Pois é, são tantas notícias que às vezes fica difícil escolher qual ler primeiro e qual simplesmente deixar pra lá. A verdade é que nenhuma deve ser esquecida.
O mês de outubro foi marcado pela apreensão. O mundo vivendo um forte colapso econômico. As chancelarias e os ministérios da fazenda se pronunciando, com a finalidade de explicarem o que acontece, ou pelo menos para demonstrar seriedade e calma na hora de discutir os rumos da economia. Lembro bem quando a crise bateu na nossa porta e nosso presidente humildemente disse: “Nós estamos preparados! A crise não vai nos afetar!”. Lula estava meio certo.
Pouco a pouco o Brasil viu-se na obrigação de tomar medidas emergenciais. O governo federal não ficou de braços cruzados e teve de agir de forma bastante ponderada. O governo estava e ainda está preparado para o que está acontecendo, desde que os cálculos feitos até agora não se mostrem incorretos dentro de alguns dias, semanas ou meses. O fato é que não se sabe ao certo como será o futuro da economia mundial. Mas o país está caminhando bem, mesmo que a passos lentos.
Essa semana foi concretizada a união do Itaú com o Unibanco. Não vamos nos prender aqui se foi uma atitude boa ou não. Mas a Bovespa já sentiu essa atitude: ontem as ações dos dois grupos subiram bastante, e hoje estão indo muito bem, obrigado. A junção das operações dos dois bancos fez nascer o maior banco do hemisfério sul, dando forma a potencialidade do Brasil frente os demais países emergentes da América Latina e África. O jornal Pagina 12 da Argentina acentua muito bem o papel primordial do Brasil na economia de seu país, quando publicou recentemente em uma de suas matérias “(...) la sensación de vulnerabilidad no está supeditada a acontecimientos lejanos e incomprensibles, sino a la suerte del ajuste entre el real y el dólar. O dicho de otro modo, a la capacidad del Banco Central de Brasil de poner bajo control al mercado cambiario. Subordinados, sí, pero a un vecino conocido, socio y, además, poderoso.”
Agora, deixando de lado o assunto em questão, passemos a debater agora o principal assunto da pauta de 2008: as eleições norte-americanas. Sim, existem zilhões de artigos jornalísticos, blogs e afins que tratam deste tema. Entretanto não existem zilhões de formas de pensar.
Agora são exatamente 13h30 no horário de verão. Os diversos fusos americanos me impossibilitam de citar o horário por lá. Mas independente do momento do dia, gostaria de mencionar a postura da CNN (www.cnn.com) e de outras emissoras e veículos jornalísticos: 90% estão com o cacoete de dizer que 4 de novembro é um dia histórico. Mas qual é o momento em que se faz história: na esperança americana? No sonho americano? No American Way of Life? Vou dizer a minha visão da história.
Barack Obama poderá ser eleito dentro de algumas horas. Jovem negro, negro inteligente, negro objetivo, negro democrata e negro negro. Li há alguns instantes uma frase que ele é o novo Martin Luther King. Negro.
Por que bato nesta tecla? Pois bem, segue a explicação. Obama representa a esperança norte-americana de retomar o desenvolvimento. Também representa uma revolução nos padrões governistas dos republicanos, já que o mundo teme que McCain seja eleito o novo Bush. Mas ele não é somente isso. Ele é um jovem senador (McCain é idoso); negro (McCain branco); Democrata (McCain republicano); McCain é veterano de guerra (Obama não).
Que atire a primeira pedra quem já assistiu um filme cliché americano tendo como protagonista um herói negro, estudioso, que não esteve em uma guerra, possui forte ligação com parentes na África e ainda defende uma gradativa retirada das tropas americanas de algum lugar!
Caro leitor, não estou tecendo críticas a nenhum dos candidatos. Apenas gostaria que pudesse perceber uma coisa: Obama pode ter a personalidade e a imagem da perfeição, da mudança, da revolução e que boa parte do mundo deseja ver. Mas na hora de votar, quem é que afirma que o preconceito absurdo e o conservadorismo exagerado dos americanos não vão vir a tona? Posso estar queimando minha língua quando digo e meus dedos quando digito, mas a história se fará quando Obama for eleito honestamente. Mas se fará mais ainda se Obama seguir fielmente sua frase de campanha “Change: we can believe in!”.
Negro, branco, oriental. Republicano, Democrata. Homens, mulheres...
Políticos são políticos. Na hora da campanha todos assumem uma postura. Mas a chamada Razão de Estado que os realistas tanto afirmam falará mais alto. Ou o mundo acha que Obama vai virar os Estados Unidos de cabeça pra baixo e mudar tudo? Sejamos coerentes: a linha de governo republicana irá perdurar por mais algum tempo, mesmo com o democrata no poder. Se ele tiver a mão firme, ele guiará esse trator de forma surpreendente. E esse é momento que a história se faz, não por ser negro, mas por ser correto e apagar George Bush da mente do povo.
Ah, quando disse que o Cristo ficou rosa, foi um fato verídico, mesmo que por pouco tempo. Maradona também está no cargo de técnico da seleção argentina, mesmo que por tempo incerto e sucesso indefinido.