crescimento econômico precisa de um Estado estável para que se desenvolva. Prospectar o futuro das duas nações é o grande desafio diplomático de hoje, de um lado o povo Judeu que perdera seu território, do outro uma sociedade acostumada com conflitos e valores religiosos. Enquanto tentamos entender o processo, centenas de pessoas morrem, os pais, os filhos, sobretudo a esperança de um mundo de paz e igualdade entre povos.


Escrito por: Filipe Matheus

3 de jan. de 2009

Feliz Ano-Novo: Um Brinde à Hipocrisia ou à (há) Esperança?

Mais um ano se inicia na vida de todos. Mais um momento em que deixamos as roupas brancas da paz no armário para serem usadas no cotidiano, afinal no próximo dia 31 de dezembro espera-se que todos estejam estreando algum pano novo. Dois mil e nove começou bem antes das festividades de ano novo. Na verdade, quando perceberam o genial trocadilho com o algarismo 9 (dois mil INOVE), perceberam também que esse momento pode ir além do que um simples ano.

Quando Barack Obama foi eleito como o novo presidente dos EUA, alguns fiéis jogaram flores no mar e acenderam velas para Iemanjá. A chama da esperança estava novamente acesa, tendo em vista os planos traçados pelo novo presidente. "Vem aí um presidente que despertou esperanças em muitas partes do mundo - esperanças excessivas, creio, porque embora seja um homem honesto - e acredito que seja -, um homem sincero - e acredito que seja -, um homem não pode mudar os destinos de um país, muito menos dos Estados Unidos", nas palavras de Raúl Castro, atual mandatário de Cuba. Os cubanos não encontram-se desesperados, mas sim ansiosos para virar a página do esquecimento e se aproximar de maneira controlada dos EUA (bastante controlada, visto que Raúl Castro é irmão do líder Fidel Castro).

Entretanto, existe uma página que não vira e um fogo que se extingue a cada chama acesa. Os acordos de paz entre Israel e o Hamas foram por água abaixo e antes mesmo do champanhe ser aberto, a Faixa de Gaza foi um espetáculo não de fogos de artifício, mas de foguetes, bombas e mortes. O Conselho de Segurança da ONU não chegou em nenhuma resolução ou medida em suas reuniões. Enquanto estão debatendo como começar, o presidente Lula já lançou a primeira pedra. Nas palavras do mandatário "o que está provado é que a ONU não tem coragem de tomar uma decisão de colocar a paz naquilo lá e não tem coragem por que os Estados Unidos têm o poder de veto e, portanto, as coisas não acontecem”, e acrescentou: “Não pode apenas os EUA ficarem negociando, porque eles já provaram que não dá certo”.

Lula defende, ainda, que o Brasil possa participar mais diretamente das mediações do conflito. "Penso que nós do Brasil vamos trabalhar para fazer um esforço muito grande junto aos outros países para ver se a gente encontra um jeito para aquele povo parar de se matar e parar de se violentar", comentou o presidente. Além disso, o Brasil possui boas relações com os governos do Egito e da Palestina, o último que solicitou ajuda humanitária brasileira.

O fato é que fica evidente a impotência norte-americana em uma situação como esta. Sabemos bem o quanto os EUA e Israel mantém estreitas relações. Qualquer ação direta ou pronunciamento de Barack Obama poderá comprometer a própria imagem dos americanos frente a uma situação tão antiga e tão complicada, imagem esta que a mídia ainda tenta tornar inabalável. E o Brasil, por sua vez, quer ser alguém no mundo, quer mostrar sua força e sua capacidade de lidar com situações extremas em relações internacionais para divulgar ao mundo seu poder. Mas qual poder? Pergunto-me: de que maneira o Brasil quer se tornar um ator global mais ativo sendo que ainda é um péssimo ator no palco nacional? Ajuda humanitária é uma boa ação e manter o diálogo com outros líderes também. Mas que o Itamaraty se limite a isso, afinal não acho que uma ação efetiva possa ser o caminho. Enquanto isso, vamos esperar pelo resultado da escolha do Comitê Olímpico para saber se Rio de Janeiro será palco dos Jogos Olímpicos de 2016. O Brasil quer abrir as cortinas para o mundo, tal qual fez a China neste ano que terminou. Poderemos viver Beijing 2008 em 2016? Veremos.

Enquanto isso, na praia de Copacabana, cinco pessoas foram baleadas nas comemorações. Em Portugal, um modelo (e ator nas horas vagas) brasileiro foi encontrado morto... Na praia. Mil e quinhentas pessoas participaram de um tumulto generalizado... Na Praia Grande. E em alguma pequena praia se escondem as milhares de pessoas que se refugiaram da tão famosa selva de concreto ambientada nas grandes metrópoles do país.

E que os sonhos de ninguém morram na praia, afinal dois mil e nove está apenas começando.

Escrito por: Denis Araujo

9 de dez. de 2008

Retrospectivas da Consciência

Acho incrível quando me deparo com as grandes avenidas movimentadas. As mais variadas pessoas indo para os mais variados destinos, correndo atrás dos mais diversos objetivos. O curso da História nos mostra o quanto que os roteiros dos grandes artistas do mundo tornaram essa peça que a gente chama de vida um pouco mais complicada, um pouco mais imperceptível e muito mais simples e dinâmica.

Entretanto também me deparo com situações bastante curiosas e que me surpreendem de maneira bastante positiva. Um exemplo disso foi um evento que tive a grande honra de participar no colégio em que me formei. Este evento é realizado por alunos do segundo ano do ensino médio e, desprovido de seus valores e libertando-se da grande influência da cultura de massa que os domina, os estudantes defenderam e criticaram idéias que todos os dias fingimos que não existem ou que não importam. Afinal de contas, não é todo o dia que assisto jovens de 16 anos dialogando tão bem sobre a mídia, sobre a sexualidade, sobre o cotidiano do mundo, sobre política, entre outros. Em suma, dialogaram sobre suas próprias vidas, mas não da maneira que vivem, e sim como se pudessem ser, por alguns instantes, agentes observadores de si... Em resumo, como se fossem sua própria consciência.

Gosto de acreditar que o mundo não está perdido, como disse minha mãe uma vez. Prefiro acreditar que cada um pode, no mínimo, ser responsável pelo que pensa, pela música que o guia e pelo mundo em que vive. Doce ilusão a minha quando me recordo do sofrimento dos africanos em seu continente. Recentemente escrevi um artigo sobre a Conferência de Berlim e nele pude expor de maneira crítica o sofrimento que o povo da África sofreu e ainda sofre. Me recordo da frase de um líder africano, que disse que “o desenho original da África foi combinado em Berlim”. Mas ele estava enganado. Não só o desenho continental, mas o desenho vital do povo também foi feito pelas grandes potências, culminando em um desastre absurdo.

Ainda alimento esta ilusão quando me deparo com a precariedade da sobrevivência das classes menos favorecidas no Brasil.

Mas o que penso não é apenas sonho. É, na verdade, uma ponta de esperança. Sabem o por quê de eu ter me sentido muito bem quando assisti ao evento no colégio? Exatamente porque percebo que quando os adolescentes querem, eles conseguem ir muito além da aparência. Mas não somente os mais jovens. Acredito que todos podem ser assim. Todos tem a capacidade, se quiserem, de refletir sobre o mundo onde vivem, sobre o que são, sobre sua essência. Nietzsche resume muito bem todo esse pensamento quando diz “torna-te quem tu és!”. E acho que é assim mesmo que deve ser. O ser humano vive preso a tantos valores, a tantas pressas e tantas preocupações, que muitas vezes esquece-se de si mesmo, de quem é.

Não é uma questão de ser positivo. É uma questão de consciência. Esta é o pano de fundo para todas as ações, para todas as vivências, para todas as observações e análises. Nada pode ser tão mal feito quanto invadir o Iraque, manter tropas no Afeganistão e preocupar-se com o Paquistão de maneira tão equivocada ou, no mínimo, mal planejada. Nada pode ser pior que repreender um povo que luta por sua autonomia de forma tão violenta, como ocorre na Espanha (País Basco), China (Tibete), Rússia, entre outros.

Nada pode ser tão mal feito quanto não pensar no mundo onde vivemos. Simplesmente não dá para não se importar com a vida, deixando-a cada vez mais monótona. Neste evento que pude participar defendi que a crescente classe média do Brasil é a que mais sofre com diversos agravantes, como por exemplo o preconceito e o comodismo. A classe alta repudia os medianos que não conseguem atingir seu elevado patamar, enquanto que a classe baixa os repreende por tê-los deixado. E ao invés de demonstrar o valor que possui, o brasileiro acomoda-se com uma vida média, com pensamentos médios, com vivências médias.

A vida é muito para ser simplesmente média. Quem ensina são os marginalizados da sociedade, os pobres, os que passam fome, os desempregados, os que nada tem com a guerra mas que perdem seus parentes injustamente... Estes sim são os maiores professores e nossa consciência é o melhor dos instrumentos do nosso próprio aprendizado. É nisso que acredito, inconscientemente, no meu silêncio cotidiano.


Escrito por: Denis Araujo

22 de nov. de 2008

Meio Ambiente – O Slogan das Empresas, O Discurso dos Governos.

Nota-se a importância do meio ambiente pela sua magnitude - grandes catástrofes e especulações sobre o futuro da humanidade; questões como as devastações das florestas e a grande quantidade de emissão do CO² na atmosfera. As mesmas que provocam o “temor” da sociedade de modo geral vem sendo vistas por governos e empresas como uma grande oportunidade para se auto-promoverem, e não somente. Traz-se-ia um questionamento:

“Quando encararemos esses problemas como algo que, de fato, irá mudar o futuro dessas gerações e das próximas?”.

Conferências como resposta à crise ambiental tem sido significativas, mesmo que as mesmas não nos trazem resoluções. Mas elas são, em suma, uma grande evolução sobre o tema. Nações, de fato, “engolem” o orgulho e a vontade de consumir além do que o planeta pode oferecer, trazendo questões e formas de se reduzir o processo de “auto-destruição” do planeta.

A Cúpula da Terra foi uma delas, em 1992 - sediada pelo Brasil e que apresentou representantes de cento e quarenta e sete nações, entre eles Al Gore, que na época ocupava o cargo de vice presidente.

Seu objetivo foi trazer resoluções acerca do desmatamento de florestas e sua preservação, assim como o próprio aquecimento global. Pesquisas realizadas na época mostravam a importância da emissão do CO² no aumento da temperatura do planeta, e que 20% dessa emissão decorreria dos desmatamento de florestas.

Politicamente o Brasil obteve êxito, pois sediando essa conferência, viu-se uma oportunidade de mostrar sua importância à outras nações, não somente pela vastidão de florestas em seu território, mas pela política que a nação visava para a preservação. Fato é, que o Brasil deixa de ser o grande vilão, passando para uma nação que também estava presente na conferência. Os Estados Unidos fora e ainda é um dos maiores poluidores do mundo, em seguida a China, que na época ainda não se mostrava como sendo uma nova potência mundial.

A política que seria adotada pelos EUA à respeito ao meio ambiente seria mudada com seu novo representante, o então famoso presidente George W. Bush, que visando apenas a guerra no Iraque, pouco avançou nas negociações para diminuir as emissões de gases poluentes.

Em palcos menores, em 1979, na primeira conferência mundial do clima, em Genebra, na Suíça, assim como em três outras realizadas em Villach, na Áustria, Toronto, no Canadá, a importância de se enfrentar o problema das mudanças climáticas destacavam-se pelos especialistas em meteorologia.

Eis um breve parágrafo da conferencia de 1979 acerca dos gases de efeito estufa:

“A longa dependência que a sociedade tem dos combustíveis fósseis, como fonte de energia, junto com o desmatamento ininterrupto, provavelmente provocarão aumentos maciços de emissões de dióxido de carbono na atmosfera, em décadas e séculos futuros. A compreensão atual dos processos climáticos conduz à clara possibilidade de que esses aumentos de dióxido de carbono possam ter, a longo prazo, mudanças significativas e possivelmente capitais no clima em escala global.”


Tantas discussões refletem no que hoje chamamos de consciência ambiental. Slogans de empresas tentam convencer seus clientes que, de fato, estão agindo para melhorar o planeta. Verdade ou não, o fato é que a população não só deve exigir atitudes de seus governantes, mas também no seu dia-a-dia a influenciar outras pessoas que o siga nesse ideal, obstinando-se do consumismo e aderindo a uma ação conjunta para que possamos respirar melhor e preocupando-se menos com o aumento do nível do mar.

A questão que vos deixo é:

“ Poderá, então, somente o governo e organizações de um modo geral garantir o futuro dos nossos filhos?”



Referência Bibliográfica:
MAGNOLI, Demétrio. História da Paz. Ed. Contexto, p.418-419


Escrito por: Filipe Matheus

10 de nov. de 2008

G-20: Motivações Precisas de Um Otimismo Incerto

Domingo, 9 de novembro de 2008. Esta foi a data em que se encerrou a reunião do G-20, que une os países mais desenvolvidos e os países emergentes. Flashes e cafezinhos a parte, me alegro pela transparência que o ministro da Fazenda Guido Mantega conversou com os jornalistas no encerramento da cúpula, este que foi o coordenador da reunião. Mas mais do que isso, as intenções do presidente Lula em seu discurso de abertura aparentemente foram bem representadas e bem dialogadas.

Independente dos frutos que serão colhidos com essa reunião e posteriormente com a Cúpula de Washington que ocorrerá neste sábado (15 de outubro), uma coisa ficou bem clara, em fala do próprio ministro Guido Mantega: “As medidas tomadas até o momento são ineficientes!”. E estas palavras surgem em um momento bastante propício visto que, no mesmo dia, a China anunciou um auxílio de mais de 500 bilhões de dólares, similar a atitude norte-americana, a da Alemanha e de outros países alarmados com a crise econômica. A própria revista Carta Capital do dia 22 de outubro adiantou que certos exemplos deveriam ser seguidos (como a atitude britânica que, ao invés de despejar montantes de dinheiro para comprar dívidas de bancos, resolveu despejar capital diretamente nos balanços dos bancos e em troca assumindo parte de sua propriedade). Em outras palavras a revista aponta que “em vez de retirar água do recipiente que vaza, (...) estão tentando tapar o vazamento”. Ou seja, não adianta promover medidas emergenciais para tentar atenuar a crise, já que o mais correto seria corrigir o problema principal. E é exatamente neste ponto que os países emergentes poderão auxiliar.

Um dos resultados visíveis da reunião do G-20 (ao menos no ponto de vista teórico) é que as economias em desenvolvimento desempenharão um papel fundamental para combater a crise e auxiliar as grandes potências a retomarem o curso natural das coisas. Guido Mantega afirmou na coletiva de impressa do encerramento da cúpula que “o melhor instrumento contra a crise é o G-20”, e adiantou que “o Brasil defenderá uma regulamentação e uma fiscalização mais rigorosa”. Ao menos é isso o que se espera, como também se espera uma reforma nas instituições internacionais, como no Banco Mundial e, principalmente, no FMI (Fundo Monetário Internacional).

Contudo, durante todo o governo norte-americano de George Bush, três palavras deixaram de estar sublinhadas em sua agenda de política externa: América do Sul. Em outras palavras, o continente sul-americano foi deixado de lado. Claro que o presidente dos EUA e o presidente Lula da Silva tornaram-se aparentemente amigos quando o assunto foi o etanol, mas creio ter sido apenas uma nuvem passageira. Este distanciamento ficou notório nos últimos anos, tendo em vista que outros elementos estiveram muito mais destacados, como a atual guerra no Iraque e os problemas enfrentados no Afeganistão, além da própria corrida eleitoral e problemas domésticos. O que se espera de Barack Obama é que haja, agora, uma aproximação entre os EUA e o Brasil, visto que o principal tópico da pauta é a crise econômica.

Quando o assunto é esta aproximação, o chanceler brasileiro Celso Amorim mostra-se otimista, porém cauteloso. “Vem com amor, mas com o respeito também”, disse o ministro à Folha de S. Paulo de 9 de novembro. Este defende um “otimismo vigilante”, visto que, democrata ou republicano, o governo norte-americano é poderoso e pode muito bem aplicar protecionismo comercial, além de práticas intervencionistas na América Latina. Ou seja, as expectativas são boas, mas teremos que aguardar.

Por fim, destaco que a Cúpula de Washington servirá para observarmos se as intenções multilateralistas das grandes potências se confirmarão. Um fato é estarem cientes da importância deste multilateralismo e de uma maior influência dos países emergentes na cura desta crise econômica (visão teórica). Outro fato é se as grandes potências estarão dispostas a discutir novamente e chegar em uma resolução da Rodada Doha, por exemplo (visão prática).

Segue o otimismo, mas também segue a apreensão. Poderão as grandes economias mundiais cederem seus orgulhos e colaborarem para a salvação? E os países emergentes: poderão estes mostrar sua força com atitudes práticas? Certamente não perderemos o próximo capítulo desta história.


Escrito por: Denis Araujo

7 de nov. de 2008

Barack Hussein Obama II: A Imagem de Esperança e Carisma do Novo Governo Americano

A partir de hoje Filipe Matheus (colega internacionalista) fará parte deste blog, colaborando com suas visões e idéias acerca das cenas cotidianas que assistimos o mundo viver. Desde já agradeço e espero que esta parceria possa render frutos importantes e que possamos ampliar os horizontes de pensamento dos nossos leitores e de nós mesmos.



Dia 4 de novembro de 2008 o povo americano elege seu novo presidente, Barack Hussein Obama, tido como o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Todos comemoraram sua vitória, não apenas por ser a vitória de um negro, mas a vitória do povo americano contra o conservadorismo.

O recém eleito presidente formou-se em Harvard e na Universidade de Columbia, cursado em direito e política, esta com ênfase em relações internacionais, explicando a sua maior flexibilidade no que se refere em questões de política externa. Sem experiência no cargo executivo, foi alvo de questionamentos a respeito da sua capacidade de liderar o país, que hoje perde em prestígio e economia instável.

Obama, carismático e eloqüente, encantou rapidamente os latinos, a classe rica e as mais pobres, sobretudo os negros. Nunca em uma campanha houve tantas doações. Cerca de 1,6 bilhões de dólares foram arrecadados, deixando seu concorrente John McCain bem atrás desse número.

A corrida presidencial foi bastante assistida pelo mundo inteiro. Intrigas envolvendo seu nome e de um ex-colega tido como terrorista foram armas contra sua campanha, mas que pouco influenciaram na hora da votação.

Dias antes da eleição, representantes da União Européia visto se diziam a favor do futuro presidente, mas que torciam principalmente por Barack Obama, já que sua visão estreitaria os laços entre a Europa e os EUA, que se demonstraram tão afastados na atual política de George Bush. Temendo a expansão econômica da China e a política externa hostil da Rússia, se faz necessária uma aliança mais fortalecida entre norte-americanos e europeus.

Ao início das eleições, Barack Obama começa com uma grande vitória: o estado da Pensilvânia o elege. Aos poucos sua candidatura foi se legitimando com estados como o de Nova York e Massachusetts. Mas foi a vitória em Ohio que simbolizou a perda de seu oponente: nunca nenhum republicano venceu sem o apoio desse estado.

Perto das 2 horas da manhã, horário de Brasília, Barack Hussein Obama chega ao poder e a liderança da casa branca. Mas o que ficam são os seguintes questionamentos: poderá ele, enfim, retirar o país da lama? Será que sua política externa será tão diferente da antiga política? Será tarde demais para os EUA, já que a China já se assume como nova potencia econômica mundial? Os subsídios agrícolas defendidos por ele prejudicarão ainda mais os laços entre os países?

Talvez não saibamos ao certo, mas que é possível imaginar o novo cenário e indagarmos se a democracia americana e seu modo capitalista ainda é um ideal a ser seguido.



Gostaria de agradecer a Denis Araujo por ter me apresentado essa idéia magnífica de escrever sobre notícias diversas do âmbito internacional. Isso me inspirou muito como aluno e espero que inspire não somente alunos da área mas a todos que se interessam por questões globais.


Escrito por: Filipe Matheus