13 de abr. de 2011

O Brasil Negocia em Mandarim. E Negocia Bem!

A China tornou-se o maior parceiro comercial do Brasil, ultrapassando os Estados Unidos. Esta não é nenhuma novidade. Também não é novidade que esta relação é pautada naquilo que os países exportam de melhor: no caso do Brasil, as commodities; do lado chinês, os produtos manufaturados. De maneira correta, ambos buscam sanar suas deficiências produtivas com as melhores ofertas que o parceiro possui.

A presidente Dilma Rousseff realiza viagem pela China, no intuito de fortalecer os laços desta parceria que, ao que tudo indica, será o foco dos próximos anos. Adquirir produtos manufaturados a preços menores vai de encontro às intenções do governo brasileiro em fortalecer o consumo deste segmento e, por outro lado, o país se mantém como um dos grandes provedores de matéria-prima (em especial o minério de ferro) para os chineses - o que garante uma aliança comercial de extrema importância.

Essa relação esconde, ainda, vantagens importantes para o Brasil. O preço do minério de ferro adquire uma certa volatilidade no mercado, o que confere que de tempos em tempos atinja preços acima da média. Tendo em vista a enorme demanda chinesa por essa matéria-prima, não importará o preço: basta os brasileiros terem oferta que a China vai comprar.

Além dos fatos mencionados, ambos os países assinaram um acordo que favorece ao extremo o Brasil: o acordo dos tablets. Este produto, que hoje possui um preço médio bastante elevado, passará a ter um valor mais acessível a partir da construção de uma grande fábrica em terras brasileiras. Os iPads passarão a ter um preço até 30% mais baixo (afinal não serão mais importado e serão isentos de muitos impostos) e certamente vão modificar o preço de todos os aparelhos do segmento em um futuro próximo. Isso garantirá a criação de muitos postos de trabalho, além de se enquadrar em uma proposta educacional no Brasil,que prevê a distribuição destes aparelhos nas escolas públicas.

Após receber a visita de Obama e ir à China, percebemos que o governo brasileiro está seguindo uma agenda internacional bastante hierarquizada, indo de encontro aos seus interesses, antes mesmo que outros venham nos procurar. Mais do que isso, ao reunir-se com os Brics (grupo dos principais países emergentes, ou seja, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o país demonstra que segue seu rumo pautado em demasiada estratégia.

Contudo, o governo brasileiro precisa frear sua ansiedade quando falam de China. Os chineses não vão alterar sua moeda da mesma maneira que, sem isso, o Brasil não vai reconhecer o parceiro como Economia de Mercado. Soma-se a isso o fato de que por mais que o governo brasileiro queira (mesmo que em menor medida do que o governo anterior) uma reforma na ONU e participar mais ativamente das decisões do Conselho de Segurança, a China não vai defender de maneira tão enfática que isso aconteça.

As negociações prosseguem e podemos afirmar que ao menos no plano internacional o Brasil segue muito bem, sem cometer os exageros do governo anterior. Acho que o país aprendeu uma importante lição.

Escrito por: Denis Araujo

19 de mar. de 2011

Vem Obama, Vem!

O que esperar sobre a visita de Barack Obama ao Brasil? Sem dúvidas esta é a pergunta que todos os brasileiros estão fazendo neste momento. O país não se prepara desta maneira desde que o ex-presidente Bush veio para nossas terras há alguns anos. Entretanto, mesmo recebendo mais uma vez um chefe de Estado norte-americano, há diferenças bastante sensíveis na visita do atual presidente com relação ao anterior.

Não precisamos citar certos simbolismos que os telejornais estão fazendo questão de enfatizar. O fato de um presidente dos Estados Unidos nunca ter nos visitado sem que antes um presidente brasileiro tenha ido de encontro a ele na Casa Branca não muda em nada a situação. Repito: não muda em absolutamente nada, a não ser no imaginário do povo brasileiro, que gosta de acreditar que os americanos tem uma dívida para conosco. Porém, o maior símbolo dessa visita não é a vinda de Obama, mas sim, de sua esposa. Michelle possui uma agenda diferente, com ações e propósitos próprios - algo que a presidente Dilma enxerga com olhos maravilhados, afinal de contas a mulher, neste país, começa a ganhar uma força e uma expressão jamais vista.

Deixando os marcos de lado, o importante é perceber a conjuntura atual da visita de Barack Obama ao Brasil. Os EUA não sairam completamente da crise e pouco a pouco percebem uma China mais poderosa, mais fortalecida. O desemprego em terras norte-americanas ainda é um problema, como é um problema o não cumprimento das promessas iniciais de governo, como o fechamento de Guantánamo. O presidente enfrenta uma falta de credibilidade que se mostra claramente com as últimas vitórias republicanas no congresso, o que mostra que todo aquele apoio inicial dos democratas já não existe com tanta intensidade.

Por outro lado, o Brasil ainda está na crista da onda de Lula, reafirmando sua condição de ser um dos poucos países que sobreviveram à crise e se aproveitaram dela. A imagem brasileira segue forte, tal qual a sua capacidade de barganha econômica. Todos sabem do poder do mercado consumidor brasileiro e muito provavelmente é isso que Obama veio buscar: uma maior integração entre os países.

Diversos setores da indústria brasileira e norte-americana também estarão reunidos durante a visita, afirmando acordos mais pontuais, ao invés daquele do famoso etanol brasileiro que Bush veio buscar. Mais do que isso, as duas maiores economias do continente têm tudo para se aproximar um pouco mais desta vez. Pouco se fala na televisão, mas um dos acordos que provam isso é que os EUA estudam a possibilidade de não mais solicitar o visto de viagem para os brasileiros - prova de que a confiança entre ambos é grande.

Recheado de cerimoniais, gosto de acreditar na força da diplomacia brasileira, mas muito mais na barganha dos empresários. A paz entre EUA e Brasil sempre esteve selada, mas está na hora da economia brasileira tirar um proveito mais firme e igualitário dos americanos, não como dependentes, mas como sócios. Por sorte isso está acontecendo, ou será muita coincidência o presidente Obama fazer seus discursos no Rio de Janeiro?

Escrito por: Denis Araujo de Oliveira

12 de jul. de 2010

Escrever é um dom, um presente. Algo que recebemos e que não podemos simplesmente deixar de lado ou passar para outro.

O blog está temporariamente fora do ar, por conta da falta de tempo. Novas ideias estão chegando e, provavelmente, algo diferente surgirá deste Silêncio Cotidiano.

Até breve.

Denis Araujo

2 de abr. de 2010

Quem Segura o Google?

Não é novidade para ninguém que a empresa Google é um gigante na internet e até mesmo fora dela, com tantas novidades e notícias espalhadas pelo mundo. E também não há nada de novo ao afirmar que empresas inovadoras e expansionistas tendem a invadir certos espaços de risco. E é exatamente isso que acontece na China.

Quer algo novo? Bom, o que direi a seguir não é: o governo chinês ainda mantém firme seu controle sobre a mídia, censurando aquilo que não lhes parece positivo. E o site de buscas fica nesse impasse. Como permitir uma busca perfeita em um país um tanto quanto opressor nesse sentido? O Google perde força, certo? Errado. Mesmo contrariando a ordem chinesa, o site continuou com sua plena utilidade, violando as leis do país e deixando de lado a censura imposta. Mais do que isso, a empresa transferiu sua base operacional e hospedagem para Hong Kong, que possui autonomia na República Popular da China, o que facilita a ação de Larry Page e cia.


O Google não é (e está longe de ser) uma organização internacional. Entretanto, a empresa mantem-se acima da ordem de certos Estados. Na realidade, a evolução da internet permite que esse tipo de fenômeno aconteça. O curioso é que a China está sendo vencida no quesito da censura e do controle social, algo difícil de se imaginar mesmo no século XXI.
E mais curioso ainda é que os norte-americanos afirmam que as atitudes da empresa dizem respeito apenas à própria e que as relações EUA-China permanecem inatingíveis.

Os mais céticos preferem afirmar que o caso trate-se de mais uma intervenção à moda democrática norte-americana, para conhecer melhor o que há no oriente, especialmente na China. Mas será que o Google é uma ferramenta do Estado? Ou é uma corporação transnacional que possui poder acima de qualquer ordem?

Estes questionamentos não se referem ao "mais do mesmo", como estamos acostumados ao analisar as relações Estado-empresa-Estado. O que se verifica neste momento é o fato de uma empresa manter-se desprendida dos laços políticos de sua terra e violar as leis de outra, para seu puro bem-estar. Discutir este caso não é a mesma coisa que dialogar sobre a influência que a Coca-Cola ou o McDonald's possuem no mundo. Acredito que o Google é, para a China, um instrumento de risco em todas as suas faces, característica não mais vista nas companias anteriormente citadas.

Uma empresa privada que transcende a ordem dos Estados e o sistema internacional. O surgimento de algo novo ou a repetição de fenômenos possíveis já vistos na história? Pausa para a reflexão, porque há muito por trás disso.


Escrito por: Denis Araujo

27 de fev. de 2010

A Concordata do Esporte

Falar de futebol é fácil. É só ver a rede balançar, correr pro abraço e comemorar no final do dia. Mas quando falamos da administração de um clube, a história é diferente. E é mais diferente ainda quando se trata do futebol inglês.

A notícia futebolística da semana (além dos lançamentos de alguns uniformes para a Copa do Mundo, das rodadas da Taça Libertadores da América e da Copa dos Campeões da Europa) foi a medida encontrada pelo Portsmouth (tradicional clube da English Premiere League) para não ter que fechar suas portas. Atolado em dívidas de mais de 70 milhões de Euros (aproximadamente 174 milhões de Reais), o Pompey (como é conhecido por seus adeptos) será administrado judicialmente para escapar da falência. Esta decisão deverá rebaixar o time (atual lanterna) para a segunda divisão, visto que prevê a perda de 9 pontos no campeonato inglês como forma de punição. O curioso é que boa parte dessas divídas são com a Receita Federal.

Mesmo sendo o primeiro clube inglês a passar por uma situação destas, muito provavelmente não será o último. Na Inglaterra, os clubes passaram a adotar medidas extremamente liberais de administração, permitindo a intervenção de diversos investidores e empresários. Esta intervenção faz com que os times comprem jogadores aos montes (sendo a grande maioria estrangeiros), pagando salários milionários e alterando a identidade do futebol inglês, que hoje possui mais jogadores de outros países do que nacionais.

A liberalização dos clubes é tão grande que muitos clubes optaram pela captação de recursos através do mercado financeiro. Hoje, qualquer um de nós pode comprar ações dos times mais populares na Bolsa de Londres. No entanto, esta "revolução econômica do futebol" é, na verdade, um fracasso em quase todos os seus lados. Os ingleses imaginaram que já que o esporte é tão popular e tão históricamente importante no país, os torcedores certamente iriam participar mais ativamente e investir nos clubes de seus corações. Mas a realidade tornou-se outra, visto que o medo do negócio ser pouco rentável fez com que a população não aderisse ao movimento.

Clubes de extrema tradição encontram-se endividados e parecem não se importar muito com isso. Um dos casos mais perigosos é o do famoso Liverpool, que mesmo devendo muito dinheiro, continua realizando contratações. É quase óbvio que um clube desse porte jamais sofrerá uma intervenção administrativa por conta de seus inúmeros investidores e por conta de sua gigantesca receita. Contudo, este é mais um exemplo de que o futebol, outrora uma paixão dos esportistas, virou um negócio fantásticamente rentável de algumas décadas pra cá, e igualmente perigoso.

O futebol argentino vive uma situação bastante parecida. Boca Juniors e River Plate (dois dos times mais populares do mundo) encontram-se com graves problemas financeiros, tendo que encarar uma competição com elenco reduzido e jogando partidas fracas tecnicamente. Quem algum dia chegou a imaginar que Banfield, Estudiantes de La Plata ou Colón iriam dominar o campeonato e que os poderosos estariam próximos da lanterna?

Engraçado que no Brasil ninguém comenta absolutamente nada. Os clubes cariocas são tão endividados que nem conseguem pagar em dia os salários dos seus astros, porém há muito tempo que esse assunto não aparece nos jornais e nas revistas. Tudo isso porque no Brasil ainda se fala muito mais de futebol do que de negócios. Ainda.

Escrito por: Denis Araujo

8 de fev. de 2010

O Que Há Entre Irmãos?

O filme ainda nem estreou no cinema mas esta semana tive a oportunidade de assisti-lo. "Entre Irmãos" não é um filme genial, mas chama a atenção para um tema interessante, desde que se permita este tipo de análise.

O enredo é simples: um jovem adulto norte-americano (Tobey Maguire) é convocado para combater no Afeganistão logo no início do século XXI. Ele é o filho exemplar, bom marido e ótimo pai, mas infelizmente terá que deixar tudo para trás. Sua esposa (Natalie Portman) precisa manter-se firme e acreditar que ele voltará logo.

O rapaz mal chega no país da guerra e logo seu helicóptero é abatido. O militar é feito refém, mas nos EUA divulgam-se apenas as notícias sobre sua morte, e agora sua família teria que encarar todo esse drama. Seu irmão (Jake Gyllenhaal) passa a dar as caras mais vezes, após ter ganho condicional da prisão. Como já é de se esperar, seu pai o detesta e o culpa por ter perdido um filho tão exemplar na guerra. E como também já é de se esperar, o ex-presidiário passa a se envolver mais com a família do irmão, criando fortes laços com suas sobrinhas e sua cunhada, com quem passa a viver um breve romance (breve mesmo).

Entretanto, logo o militar é salvo e todos descobrem que este não estava morto. Ao regressar, encontra-se psicológicamente alterado. Frio, sem sentimentos, sente-se um verdadeiro estranho em sua casa e todos os seus familiares (incluindo esposa e filhas) passam a estranhá-lo. Sua "loucura" é extremamente evidente e até nos assusta, mesmo sendo tratada de maneira tão superficial.

O filme é uma decepção para quem o assistiu acreditando que tratará de um triângulo amoroso (o que talvez fosse, de fato, a intenção de seus criadores e produtores). Mas a superficialidade do filme é tanta que passamos a dar atenção a outras coisas. A guerra realmente tem o poder de mexer com a mente e com os nervos de todos, mas certamente atinge de maneira extrema a quem está ou esteve lá, entre a vida e a morte, entre ideais que às vezes nem acredita.

De repente ele é um homem adorável, amoroso, carinho e cheio de si. Ao voltar do combate depois de enfrentar situações terríveis, perde seu eixo, seu equilíbrio. Fica com um olhar sério e aterrorizado, mesmo quando olha para suas filhas ou beija sua esposa. Seu senso sobre a vida muda completamente e este tema é pouco demonstrado no cinema, e é por isso que chamo a atenção para este filme.

Entre Estados, a guerra pode até ser uma forma de resolver os problemas. Mas este não é um jogo de War em que apenas os países e as viórias interessam. E os seres humanos que passam por tanto sofrimento e que deixam suas famílias para trás? Tudo pode ficar para trás. E quase sempre fica.

Escrito por: Denis Araujo

6 de fev. de 2010

Devo e Não Nego. Pago Quando Puder!

Tá, vou dizer o que? Que é reflexo da crise, mais uma vez? Pois é, devo dizer que sim. Aquele meteoro que caiu no oceano financeiro ainda deixa algumas marolas por aí e o alvo foi a Europa. Engraçado que até pouco tempo atrás, o continente europeu sempre foi símbolo de estabilidade econômica e de organização orçamentária. Porém isto foi antes dos empréstimos e soluções arriscadas.

É aquela velha história de fulano estar pobre e pegar dez reais emprestados. Quando a situação melhora, passam-se também as dívidas e as intenções de pagar (o famoso calote). Mas justiça seja feita: a crise não passou tanto assim, o mundo precisa ter um pouco mais de paciência. Países tradicionais como Portugal, Itália e Grécia estão em uma situação delicada, e a União Europeia teme o calote generalizado. Todo este temor balançou as bolsas de todo o mundo, provocando reflexos visíveis aqui no Brasil (sucessivas quedas no índice Ibovespa e desvalorização dos papéis de gigantes como a Petrobras e a Vale), além da alta do dólar. Tudo bem que a barreira de 1,90 ainda é um desafio e algo pouco provável de ser rompido, mas os investidores estão de olho. Nós estamos de olho.

A União Europeia passa a se preocupar com sua moeda, algo jamais imaginado, afinal o Euro sempre foi digno de muita estabilidade e confiança. Mas é evidente que até os mais fortes precisam de uma mãozinha e é pra isso que o G20 está aí. O grupo das principais economias do mundo (junto às emergentes) assume, novamente, o papel principal, para propor soluções satisfatórias, provando que é a melhor ferramenta da ordem econômica internacional.

É óbvio que os países vão pagar o que devem, mas mais uma vez afirmo que a União Europeia precisa ter paciência. Apressar a situação vai gerar mais desconfiança e quem perde é o mundo, afinal as bolsas dependem destas certezas. O que esperamos é que as potências não repitam a frase dos sábios poetas, porque neste caso 'as dívidas são sagradas' é uma afirmação que precisa passar longe das narrativas da economia moderna.

Escrito por: Denis Araujo

24 de jan. de 2010

Quando o Mundo Resolveu Dar as Mãos

Até parece miragem, mas não é. Quem acompanhou as frias discussões da COP 15 - acerca do aquecimento global - não acredita que o mundo poderia agir em conjunto, especialmente para trabalhar em um problema único. Infelizmente, uma ilha precisou ser sacudida (literalmente) para que os Estados agissem prontamente.

Há poucos dias, a humanidade chocou-se com o grave terremoto ocorrido no Haiti, na região do Caribe. As buscas por sobreviventes ainda não terminaram, mas as autoridades estimam cerca de 150 mil mortos. Na lista não estão apenas haitianos. O destaque vai para os soldados brasileiros que foram vitimados enquanto trabalhavam no comando da operação de manutenção e auxílio ao país, patrocinada pela Organização das Nações Unidas. O Brasil, aliás, chefiava toda esta ação há alguns anos e é por isso que sofreu importantes baixas militares e diplomáticas.

Depois que este grave tremor ocorreu, os principais líderes dos mais poderosos países passaram a agir, enviando enormes doações em dinheiro, mantimentos e, principalmente, em forças militares. Esta ênfase que dou serve para mostrar que o Haiti já estava completamente desorganizado antes do ocorrido. Depois, o que já estava de pernas para o ar ficou ainda pior. O país é um dos mais pobres do ocidente, unindo em um curto pedaço de terra uma população consumida pela fome e pelo desemprego. Essencialmente agrícola, o Haiti consegue algum trocado através da exportação de frutas (antes um fator de orgulho, hoje única salvação). O governo haitiano, tido como um dos mais desorganizados há anos, não consegue uma única ação positiva para seu povo.

A solução encontrada pela ONU foi auxiliá-los através de forças militares que pudessem agir para conter a violência e garantir a segurança da população. É nesta parte que o Brasil entra, visto que assumiu todo o comando da operação. Não que o exército brasileiro tenha atingido seus objetivos, mas ao menos deram alguma esperança para o povo haitiano.

Logo após o terremoto, o governo brasileiro agiu prontamente no envio de mais tropas de resgate, além de garantir grandes doações de dinheiro e itens de sobrevivência. Os Estados Unidos também estão atuando diretamente na situação. Barack Obama luta para apagar a imagem que o ex-presidente Bush deixou nas falhas do governo no auxílio ao povo norte-americano no episódio do furacão Katrina. União Europeia e gigantes asiáticos também resolveram mobilizar-se no envio de militares, estudiosos, voluntários e, é claro, com altas quantias monetárias. E daqui pra frente, o país estará monitorado pelos olhos do mundo, afinal o Haiti tornou-se um desabrigado do planeta. Se não o ajudarem, quem poderá ajudá-lo?

Ficam aqui depositadas as esperanças de que novas medidas de segurança sejam implementadas e que acidentes como este não sejam tão devastadores, em qualquer canto da Terra. Como já havia escrito, o ano de 2010 mal havia iniciado e muitos sonhos tornaram-se pesadelos. E assistimos de camarote a esta terrível mudança.

E que o mundo permaneça de mãos dadas por mais tempo, afinal esta foi uma demonstração de que a cooperação pode fazer coisas muito boas. Uma pena que a terra tenha que sacudir para que isso seja notado. Uma pena mesmo.


Escrito por: Denis Araujo


O Silêncio Cotidiano agradece aos leitores por atingir a marca de mais de 6500 visitas. Junto a isso comemora-se este post de número 50, especialmente dedicado a todos aqueles que apoiam este projeto e seu autor desde o início. Este é o mundo em que vivemos, aquilo que pensamos e tudo o que não dizemos.

Gostaram da nova cara do blog?

Até a próxima!

13 de jan. de 2010

2010: Sonhos e Pesadelos de Um Novo Ano

Finalmente o ano de 2010 chegou, trazendo todos os jargões populares de que este ano será mesmo 10! O mais engraçado é que de notas boas não temos praticamente nada, afinal de contas o ano mal começou e o que temos é uma porção de catástrofes, tragédias e outras notícias tristes ocorrendo pelo mundo. Não foi o início que sonhamos.

Neste ano, os olhos do mundo estarão voltados para o continente africano, mais precisamente na África do Sul. A Copa do Mundo de futebol começará em alguns meses, e com ela chegam todas as festas, o marketing, a paixão pelo esporte, os astros e tudo que há de bom para se comemorar. Milhões foram gastos, tudo para realizar um evento de proporções gigantescas, que atrai tantos fãs. Até mesmo quem não gosta de futebol se rende ao brilho do acontecimento.

Entretanto, nem tudo é festa. Como manda o calendário da FIFA (entidade máxima do futebol), meses antes do Mundial ocorre a Copa Africana de Nações. É praticamente uma prévia do que as seleções do continente classificadas apresentarão meses depois na Copa do Mundo. Na realidade, que seja apenas uma prévia futebolistica, porque o que vimos por lá nesta semana foi o terror e o caos de um início inesperado de um evento. Inesperado?

A seleção de Togo enfrentaria Gana em uma das sedes do campeonato. No caso, a partida seria realizada em Cabinda - uma província angolana que luta há algum tempo para obter sua independência. Em uma comparação geográfica, esta região está para Angola como o Chile está para o Brasil, ou seja, é um local que não faz fronteira com o país. E a província foi escolhida justamente para o governo angolano mostrar ao mundo que, apesar da distância e das diferenças, Cabinda faz parte de todo o território de Angola. Mas o que vimos foi uma tentativa frustrada de mascarar uma realidade complicada.

A entidade africana de futebol, juntamente com a organização do evento em Angola, deveria há muito tempo ter riscado a província do mapa do campeonato. Por melhor que fosse a intenção, o sentimento separatista da região é grande, impulsionada pela Frente de Libertação do Enclave de Cabinda (FLEC). Sendo assim, que condições de segurança o território teria para realizar uma festa deste tamanho? O alto preço da hipocrisia e da falta de preparo foi pago pela seleção de Togo, representada pelo astro Emmanuel Adebayor - atacante do Manchester City, da Inglaterra.

O resultado foi um jogador gravemente ferido e alguns funcionários da comissão mortos. E novamente questiono: foi um ataque inesperado? Óbvio que não. A FLEC já havia realizado algumas ameaças, que o governo angolano e o comitê organizador do evento resolveram esquecer para não manchar a festa.

O campeonato segue com as pernas bambas. Com a desistência de Togo, resta às demais seleções que se esforcem e lutem pelo título. Mas este evento jamais será esquecido, ainda mais às vésperas da Copa do Mundo, na África do Sul.

E o que diz o comitê organizador do mundial? Algo bastante verídico: quando ocorreram os atentados em Madrid no ano de 2005, ninguém questionou a segurança da Copa na Alemanha, em 2006. Claro que existem diferenças na proporção dos acontecimentos e do desenvolvimento dos países em questão, mas se o governo sul-africano adotou o evento e prometeu realizar a maior festa de todos os tempos, podemos somente torcer para que seja, de fato, um sucesso, sem preocupações.

Que o atentado em Cabinda torne-se um fato isolado. O mundo precisa começar a enxergar todas estas tragédias iniciais do ano como fatos isolados até porque, se continuarmos assim, logo mais trataremos como isolados os bons acontecimentos.

Certamente este não foi o início que sonhamos. Vamos aguardar para que o decorrer e o término sejam.


Escrito por: Denis Araujo

16 de dez. de 2009

Da Lama ao Caos

"Vamos salvar o mundo!" aparentemente deixou de ser apenas um jargão das propagandas de pasta de dente. Na realidade, esta frase nos remete atualmente a Copenhague, na Dinamarca, onde acontece há dias uma conferência para discutir as mudanças climáticas no mundo, denominada COP15. Os principais cientistas, estudiosos, diplomatas e líderes governamentais estão presentes neste gelado país da Europa para discutir quão quente o mundo está ficando. Mas fria não é somente a cidade. Fria também está essa discussão, que mais parece um encontro de amigos do que uma reunião de trabalho.

O aquecimento global, para muitos, é uma farsa. Para outros, a vida tornou-se sobreviver enquanto a Terra se aquece. Mas o que não podemos deixar de constatar é que vivemos uma transição notória. De tempos em tempos, as relações internacionais marcam o início e fim de eras, de ideologias. E quando perguntam: "o mundo vai acabar um dia?", o que vem na ponta da língua é que o mundo se renova de tempos em tempos. E essa "nova renovação" já está acontecendo.

Ao passo que as mudanças climáticas provocam fenômenos no mundo inteiro, como enchentes, tornados, oscilações de temperatura em épocas inesperadas, as pessoas entram em uma era de reflexão. A ideia da sustentabilidade e a moda "verde" parecem ter entrado de vez na mente dos mais sensatos seres humanos. E obviamente que as empresas se beneficiam disso, lançando campanhas de marketing cada vez mais voltadas para esta causa. Hoje, a população parece se conscientizar aos poucos de que cuidar do meio ambiente é cuidar da vida, do planeta. E é por isso que esta conferência sobre assuntos climáticos da ONU chama tanta atenção.

Mas ora, se é um assunto tão vital, por que é que ainda não saiu nenhuma resposta para este problema?

Bom, o fato é que por mais que o mundo esteja se preparando para transformações, o planeta ainda é recheado de líderes conservadores, que antes de se preocupar com os vizinhos, se preocupam unicamente com a sua casa. A ordem é cortar a emissão de gases que provocam e aumentam o efeito estufa. Isso significa reduzir a produção das indústrias ou, no mínimo, encontrar soluções limpas para a produção, o que resultaria em gastos para pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias. E quem tem que arcar com isso? Os governos dos países mais ricos. E quem disse que eles querem?

"Ora, se é uma preocupação geral, que a geral tome providências!". Isso é o que querem os países desenvolvidos, que estão sendo tratados como os grandes vilões do problema. Maus ou não, eles estão no direito de pedir que o mundo inteiro tome providências. Mas o que não é certo é que estas providências sejam tomadas por igual. Por que Angola teria que agir da mesma maneira que os EUA para conter o efeito estufa? Por que a África do Sul e o Brasil precisam cortar o mesmo número de poluentes que Alemanha e Japão? Daí as divergências, somadas a tantos outros embates.

Ninguém quer sair perdendo, por isso esta negociação está fadada ao fracasso. Gostariamos muito de ver alguma resolução importante e efetiva a partir da COP15, mas o que vemos é uma reunião de interesses mais políticos do que ambientais, rodeada de falsos argumentos ou improváveis decisões.

O planeta necessita de ações concretas e objetivas. Mas infelizmente não será em uma conferência que tudo isso vai mudar e que todos perceberão o tamanho da encrenca. Afinal de contas, sabem quando o mundo deixou de ser hipócrita? Nunca.

Escrito por: Denis Araujo

25 de nov. de 2009

Os Desafios Iranianos e as Respostas do Mundo: Ahmadinejad no Brasil

A semana ficou um pouco conturbada por aqui com a visita do presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad. Aliás, não foi apenas a semana ou o nosso país que ficaram conturbados. Na realidade, os olhos do mundo se voltaram para esta visita presidencial, especialmente os olhares norte-americanos e israelenses. Preocupante? Um pouco. Mas depende do ponto de vista.

No Brasil, a opinião pública dividiu-se, os estudantes protestaram, os políticos não entraram em acordo, refugiados de guerra e homossexuais indignaram-se, empresários festejaram e os analistas de relações internacionais questionaram-se. Estas manifestações diversas ocorrem por conta das declarações dadas por Ahmadinejad. O holocausto foi negado, os homossexuais repudiados, os israelenses e norte-americanos confrontados, os empresários convidados, os políticos divididos e analistas, novamente, questionados. Tantos pontos de vista, que diferem sobre temas tão comuns.

O programa nuclear iraniano tem chamado a atenção do mundo por conta de suas intenções. Os fins energéticos são óbvios, mas o que há por trás disso? Os americanos, os israelenes e todo o Conselho de Segurança da ONU preocupam-se com os fins bélicos que este desenvolvimento pode possuir. Israel, mais do que nunca, está atento aos exercícios militares do exército iraniano e, em resposta deste fato, também organiza-se militarmente para evitar um confronto. Entende-se "evitar" como "atacar para se defender". Ahmadinejad aposta em uma guerra? Na verdade ele duvida. O planeta crê em uma guerra de grandes proporções? Não muito, uma vez que a ordem internacional não está para conflitos, assim como a frase diz que "este mar não está para peixe".

Mas e os Estados Unidos? Se o país ainda estivesse sob a liderança de Bush, o mundo estaria realmente preocupado. Mas os tempos são outros. Barack Obama trabalha sua política externa de maneira a permitir uma maior flexibilidade, na tentativa de encaixar os EUA como um ator pragmático, de intenções diversas e respostas diferentes, ao invés de classificar o país como um grande combatente do terror, ou mesmo um grande terrorista global.

A verdade é que o mundo olhou com apreensão esta visita, principalmente por conta do Brasil ter se tornado o que é hoje: um verdadeiro ator global, capaz de dialogar e influenciar. A comitiva de empresários iranianos que acompanharam a visita aproveitaram para fechar inúmeros acordos comerciais, na intenção de ampliar as relações bilaterais. E Mahmud Ahmadinejad encontrava-se em uma saia justa. O programa nuclear iraniano estava chamando atenção demais. Sua reeleição estava chamando atenção demais. Suas declarações? Mais atenção ainda. E qual a saída? "Vamos conversar com Brasília, é hora de visitarmos o presidente Lula".

O Brasil, tradicionalmente, sempre esteve muito próximo aos EUA. Mas desde a posse do governo atual brasileiro, o país passou a agir de maneira muito mais multilateral, realizando acordos com diversos países, ampliando toda a sua lista de influência. Semana passada esteve no Brasil, pela primeira vez, o presidente israelense Shimon Peres. E agora é o Irã que dá as caras por aqui. Coincidência? Pode até ser. Mas o Brasil não quer ficar preso a valores antiquados, que não lhe diz respeito. E o faz muito bem, exceto com a declaração, na minha opinião, equivocada de nosso presidente, ao afirmar seu apoio ao programa nuclear de Teerã. Esta declaração foi dada sem pensar no que a mídia internacional compreenderia. Erros a parte, o encontro presidencial foi bastante estratégico, para ambos os lados.

O Irã passou a buscar novos mercados, novos apoios. O lobby começou a ser feito. Seu programa nuclear está protegido, logo seu desenvolvimento econômico também. O que há por baixo dos panos ninguém sabe, mas quando for revelado, o mundo deverá dar respostas imediatas: ou uma negociação de paz, ou um estreitamento de laços.

Escrito por: Denis Araujo

30 de out. de 2009

Venezuela e o MERCOSUL: Comércio Sim, Politicagem Não!

O MERCOSUL nunca teve tantas notícias chamativas como as desta semana, em que decidirão, finalmente, se a Venezuela entrará efetivamente para o bloco ou não. Hoje o Itamaraty e o Senado brasileiro aprovaram o ingresso do país e, para que seja concretizado, o plenário precisa votar a favor, sem contar o voto necessário dos políticos paraguaios.

Muito se discute sobre as vantagens e desvantagens da adesão. Para ampliar a discussão, precisamos colocar os pingos nos is. O MERCOSUL há tempos perdeu sua credibilidade. Fundado no início da década de 90, o bloco, que tinha como intenção trilhar o caminho de sucesso da União Europeia, caiu nas tabelas bloqueado por diferenças políticas e de objetivos econômicos. Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai (membros do bloco) sempre apoiaram as unificações de tarifas alfandegárias, taxas mais favoráveis para certos produtos, sem contar nas maiores facilidades para se viajar entre os países. Entretanto, a forte concorrência entre os produtos brasileiros e argentinos (especialmente os da linha branca) fazem com que os dois países sejam relutantes quanto às facilidades adotadas no bloco, para não perder espaço e evitar o monopólio.

Além disso, conturbações políticas estremecem o MERCOSUL. O Brasil, de governo mais centro-esquerdista do que propriamente de esquerda, continua sua política de bem feitor e irmão de todos. A Argentina, de governo pós-peronista e de forte instabilidade, ainda luta para ganhar seu espaço merecido. O Uruguai enfrenta agora as eleições presidenciais, antecedido por um governo que pouco se manifestou. O Paraguai, por sua vez, enfrenta uma tentativa inédita de estabilidade política, impulsionada pelo presidente e bispo Fernando Lugo, que se esconde atrás da cruz para que não encontrem mais fatos que o comprometam.

O grande problema da adesão da Venezuela no bloco é que a América do Sul está, ultimamente, ganhando espaço por conta de sua imagem, ao invés de ganhar por esforços efetivos e resultados concretos. De realidades distintas, os atuais membros e o atual candidato a membro, vivem uma disputa ideológica, principalmente os maiores: Argentina, Brasil e Venezuela (principalmente os dois últimos). É óbvio que a Argentina precisa muito do Brasil para se desenvolver, contudo venezuelanos e brasileiros experimentam uma recente tentativa de estreitamento de laços. Os jornais de ambos os países (muito mais no Brasil) sempre deram a entender que existia uma disputa de liderança no continente. Mas o que se vê são dois países que tentam desenvolver uma boa relação bilateral para explorar os potenciais de cada um.

Presidente Lula: como o senhor, eu também estou convencido. Mas o meu convencimento parte do pressuposto que a Venezuela entrará no bloco para colaborar com temas de cunho comercial e econômico, sobretudo no desenvolvimento agropecuário e nas conversas sobre energia. A adesão do governo de Hugo Chávez não deverá, de forma alguma, transformar o MERCOSUL, que já não anda bem das pernas, em plataforma socialista, tampouco de disputa de ideologias que não cabem mais nesta nova década que se iniciará.

Vamos deixar a imagem de lado. O que interessa agora são as vantagens, de fato, que este ingresso fará para o bloco e para os países-membros. Se o Chávez é assim ou o Lula é de outro jeito, pouco importa. Quando falamos de negócios, temos que deixar as diferenças de lado e praticar o famoso jogo do ganha-ganha. Se no final das contas alguém perder, o MERCOSUL perderá por completo. E onde ficará a credibilidade?

Escrito por: Denis Araujo

28 de out. de 2009

O Que Esperavam da Crise?

Curiosa a maneira em que até pouco tempo atrás a palavra "crise" tomava todas as capas de jornais e revistas, era pronunciada em todos os noticiários e programas televisivos do gênero. Até mesmo aqui no Silêncio Cotidiano já foi mencionada.

O alerta vermelho foi dado e os economistas passaram a esboçar aquilo que seria a reforma da economia mundial. Mais do que isso, a sociedade anseava por presenciar a transformação da própria sociedade. O modelo neoliberal (que já havia proporcionado duras consequências às economias latinas) passou a ser cada vez mais questionado. Haveria chegado o momento do Estado entrar em ação? E o capitalismo: estaria este nas últimas?

Questões como estas surgiam o tempo todo e o mundo passou a se dividir entre AC (Antes da Crise) e DC (Depois da Crise). No entanto, o que observamos um ano após esse fenômeno é que muita coisa ainda permanece intacta - e o socialismo cada vez mais enterrado. Os Estados mais ricos tiveram que intervir e salvar suas economias, mas nada além disso. Pouco a pouco o mercado financeiro global se reaquece e as especulações voltarão à tona.

O Brasil realmente se diferenciou, visto que o Estado não teve que intervir tão enfaticamente na economia. Os bancos, maiores vítimas em todo o mundo, não sofreram danos por conta de sua autosuficiência. Enquanto os EUA tiveram que assumir dívidas e salvar bancos privados e grandes montadoras de veículos, no Brasil o fenômeno proporcionou destaque às instituições financeiras e estabilidade às empresas automobilísticas.

O Brasil não ensinou uma lição ao mundo, como esperavam os governantes. Na realidade, o país teve seu destaque e, por conta disso, tornou-se a bola da vez dos investimentos estrangeiros. Não por acaso o Grupo Santander realizou o maior IPO da história da Bovespa, e muito provavelmente mais gigantes farão investimentos poderosos por aqui.

Caminhamos para uma crise futura? A Crise de 1929 traçou linhas históricas na economia, quando a produção parou, o abastecimento se enfraqueceu, os produtos perderam valor e seus preços diminuiram. A Crise Estrutural da década de 70 (impulsionada pela Crise do Petróleo em 1973) provocou a recessão na economia norte-americana e uma transformação no padrão de investimento no mercado financeiro. Ainda na década de 70, os preços dos produtos mantiveram-se no topo, causando problemas de inflação nos países.

Ou será que o mundo está mostrando sinais de maturidade? Acredito que o ciclo não se repetirá, mostrando ao mundo novas portas e caminho. É o que espero.

Escrito por: Denis Araujo

Este post é dedicado a todos aqueles que lutam por seus sonhos.

16 de out. de 2009

Havaianas. Todo o Mundo Usa.

Lembro de quando ia na feira com a minha mãe ajudá-la com o carrinho de compras. As barracas de alimentos formavam filas, quase iguais às filas do pastel ou do caldo de cana. Mas outras aglomerações também se formavam para comprar aqueles chinelos estranhos, com alças de dedo, com o nome de Havaianas. Tudo bem, eram falsificadas, mas não deixavam de atrair gente de todos os jeitos. O tal Chinelo de Pobre era mais famoso do que eu pensava.

As Havaianas surgiram na década de 60, baseadas nos famosos chinelos japoneses de alça e base feita de palha. Era uma novidade em todo o Brasil e explodia como calçado favorito da população brasileira, especialmente das classes menos favorecidas. O sucesso era tão grande que muitas outras empresas de calçados tentaram imitar o formato da novidade, fazendo com que o marketing das Havaianas entrassem de cabeça no negócio. Surgia, então, o slogan "Havaianas. As Legítimas."

O número de vendas era tão expressivo que em meados de 80, os chinelos foram distribuidos nas cestas básicas da população (acredite se quiser!). E foi no início da década de 90 que o novo slogan do produto surgia. "Havaianas. Todo mundo usa." era uma referência aos diversos artistas brasileiros que apareciam pelas cidades desfilando casualmente suas Havaianas. Além disso, o boom da publicidade em revistas representou um avanço na comunicação da empresa.

A evolução dos lucros não parou por aí. Em 1997 foi inaugurado o departamento de Comércio Exterior da empresa, com o intuito de ampliar a internacionalização do produto. A partir daí, os eventos esportivos ganharam força dentro da empresa. Na Copa do Mundo de 1998, por exemplo, os chinelos ganharam uma pequena decoração da bandeira do Brasil, suficiente para chamar a atenção de todo o mundo e virar item de desejo em muitos países. Estrangeiros passaram a comprar Havaianas em nosso país e levar para suas casas, ampliando a visualização do produto, chamando a atenção dos veículos de comunicação do exterior. Essa atuação internacional é tão expressiva que desde 2003 as Havaianas são presenteadas para os indicados ao Oscar.

A conclusão do processo de internacionalização da marca Havaianas se deu através da segunda etapa realizada. Em 2007 a empresa inaugurou sua sede em Nova York, nos Estados Unidos, e em 2008 constitui base física na Espanha, em Madrid. Além disso, a China é, hoje, um dos grandes consumidores dos chinelos.

Fica evidente o caminho contrário que as Havaianas seguiram para se internacionalizar. Ao invés de se adaptarem ao padrão de consumo dos outros países, os chinelos tornaram-se marca registrada dos brasileiros. Os clientes internacionais não estão comprando um produto adaptado, mas sim, um produto original, como se comprassem uma parte do Brasil. Este quase patrimônio brasileiro é apreciado no mundo todo, deixando de ser aquele famoso chinelo de pobre vendido nas feiras brasileiras.

Escrito por: Denis Araujo

9 de out. de 2009

O Maior Prêmio de Barack Obama

Todos os anos o Prêmio Nobel da Paz é entregue aos indivíduos que mais se destacaram no mundo por suas atuações voltadas para o bem social, para a promoção da paz e resolução de conflitos. Importantes ativistas da história da humanidade foram premiados, como Martin Luther King Jr., Madre Teresa de Calcutá, Dalai Lama e Nelson Mandela. Outros importantes agentes foram premiados, a exemplo de Linus Pauling (aquele mesmo das aulas de química), Henry Kissinger, Óscar Arias, Mikhail Gorbachev, Shimon Peres, José Ramos-Horta, Al Gore, entre outros. Houveram, ainda, premiações para entidades inteiras, como os vários prêmios recebidos pela Cruz Vermelha, Organização das Nações Unidas, Anistia Internacional etc.

Hoje o mundo conheceu o ganhador do prêmio neste ano de 2009. Barack Obama entra para a galeria dos presidentes norte-americanos já premiados, composta por Theodore Roosevelt, Thomas Woodrow Wilson e Jimmy Carter. Nas entrevistas, o atual líder dos Estados Unidos se mostrou surpreso e bastante feliz. Mas não foi só ele que se sentiu assim. O mundo foi surpreendido por tal nomeação, dividindo opiniões e gerando críticas.

O premiado foi aplaudido pelo mundo e pelos cidadãos de seu país, enchendo a todos de orgulho e admiração. Contudo, as críticas se voltam para sua tão precoce vitória, visto que Obama ainda não teve tempo para agir de maneira contundente nas questões centrais conflituosas que seu país está envolvido, e outras da ordem do Direito Internacional, como a solução aos problemas de Cuba e aos prisioneiros de Guantánamo.

Há, ainda, boa parcela da população que foi responsável pela queda de popularidade e aprovação do presidente no comando norte-americano. Problemas no sistema de saúde, emprego e economia, tornaram-se questões centrais das práticas internas do atual governo, práticas estas ainda sem grande efetividade. Entretanto, ao apurarmos a política externa dos Estados Unidos e ao compararmos esta com as anteriores, podemos perceber, claramente, grandes diferenças de atuação, opinião e análise.

Obama não teve tempo para realizar as transformações que planejou em todo o seu programa de governo. É um fato óbvio, afinal os Estados Unidos, além de terem uma grande bomba interna para resolver (agravada com a crise financeira), estão envolvidos em questões muito complicadas externamente. Mais do que isso, os EUA sempre chamaram, e chamarão, atenção do mundo, visto que muitas decisões dependem destes para serem realizadas.

E por tantas decisões importantes necessitarem de um aval norte-americano, Obama merece sim a premiação. Não por ser o Prêmio Nobel da Paz - ou por ter atuação melhor que os outros indicados, mas sim porque já mostrou ao mundo que quer ser diferente. Que é diferente. Mal entrou no poder e já colocou em prática seu plano de resolver a questão dos presos em Guantánamo, inserir Cuba, novamente, em sua pauta de negociações, alterar o plano de atuação no Iraque e dar maior atenção às situações no Afeganistão.

O maior prêmio de Barack Obama não foi o Nobel. Seu prêmio maior foi ganhar o chamado do mundo. É a oportunidade que os Estados Unidos têm de fazer diferente, de promover aquilo que todos esperam de uma nação hegemônica, que tem muitos recursos para promover tantas coisas importantes para a humanidade. E que assim prossiga.


Escrito por: Denis Araujo

7 de out. de 2009

Rio 2016: Uma Balança na América do Sul

A euforia ainda não passou. É provável que até agora o Rio de Janeiro esteja fazendo a festa. Aquele anúncio da sede dos Jogos Olímpicos de 2016 fez o Brasil ferver. Mas nem tudo é festa.

Borbulham por aqui e nos países vizinhos uma série de críticas ao Brasil, muitas delas reprovando o evento no país. É claro que será a primeira vez que as Olimpíadas ocorrerão na América Latina, mas isso não é uma alegria para todos. Os brasileiros dividem suas opiniões. Enquanto uns ainda pulam de alegria e o farão até 2016, outros estão preocupados.

Superfaturamento, desvio de verba, ampliação de investimentos para a estrutura dos jogos e diminuição de inversões na saúde, educação etc. Todos estes tópicos, e muitos outros, aparecem na lista de indagações de parcela da população (a mais realista eu diria).

Na Argentina, a repercussão da notícia mexeu com a opinião pública. Muitos comentários acerca do Brasil surgiram, dizendo que o país continua desenvolvendo sua imagem externa (principalmente pelo forte marketing do presidente Lula), ao invés de cuidar de sua realidade interna. Além disso, o Brasil continua com IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) mais baixo que Argentina e Chile, por exemplo, e com condições de vida piores.

Que vale mais: ser a sede da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, ou priorizar o desenvolvimento do país? Tenho certeza que uma coisa está atrelada à outra. E o jornal argentino Olé afirmou: "Hasta acá nos ganan!".

É mesmo uma balança de opiniões na América do Sul.

Escrito por: Denis Araujo

30 de set. de 2009

¿Y Ahora Brasil?

Quando o chanceler Celso Amorim afirmou que o Brasil não participou do plano para abrigar Zelaya na embaixada brasileira em Honduras, a oposição ao governo, a mídia nacional e o mundo, ficaram com enorme desconfiança e com um gigantesco ponto de interrogação na cabeça. E este ponto de interrogação também sobrevoa os céus deste Silêncio Cotidiano. Afinal, se o Brasil não auxiliou, como foi que o presidente deposto em Honduras foi parar na nossa embaixada? Vamos apurar alguns fatos.

Honduras vive um momento de completa instabilidade política. O presidente deposto Zelaya tentou se reeleger e acabar com a oposição no país. A oposição, por sua vez, tomou posse e tirou do governo o mandatário, ameaçando-o inclusive. O presidente deposto fugiu às pressas do país, com evidente fama de "coitado". Veio parar no Brasil, pedindo ajuda à maior democracia do mundo.

Mas também é evidente que a bandeira socialista da América Latina não ficaria imóvel. Hugo Chávez, presidente venezuelano, mexeu alguns pauzinhos e lá estava ele, abraçando Zelaya, abraçando Lula e traçando um pequeno plano secreto para conseguir levar o ex-lider hondurenho de volta ao seu país.

Dias depois lá estava o presidente deposto, dentro da embaixada brasileira em Honduras. E o governo do Brasil jurando que nada tinha a ver com isso. Isso pode até ser verdade, porque quem saiu ganhando com isso foi Hugo Chávez e a bandeira esquerdista da América Latina. É óbvio, afinal o venezuelano se aproveitou da vulnerabilidade da situação para lançar um plano "salvador" e sair como herói nesta história. O Brasil, sendo a maior democracia deste continente, tendo uma diplomacia bastante pragmática e costumeiramente sendo o herói na maior parte de situações que se envolve, levou a pior. Ficou no meio de um terrível jogo de interesses, situado na grande plataforma política venezuelana.

E agora, Celso Amorim?


O Silêncio Cotidiano agradece seus leitores e o faz pela ótima marca de mais de cinco mil visitas. Não deixem de ler, não deixem de comentar. Este é o mundo em que vivemos, aquilo que pensamos e tudo o que não dizemos.


Escrito por: Denis Araujo

21 de set. de 2009

Cinco Anos Para a Copa do Mundo no Brasil. E Agora?

Lembro de quando assistia programas esportivos, em que mostravam figuras carimbadas do jornalismo esportivo brasileiro falando sobre aquela fatídica final de Copa do Mundo contra o Uruguai, em pleno Maracanã, no ano de 1950. Aquelas imagens em preto e branco retratam um cenário diferente do atual, com mulheres bem vestidas e homens trajando terno e chapéu, lotando as arquibancadas do estádio (eram aproximadamente 200 mil torcedores). Cinquenta e nove anos se passaram desde então e quando a Copa do Mundo voltar ao Brasil em 2014, serão 64 anos de diferença. O que terá mudado?

No início da década de cinquenta, o mundo vivia um momento pós-segunda guerra mundial. Os países estavam se reconstruindo, a economia voltava a se fortalecer e os EUA saíram como os maiores vitoriosos, acompanhados pela sua adversária URSS. A Guerra da Coréia começava, gerando as primeiras tensões da Guerra Fria. No Brasil, Getúlio Vargas era eleito novamente, consolidando as leis trabalhistas, aplaudido pela maior parte da população brasileira e gerando mais desconfianças da oposição. Naquela época, o futebol ainda trilhava um caminho de sucesso, rumo ao estrelato. Tornava-se, cada vez mais, o esporte mais popular de todo o mundo. E o Brasil já figurava entre os países em que mais se valorizava a atividade.

Mas como estaremos daqui há 5 anos? Uma coisa é certa: muita coisa vai mudar até lá. Coisas simples já estão acontecendo. Basta prestar atenção na quantidade de locais nas capitais em que a sinalização está sendo trocada, com placas contendo dois ou mais idiomas. O transporte ferroviário de São Paulo é um exemplo disso, bem como os shoppings e locais turísticos. É evidente que isso não representa nada frente a todas as mudanças que deverão ocorrer. O 'Boom' hoteleiro será visível, assim como o cuidado com a estética das paisagens do país, passando pela evolução nos transportes e nas vias. A quantidade de empregos gerados será impactante, criando um ciclo econômico bastante vantajoso.

Por mais que problemas políticos e sociais ainda existam aos montes, é inegável que o país vive um momento especial. Economia se fortalecendo cada vez mais, nível de desemprego diminuindo, controle familiar visível, entre outros aspectos. Gosto de defender que a Copa do Mundo no Brasil está para os Jogos Olímpicos em Pequim, no ano passado. Escrevi neste mesmo blog que independente do sucesso esportivo, a China teve a oportunidade de mostrar ao mundo uma Nova China, mesmo que mascarada. Foi a oportunidade de ouro para lançar-se ao mundo à todo vapor, se consolidando como uma das grandes potências mundiais.

E assim será para o Brasil. Em cinco anos, o país terá a chance de mostrar para o mundo sua nova cara. Obviamente que muitos problemas precisam ser solucionados, como a violência, a falta de segurança, o trânsito das capitais etc. Há muito que fazer e a transformação já começou. Resta saber se dará tempo para tudo isso. O mínimo precisa ser alcançado e o Brasil precisa mudar. O que certamente não mudará é o brasileiro.

Escrito por: Denis Araujo


11 de set. de 2009

11/09: O Dia do Silêncio nos Estados Unidos.

Quando me perguntam o porquê de eu ter escolhido estudar Relações Internacionais, gosto sempre de contar um pequeno episódio da minha vida (que na realidade se tornou um capítulo inesquecível). O ano era 2001 e eu estava apenas na quinta série do ensino fundamental - creio que hoje esta série chama-se sexto ano. Era um dia como outro qualquer, exceto a partir do momento em que regressei da escola. Ao chegar em casa, na ansiedade de assistir o programa do Chaves na hora do almoço, percebi que todos os canais da televisão estavam ligados na mesma coisa: os Estados Unidos da América estavam sendo atacados.

Eu era uma criança de pouco mais de 11 anos, estava completamente assustado com aquilo. Aviões explodindo nos muros do World Trade Center (prédios que até então eu desconhecia, visto que em Nova York eu pensava que somente existia a Estátua da Liberdade e o Central Park). Depois desse dia me apaixonei pelos noticiários, pelas guerras, conheci a geopolítica, as relações internacionais e alimentei o sonho de cursar na faculdade algo que unisse tudo isso e mais um pouco.

Obviamente que eu sou apenas um grão de areia neste imenso deserto de pessoas que tiveram suas vidas alteradas com os atentados do dia 11 de setembro de 2001. E desde este ano, o ocorrido é lembrado em Nova York com minutos de silêncio (a cidade realmente fica imóvel). Uma das maiores capitais financeiras, culturais e políticas de todo o planeta, fica de cabeça baixa, de olhos fechados, relembrando as cenas e as dores daquele dia.

Osama Bin Laden passou a ser celebridade no mundo todo. Uns dizem que ele já está morto, outros afirmam que ele está escondido. Mas é certo que ele é apenas um nome, dentre tantos, em uma organização radical que balançou o país mais inatingível da história. O atentado às Torres Gêmeas foi o primeiro, e único, ataque sofrido pelos EUA em seu território, em toda a sua história.

A força do ataque é sentido até nos dias de hoje. Mas muito mais do que a violência, a força ideológica deste dia é infinita, de tal modo que marcou as páginas da história contemporânea. Este fato mudou todo o conceito de segurança, estratégia, política e as relações internacionais, como um todo.

Meu silêncio para os americanos. E meu silêncio para os afegãos e iraquianos que sofreram todo o contra-ataque norte-americano.

Escrito por: Denis Araujo


7 de set. de 2009

7 de Setembro: o Feriado Mais Reflexivo do Ano.

É Dia da Independência! Dia de ver a Esquadrilha da Fumaça fazer o mesmo show colorido de sempre, de ver os mesmos tanques de guerra desfilarem, de ver os mesmos soldados marchando e todas as manifestações que o brasileiro está acostumado. Porém neste ano de 2009 tivemos um feriado de 7 de Setembro que será relembrado por muito tempo.

Para começar, vamos falar do dia 5 (sábado). Maradona, obviamente, não teria o mesmo sucesso que o técnico Dunga. Ambos são grandes ex-jogadores, especialmente o argentino que é tido como o Deus do Futebol para os portenhos. Ele pode até ser
Dios, mas não é líder. O brasileiro, por sua vez, teve uma carreira recheada de altos e baixos, mas sua liderança sempre foi impecável. Quem se recorda da Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, deve lembrar da fisionomia de Dunga ao cobrar aquele penalti contra a Itália, na final - um verdadeiro guerreiro cobrando penalidades máximas!

O engraçado é ver a rivalidade entre brasileiros e argentinos, algo que se estende há muitos anos. O que poucos sabem é que a rivalidade existe mesmo antes do futebol chegar aqui no continente. O que me entristece é ver que esse embate, que deveria se reduzir apenas aos gramados, torna-se frequente fora destes. É incrível a quantidade de pessoas que ouço falando mal dos argentinos, ofendendo-os. E vice-versa.

Contudo, acreditem se quiser: brasileiros e argentinos têm muito em comum e dependem muito um do outro. Desde o início da crise financeira instalada na metade do ano passado, a mídia portenha sempre destacou o quanto a Argentina deveria se apoiar no Brasil para sair desta crise. A mídia brasileira, por sua vez, mostrou que o Brasil tinha todos os instrumentos necessários para se fortalecer, e um deles seria justamente aproveitar das oportunidades com seus maiores parceiros. E um dos maiores é a Argentina, sem sombra de dúvidas.

Continuando minha análise sobre o feriado, chegamos ao domingo, dia 6. Em rede nacional, o presidente Lula discursou sobre o Pré-Sal. Até o mais leigo no assunto compreendeu a importância que esta descoberta representa para o país. E fazendo um link, chegamos ao dia 7, com a Independência sendo comemorada, e junto com ela as comemorações do maior acordo militar já realizado pelo Brasil, juntamente com a França.

Pré-Sal e armas têm bastante em comum. Mas não se preocupe, o Brasil não entrará em guerra. Este armamento do país é muito mais ideológico do que efetivo. Defender o Pré-Sal é mais uma questão de imposição ideológica, do que imposição militar.

O Dia da Independência se foi, mas certamente ainda ouviremos falar muito de Brasil x Argentina, Pré-Sal e acordos militares. O que será que o próximo feriado reserva para nós brasileiros?

Escrito por: Denis Araujo